Publicado 04/02/2026 10:43

O Ministério da Saúde avaliará este ano a Estratégia contra o Câncer do Sistema Nacional de Saúde (SNS) para "detectar lacunas e ref

A ministra da Saúde, Mónica García, entrevistada ao lado da rainha Letizia Ortiz, no encerramento do evento da Associação Espanhola contra o Câncer (AECC), por ocasião do Dia Mundial contra o Câncer.
MINISTERIO DE SANIDAD

Mónica García defende a necessidade de um “sistema público de saúde forte” para enfrentar o câncer MADRID 4 fev. (EUROPA PRESS) -

O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira, no âmbito do Dia Mundial contra o Câncer, sua intenção de avaliar ao longo de 2026 a Estratégia contra o Câncer do Sistema Nacional de Saúde (SNS), aprovada em 2021, para “detectar lacunas e reforçar sua implementação”.

Em um comunicado, o Ministério da Saúde enfatizou que o combate ao câncer exige uma resposta que vai além do tratamento clínico. Por isso, realizou durante 2025 um estudo específico sobre o impacto laboral e social da doença, que será divulgado em breve. Além disso, destacou a elaboração e divulgação de novas Diretrizes de Comunicação em Oncologia. O Ministério também detalhou que está trabalhando no Documento de Desenvolvimento 2026-2030 da Estratégia de Cuidados Paliativos do SNS, que orientará as ações nessa área durante os próximos anos. O documento enfoca a identificação adequada de pessoas com necessidades paliativas, tanto adultos quanto menores, e a garantia de um atendimento integral, coordenado e de qualidade, centrado em aliviar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida nas fases avançadas da doença.

Por outro lado, analisou os trabalhos em andamento e outros pendentes para melhorar o atendimento ao câncer infantil e adolescente, que registra uma média de 1.000 casos por ano em menores de 15 anos e tem uma taxa de sobrevivência em cinco anos de 84%.

Entre as novas medidas, destacou-se o Plano de Acompanhamento Individualizado do Sobrevivente Pediátrico de Longo Prazo, aprovado pelo Conselho Interterritorial em 2025; um curso de formação para profissionais de Atenção Primária para melhorar a detecção precoce do câncer infantil; e a elaboração de protocolos clínicos para facilitar o diagnóstico precoce de tumores em adolescentes durante 2026.

“A LUTA CONTRA O CÂNCER NECESSITA DE UM SISTEMA DE SAÚDE PÚBLICO FORTE”

A ministra da Saúde, Mónica García, participou do evento organizado pela Associação Espanhola Contra o Câncer (AECC), que destacou a importância de oferecer atendimento integral e humanizado às pessoas com câncer, um contexto em que García defendeu a necessidade de um “sistema de saúde público forte” para lidar com a doença.

“Quero ser muito clara: a luta contra o câncer precisa de um sistema de saúde pública forte, com todos os elementos de que necessitamos, porque a primeira coisa que é afetada quando o nosso sistema de saúde pública é afetado é a prevenção e o acompanhamento dos pacientes”, explicou, garantindo que o sistema de saúde pública é um “seguro contra todos os riscos” face à doença “para todos”.

A este respeito, afirmou que o sistema de saúde público e a ciência são os que permitiram que, atualmente, quando se fala de cancro, se fale de histórias de sobrevivência, de cronicidade, de vidas que continuam.

Em sua intervenção, a ministra afirmou que a luta contra o câncer é um “desafio para o país” e destacou que as instituições têm que “dar certezas” e “informações verdadeiras” às pessoas e famílias “que passam por incertezas”. “Temos que iluminar esse caminho escuro”, sublinhou, aludindo também à importância de dar “certezas” num contexto marcado pela desinformação. García alertou que os desafios do câncer que a Espanha terá de enfrentar nos próximos anos são “enormes”. “Vamos nos deparar com um envelhecimento da população, com uma maior sobrevivência dos pacientes e com a cronicidade, felizmente, de muitos tumores, e isso vai colocar nosso sistema sob pressão, o que já está acontecendo”, explicou. Nesse ponto, ele defendeu a transformação do modelo atual, centrado exclusivamente na atenção aguda, em outro que acompanhe o paciente durante toda a vida. Além disso, destacou que a relação profissional-paciente é “a pedra angular” sobre a qual repousa todo o sistema de saúde, pelo que as instituições têm de trabalhar para que o tempo que os profissionais necessitam para investigar e se formar se traduza em “tempo de valor” para os pacientes.

Para terminar, enfatizou que o momento atual é “absolutamente emocionante” para a ciência e para a medicina, porque “se abriram as portas da esperança” graças ao desenvolvimento de novas terapias. Segundo afirmou, “a Espanha está em uma posição absolutamente privilegiada” nesse contexto, pois é o segundo país onde mais ensaios clínicos são realizados, algo que “deve ser cuidado”.

“Defender a ciência é decidir que um diagnóstico chegue a tempo e que, quando chegar, venha com todas as garantias de ser abordado da melhor maneira possível. Defender a ciência é fazer com que um rastreio funcione e que uma vacina proteja. Defender a ciência é investir hoje para que amanhã haja menos sofrimento, menos mortes evitáveis e mais anos de vida com qualidade”, destacou.

Nesse sentido, lembrou que a Espanha está trabalhando na Estratégia da Rede Europeia de Centros Integrados de Câncer, que reúne 163 entidades de 31 países, bem como no Plano de Terapias Avançadas, entre outras iniciativas. A título de conclusão, ele destacou que “falar de câncer é falar de responsabilidade pública, de ciência, de justiça social e de futuro. É conhecer a dureza de uma doença sem a amenizar, mas também afirmar que sabemos mais, que cada vez tratamos melhor e que cada vez chegamos mais cedo. É defender que a saúde pública é a melhor ferramenta que temos para não deixar ninguém para trás”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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