MADRID 8 jul. (EUROPA PRESS) -
O secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla, destacou que o Plano Profarma traz “benefícios” na área de pesquisa e desenvolvimento (P&D), no âmbito do desenvolvimento industrial e, “acima de tudo”, para o usuário final, que obtém “maior acessibilidade” aos medicamentos.
Foi o que ele destacou nesta quarta-feira em sua intervenção no evento “Plano Profarma 2025-2026”, que o Ministério da Indústria e do Turismo organizou para valorizar uma iniciativa com mais de 30 anos de trajetória, que busca reconhecer e impulsionar a excelência das empresas farmacêuticas que atuam na Espanha.
“Uma das coisas que a Profarma consegue é gerar os elementos de condicionalidade e incentivos suficientes para que possamos avançar na tentativa de fazer com que o modelo de inovação biomédica seja orientado, na medida do possível, pela demanda (...) e não tanto pela oferta”, destacou Javier Padilla.
Em sua opinião, o benefício para o sistema e para os pacientes não se dá apenas na parte final da cadeia. “Não é apenas uma responsabilidade daqueles que atuam na área de acesso e sustentabilidade”, observou ele, para esclarecer que também é preciso gerar incentivos no início da cadeia, na pesquisa, o que permite o acesso a medicamentos por meio de ensaios clínicos, e na produção, o que protege contra possíveis problemas nas cadeias de abastecimento, além de melhorar a autonomia e a disponibilidade dos tratamentos para os pacientes.
Da mesma forma, ele destacou que o Plano Profarma é “o projeto que melhor representa o que é a Estratégia da Indústria Farmacêutica” 2024-2028, uma vez que representa “a integração das diferentes áreas do governo envolvidas” nela, conforme afirmou, referindo-se aos ministérios da Indústria, da Ciência e da Saúde.
TRABALHO TRANSVERSAL
Justamente, os secretários de Estado da Indústria, Jordi García, e da Ciência e Inovação, Juan Cruz, também participaram deste evento, com o objetivo de destacar o trabalho transversal entre os três departamentos, transmitir sua visão sobre o Plano Profarma e apontar os desafios que devem ser abordados de vista à próxima convocatória.
Jordi García referiu-se ao Plano Profarma como o “quadro de comando” na abordagem “estratégica e integral” que a Estratégia da Indústria Farmacêutica busca. Em sua última edição, 2025-2026, ele destacou que o plano já incorpora respostas a três “riscos”, a saber: o risco de uma revolução tecnológica e de a Espanha ficar de fora dela; o risco de abastecimento; e o risco de não sermos eficazes e úteis em termos de saúde.
“Acredito que, juntos, estamos encontrando o caminho certo para uma abordagem integral dos desafios do setor. Não estamos mal, estamos jogando bem esta partida; precisamos levá-la até o fim e também começar a trabalhar para os próximos quatro anos”, afirmou.
Por sua vez, Juan Cruz destacou que a “transformação” vivida nos últimos anos fez com que a Espanha “não seja mais apenas um país para onde se vem realizar um ensaio clínico, mas que se tornou um centro” de desenvolvimento clínico “completo”. Mesmo assim, ele ressaltou que é preciso continuar trabalhando para “passar do ensaio pontual para um ensaio que implique a incorporação de valor agregado em toda a cadeia de valor”.
“Eu gostaria que o medicamento fosse descoberto aqui. Estamos fazendo coisas, mas é preciso mais”, acrescentou, pedindo o aumento da capacidade dos centros de inovação existentes e o estabelecimento de uma colaboração “estável” com os institutos de pesquisa biomédica. “O objetivo final é que as indústrias não vejam nosso país como um parceiro clínico, mas como um parceiro científico-clínico”, concluiu.
VISÃO DAS EMPRESAS FARMACÊUTICAS
Em seguida, ocorreu uma mesa redonda intitulada “Profarma: Colaboração público-privada para o futuro dos medicamentos”, com representantes de diversas empresas farmacêuticas, que aprofundaram o que esse plano lhes traz, bem como os aspectos a serem aprimorados.
O diretor de Assuntos Públicos e Governamentais da Grifols, César Rubio, destacou que o Profarma, embora “não determine que um investimento de 160 milhões seja realizado na Espanha”, é “mais um elemento dentro da política industrial” que permite às empresas continuar fortalecendo o tecido industrial na Espanha.
Para aprimorar o plano, ele enumerou alguns elementos-chave, como agilidade, flexibilidade e competitividade. Além disso, ele pediu que se levem em conta as características específicas dos medicamentos considerados “críticos”, já que, em sua opinião, a regulamentação é, às vezes, “muito rígida”.
Por sua vez, a diretora-geral da Faes Farma, Esther Mosquera, afirmou que, para sua empresa, a Profarma e a Estratégia da Indústria Farmacêutica têm um peso “muito importante”, pois permitirão construir um futuro em que a Espanha seja “um ‘player’ muito importante” na indústria farmacêutica europeia.
Nessa mesma linha, a presidente da MSD Espanha, Ana Argelich, garantiu que a Espanha poderia se tornar “o ‘hub’ de ensaios clínicos em nível europeu” e se diferenciar. Entre os aspectos a serem melhorados, ela comentou que as empresas precisam de maior segurança jurídica para investir e que esse investimento se traduza em acesso.
A diretora-geral da BMS Espanha e Portugal, Sandra Orta, quis alertar sobre a migração dos ensaios clínicos para outras regiões, principalmente para a Ásia, devido aos incentivos oferecidos por essa região. Nesse sentido, ela pediu que não se considere garantido que a pesquisa permanecerá na Espanha e na Europa, e que se comece a agir de acordo com isso.
A responsável por Assuntos Públicos da Normon, Alicia Rebollo, concentrou-se no papel do medicamento genérico como “alavanca de eficiência” no Sistema Nacional de Saúde e insistiu na importância da colaboração com o governo para promover investimentos que garantam a acessibilidade aos medicamentos.
“MODELO DA EUROPA QUE QUEREMOS”
O ministro da Indústria e Turismo, Jordi Hereu, encerrou o evento destacando o papel do setor farmacêutico no âmbito industrial como um todo. “Vocês são o modelo da Europa que queremos, da Europa para a qual a Espanha deseja dar uma grande contribuição. E temos a capacidade de dar essa grande contribuição”, afirmou.
Hereu ressaltou que gostaria que toda a indústria fosse como a farmacêutica, já que esta é um “exemplo” de um modelo “que vale muito a pena”. Nesse sentido, ele destacou várias características notáveis do setor, como os 1.775 milhões investidos em P&D, um aumento de 40% em cinco anos; as 180 fábricas de produção que possui no país; ou os 56.000 empregos diretos e 270.000 indiretos que gera.
Dessa forma, o ministro transmitiu o reconhecimento do Governo à indústria farmacêutica e, nesse contexto, destacou que o Plano Profarma é uma forma de reconhecer, avaliar e classificar as empresas. Embora tenha afirmado que todas as empresas farmacêuticas são “excelentes”, ele ressaltou que é preciso “classificá-las” e, nesse sentido, destacou as 43 empresas que foram reconhecidas no Profarma 2025.
Essas 43 empresas poderão se beneficiar de reduções em suas contribuições ao Sistema Nacional de Saúde (SNS) por sua excelência industrial e econômica e por seu compromisso com atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P+D+i). Hereu incentivou todas as empresas farmacêuticas a “seguir esse caminho de excelência contínua”.
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