Publicado 24/06/2026 09:42

O Ministério da Saúde destaca que o “objetivo final” da coleta de dados de saúde é gerar “inovação com impacto”

Especialista propõe a criação de uma nova função profissional responsável pelo gerenciamento de dados em hospitais

Archivo - Arquivo - Tecnologia médica: os médicos utilizam a IA para diagnosticar e melhorar a precisão dos tratamentos. A pesquisa e o desenvolvimento médicos promovem inovações tecnológicas para melhorar a saúde do paciente.
PCESS609/ ISTOCK - Arquivo

MADRID, 24 jun. (EUROPA PRESS) -

O secretário-geral de Saúde Digital, Informação e Inovação do Sistema Nacional de Saúde, Juan Fernando Muñoz Montalvo, destacou nesta quarta-feira que o “objetivo final” da coleta de dados de saúde, que está sendo regulamentada por meio do Espaço Europeu de Dados de Saúde (EEDS) e pela futura lei nacional de saúde digital é gerar “inovação com impacto”, ou seja, desenvolver “ferramentas que melhorem a saúde das pessoas”.

“Os dados, se não forem utilizados, não servem para nada”, afirmou ele no evento ‘O Espaço Europeu de Dados de Saúde e sua implementação na Espanha’, organizado pela Fundação Instituto Roche, um encontro no qual Muñoz Montalvo destacou que os dados coletados na área da saúde devem ser analisados, utilizados para treinar algoritmos e avançar na pesquisa, no desenvolvimento e na inovação rumo a “produtos de valor” que, por fim, sejam incorporados ao SNS.

Em sua intervenção, intitulada “Espaço Europeu de Dados de Saúde, uma oportunidade estratégica para a Espanha”, o representante do Ministério da Saúde aprofundou as medidas que esse órgão está tomando, em colaboração com as comunidades autônomas, para desenvolver a Estratégia Nacional de Saúde Digital, o Regulamento (UE) 2025/327, relativo ao Espaço Europeu de Dados de Saúde, e o anteprojeto de lei de saúde digital.

Muñoz Montalvo destacou que os trabalhos que estão sendo realizados nessa área estão alinhados com a necessidade de que o Sistema Nacional de Saúde seja capaz de atender às necessidades atuais da população. Quarenta anos após a aprovação da Lei Geral de Saúde, como ele observou, a demanda é “muito maior”; a oferta, embora “haja mais profissionais do que nunca”, é “insuficiente” em alguns territórios; e o sistema, voltado para o tratamento de casos agudos, precisa se adaptar às doenças crônicas.

POSIÇÃO DA ESPANHA

O evento destacou o Regulamento do Espaço Europeu de Dados de Saúde, em vigor desde o ano passado, e sua implementação na Espanha. Esse Espaço, que busca promover o intercâmbio transfronteiriço seguro de dados, contempla o uso primário e secundário dos mesmos.

O uso primário tem como objetivo o atendimento médico direto a um paciente e abrange recursos como o prontuário eletrônico ou a receita eletrônica interoperável. O uso secundário diz respeito à utilização de dados armazenados e anonimizados de diferentes pacientes para fins de pesquisa e outros fins não relacionados ao motivo pelo qual foram coletados.

O secretário-geral de Saúde Digital, Informação e Inovação do SNS destacou que a Espanha está “muito avançada” no uso primário e, como exemplo, ressaltou que os cidadãos de 16 comunidades autônomas já podem viajar pela Europa e, caso procurem hospitais em países onde esse sistema já esteja implantado, os profissionais poderão acessar suas informações clínicas. O mesmo ocorre com os turistas desses países que se dirigirem a uma dessas comunidades autônomas.

Após reconhecer que ainda há trabalho a ser feito em alguns aspectos relacionados ao uso primário, como a integração da saúde privada, ele afirmou que onde a Espanha tem um “caminho mais longo” a percorrer é no uso secundário dos dados.

Nessa linha, o presidente da Fundação Instituto Roche, Patrick Wallach, destacou na abertura do encontro que a Espanha parte de uma posição de “liderança inquestionável” e se situa “na vanguarda” do uso primário dos dados na Europa, graças ao prontuário digital e ao cartão interoperável.

Para Wallach, o EEDS “pode ser mais do que uma evolução” e, especificamente, destacou que “pode ser uma revolução”, já que permitirá transformar os sistemas de saúde, a pesquisa de novos medicamentos, a vida dos pacientes e a competitividade europeia.

DESAFIOS NO USO PRIMÁRIO DE DADOS

Em uma primeira mesa redonda, diversos especialistas abordaram alguns dos desafios pendentes no uso primário de dados. O hematologista do Hospital Universitário de Salamanca, Jesús María Hernández, apontou a falta de interoperabilidade e homogeneidade nos dispositivos utilizados por cada comunidade autônoma — e até mesmo por diferentes hospitais dentro do mesmo território — para coletar os dados. Além disso, ele defendeu a criação de uma nova figura profissional responsável pelo gerenciamento de dados nos hospitais.

Por sua vez, María Torrente, responsável por Projetos Europeus e coordenadora do projeto “Share” no Serviço de Oncologia Médica do Hospital Universitário Puerta de Hierro, lamentou que o conhecimento sobre o EEDS seja “ainda rudimentar” entre os profissionais de saúde.

O regulamento europeu também prevê o direito da população de se recusar ao uso de seus dados. Para evitar que a maioria opte por essa alternativa, o diretor da Plataforma de Organizações de Pacientes (POP), Pedro Carrascal, insistiu na necessidade de transmitir “confiança”, e citou como exemplo dessa confiança o sistema espanhol de transplantes, no qual os doadores não têm dúvidas sobre o uso que será dado aos seus órgãos.

O IMPACTO NA SAÚDE DO USO SECUNDÁRIO

Uma segunda mesa de debate abordou o uso secundário dos dados, sobre o qual a comissária do PERTE para a Saúde de Vanguarda do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, Raquel Yotti, enfatizou seu “alto” impacto na saúde. “Não com o paciente que você tem agora à sua frente, mas sim com aqueles que você terá no futuro”, esclareceu ela.

Yotti explicou que os casos de uso do Espaço Nacional de Dados de Saúde estão gerando aprendizados em desafios de saúde pública, como a resistência antimicrobiana. Além disso, ela comentou que esse uso secundário tem impacto na “economia dos dados” e na “geração de valor”, bem como impacto “científico”.

Os participantes desse debate detalharam os desafios decorrentes do uso secundário dos dados. Entre eles, o pesquisador da Cátedra de Genoma Humano da Universidade do País Basco e membro do Conselho Diretor da Associação Espanhola de Direito Sanitário, Íñigo de Miguel, referiu-se à agilidade.

Conforme explicou, o pesquisador que desejar desenvolver um projeto terá que passar por um comitê de ética, pela Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (AEMPS), pela Agência Espanhola de Proteção de Dados e por outras entidades. “O pesquisador vai se divertir bastante, para falar a verdade”, ironizou ele, para reivindicar a coordenação entre os órgãos que permita evitar processos “redundantes”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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