Publicado 27/02/2026 10:19

O Ministério da Saúde considera “extremamente grave” que “duas forças” do Parlamento apostem em “lutar contra as políticas climática

O Ministério da Saúde considera “extremamente grave” que “duas forças” do Parlamento apostem em “lutar contra as políticas climáticas”.
ECODES

Mónica García afirmou que a Espanha é um dos países “mais vulneráveis” às alterações climáticas MADRID 27 fev. (EUROPA PRESS) -

A ministra da Saúde, Mónica García, classificou como “extremamente grave” o fato de haver “duas forças” no Parlamento que apostam em “lutar contra as políticas climáticas”, sobretudo porque a Espanha é um dos países “mais vulneráveis” às mudanças climáticas, como se viu recentemente com, entre outros exemplos, tempestades e incêndios.

O “negacionismo climático” está “cada vez mais presente em alguns programas políticos”, sublinhou García, que participou esta sexta-feira, no Ministério da Saúde, na jornada “Rumo a cidades mais habitáveis, equitativas e saudáveis”, organizada em colaboração com a Fundação Ecologia e Desenvolvimento (ECODES), “Clean Cities” e a empresa farmacêutica AstraZeneca. Os decálogos desses partidos políticos incluem “agir contra as políticas climáticas”, algo que ela reconheceu como “incrível” com “todas as evidências” existentes.

Aprofundando o tema central deste encontro, a titular da pasta da Saúde do Governo declarou que é necessário “tornar as cidades mais sustentáveis e habitáveis”, uma vez que a política visa uma “transformação mais saudável e equitativa”. Tudo isso em uma situação atual de “crise de saúde pública” devido às mudanças climáticas, que foi motivada, entre outras razões, pela “perda de diversidade” e pelo “aumento da poluição”.

“A poluição atmosférica” causa “30.000 mortes por ano” na Espanha e, no entanto, “é uma causa invisível de mortalidade”, continuou García, que acrescentou que é necessário “defender cidades mais saudáveis” diante disso. “Não estamos falando apenas de mortalidade, mas também do aumento das internações hospitalares por doenças crônicas e respiratórias”, afirmou, destacando alguns processos, como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), o AVC e o câncer. DETERMINANTES SOCIAIS E AMBIENTAIS

Além disso, a ministra da Saúde apontou que esta conjuntura tem um “impacto direto no desenvolvimento neurológico e acadêmico das crianças”, pelo que destacou que “a saúde ambiental é movida por determinantes sociais e pelo código postal”. “Não é a mesma coisa em todos os bairros”, assegurou, para destacar que “a maior parte da poluição é causada pela queima de combustíveis fósseis”, e que “essa acumulação de CO2 derivada é a causa das mudanças climáticas e de seu impacto na saúde”.

“Não há pessoas saudáveis em um planeta doente”, continuou García, acrescentando que “todos os avanços e transformações da sociedade, bem como os avanços na saúde pública, sempre geram debate”. No entanto, “precisamos de uma mudança nas estruturas de saúde pública”, insistiu, pois, “no século XXI, grande parte da saúde depende das energias renováveis e do desenho urbano das nossas cidades”.

Nesse contexto, a ministra, que valorizou o trabalho realizado por Vitoria (Álava), Valência e Barcelona, municípios que “apostaram na saúde dos cidadãos”, destacou que “o problema das cidades insustentáveis está associado ao problema da habitação”. Este “afeta de forma importante as famílias”, pelo que afirmou que a revolução urbana tem de ser feita com equidade e justiça social.

“Todos têm direito a áreas verdes, a que seus filhos tenham lazer saudável em seus bairros, a escolas com ar puro e limpo, a que os idosos possam desfrutar de sua cidade e não vivam isolados”, enfatizou García, que, para isso, reivindicou “vontade política e colaboração entre as administrações”. O diretor-geral de Saúde Pública, Pedro Gullón, referiu-se ao trabalho compartilhado entre ministérios. “Queremos que todos os documentos normativos tenham uma avaliação do impacto na saúde”, sublinhou Gullón, que apontou que o objetivo é que todas as pastas do Executivo possam realizar essa análise. Essa medida “nos permite estar no diálogo de todas as políticas para influenciar isso”, destacou, ao mesmo tempo em que lembrou que a mudança climática “está ocorrendo”. EVIDÊNCIA CIENTÍFICA DA MUDANÇA CLIMÁTICA

Na opinião deste responsável pela saúde, “o importante é saber como somos capazes de nos adaptar às mudanças que estão ocorrendo”. “Temos que trabalhar em planos de preparação”, insistiu, após o que também afirmou que existe “muita evidência científica” do “impacto” que a qualidade do ar “interior e exterior” tem.

Por outro lado, e deixando de lado as intervenções políticas nesta reunião, foram apresentados uma série de dados, como o fato de que as políticas ambientais e climáticas para proteger a saúde pública podem evitar a morte de mais de 70 pessoas por dia. Este dado, obtido pela Agência Europeia do Ambiente (AEMA), junta-se ao fato de que o custo equivalente é de 3,5% do PIB nacional.

Além disso, foi exposto que 65% da população sofre de sintomas relacionados à saúde respiratória, embora apenas 40% tenham sido diagnosticados. Além disso, um relatório da 'Clean Cities' sobre a poluição do ar em ambientes escolares mostra que 99% excedem os níveis de poluição estabelecidos para a Espanha pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Perante tudo isto, o diretor-geral da ECODES, Juan Ortiz, encorajou um “compromisso com o modelo de cidades saudáveis e equitativas”. Neste ponto, destacou a campanha “Clean Cities”, com a qual a AstraZeneca colabora e que visa promover cidades limpas, habitáveis e saudáveis. AMBIENTES URBANOS QUE PROTEGEM A SAÚDE

“Vivemos um momento especialmente crítico” em que “os efeitos da poluição são banalizados e, consequentemente, há medidas reacionárias que se opõem ao objetivo de cidades limpas e saudáveis”, lamenta Ortiz, que apontou que a aspiração é “generalizar ambientes urbanos que protejam nossa saúde”. Assim, entre outros aspectos, destacou a necessidade de espaços em que os doentes crónicos não vejam “a sua situação agravada”.

“Hoje, sabemos quais medidas funcionam”, por isso “contamos com as soluções”, continuou este representante da ECODES, que defende “priorizar” ações como incentivar o transporte público, acelerar a transição para veículos elétricos e impulsionar o uso da bicicleta. “Somos a primeira geração que pode aspirar a um futuro urbano com ar limpo”, enfatizou.

Nesta jornada, participaram também, entre outros, a primeira vice-prefeita e delegada da Fazenda, Economia e Emprego da Prefeitura de Córdoba, Blanca Torrent, em representação da plataforma “Ciudades que Inspiran” (Cidades que Inspiram); e o co-coordenador da “Clean Cities” (Cidades Limpas) na Espanha e responsável pelo Transporte e Mobilidade da ECODES, Cristian Quílez.

“A igualdade é a chave para a convivência”, afirmou Torrent, que destacou a construção de espaços verdes nos quais todos os cidadãos são “iguais”. Quílez, por sua vez, valorizou o trabalho desenvolvido para “maximizar o bem-estar das pessoas”. Para isso, este último apelou a uma mobilidade menos poluente e à “transformação” da forma de se deslocar. Por último, nesta reunião foram abordadas outras iniciativas, como as protagonizadas pela Comunidade #PorElClima, da própria ECODES, as investigações do IS Global e a Conferência Europeia de Saúde Pública (EPHC, pela sua sigla em inglês) 2026.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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