Publicado 16/07/2026 09:25

O Ministério da Saúde aprova um plano nacional contra as gripes de origem animal para reforçar a prevenção, a preparação e a respost

Archivo - Arquivo - Imagem de um javali.
JARC - Arquivo

MADRID 16 jul. (EUROPA PRESS) -

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira a aprovação do “Plano Nacional contra Infecções por Vírus da Gripe de Origem Zoonótica: Prevenção, Vigilância e Controle”, estratégia que visa reforçar a prevenção, a preparação e a resposta diante de gripes de origem animal.

Este documento, elaborado pela Comissão de Saúde Pública desse ministério, estabelece, assim, um marco comum de prevenção, vigilância, detecção precoce e resposta aos vírus da gripe que circulam entre animais e podem ser transmitidos às pessoas. Para isso, adota a abordagem “Uma Só Saúde” ou “One Health”, articulando uma resposta conjunta entre saúde humana, saúde animal e meio ambiente.

O objetivo, conforme exposto pelo Ministério da Saúde, é melhorar a coordenação entre os diferentes setores, tanto na administração federal quanto nas administrações estaduais e municipais, e garantir que as informações epidemiológicas, microbiológicas e ambientais estejam integradas, atualizadas e disponíveis para facilitar a adoção precoce de medidas de controle.

Este plano foi coordenado pelo Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias (CCAES) do Ministério e elaborado em conjunto com os Ministérios da Agricultura, Pesca e Alimentação, e para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico, bem como com o Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII), a Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição (AESAN) e outras unidades envolvidas na prevenção e gestão desses riscos.

FUNCIONAMENTO POR CENÁRIOS

Quanto às medidas previstas, destaca-se o funcionamento por cenários — especificamente quatro —, que permitem adaptar progressivamente as medidas à situação epidemiológica de cada território. Assim, o nível 0 corresponde a uma situação sem infecções detectadas em animais ou pessoas e concentra as ações ordinárias de prevenção, vigilância, capacitação e manutenção das capacidades diagnósticas.

Por sua vez, o nível 1 é ativado diante da detecção de focos em animais selvagens ou em cativeiro e distingue entre focos isolados em aves, focos múltiplos distribuídos por um território e detecções em mamíferos selvagens, enquanto o nível 2 agrupa os focos em animais domésticos e também diferencia entre casos isolados em aves, múltiplos e detecções em mamíferos domésticos. O nível 3, por fim, é aplicado quando se identifica uma infecção em seres humanos.

Com relação a esse último cenário, o Ministério da Saúde afirmou que se distingue entre os casos com exposição conhecida a animais ou ambientes contaminados, aqueles em que não se identifica uma exposição de risco e os associados ao contato com outra pessoa infectada, o que implicaria em uma possível transmissão interhumana limitada. De qualquer forma, esclareceu que os quatro níveis não são mutuamente exclusivos e poderão ser aplicados simultaneamente em um mesmo território, e cada comunidade autônoma realizará sua própria avaliação de risco para determinar as medidas necessárias em cada província, comunidade ou zona geográfica afetada.

Aprofundando a questão dos vírus da gripe de origem zoonótica e explicando que a transmissão para pessoas continua sendo pouco frequente e geralmente está ligada ao contato direto com animais infectados, suas secreções ou ambientes contaminados, ele expôs que a capacidade desses vírus de sofrer mutações e de trocar material genético torna necessário manter uma vigilância contínua, especialmente diante do aumento das detecções em diferentes espécies de mamíferos.

NOVO COMITÊ ESTADUAL PERMANENTE DE COORDENAÇÃO E ACOMPANHAMENTO

Por isso, essa estratégia também inclui a criação de um Comitê Estadual Permanente de Coordenação e Acompanhamento, presidido e coordenado tecnicamente pelo CCAES e encarregado de revisar as medidas de preparação e resposta, promover protocolos comuns, realizar avaliações conjuntas de risco e estudar o funcionamento do Plano. Assim, recomenda-se que as regiões constituam órgãos equivalentes para coordenar as ações nas áreas de saúde pública, saúde animal, meio ambiente, segurança alimentar e saúde ocupacional.

Nesse sentido, foi informado que esse órgão contará com representantes dos departamentos competentes em saúde pública, saúde animal, biodiversidade, segurança alimentar, saúde ocupacional, medicamentos e produtos de saúde, além de vigilância epidemiológica e microbiológica, bem como das comunidades autônomas, da Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP) e de especialistas.

“As medidas de saúde humana concentram-se especialmente nas pessoas que, devido à sua atividade profissional, possam estar em contato com animais infectados, suas secreções ou materiais contaminados, como funcionários de explorações pecuárias, profissionais veterinários, agentes ambientais ou funcionários de zoológicos”, continuou ele, acrescentando que as empresas “devem avaliar o risco, fornecer os equipamentos de proteção necessários e garantir a vigilância da saúde”.

Por sua vez, os serviços de prevenção de riscos ocupacionais “identificarão e acompanharão o pessoal exposto em caso de surtos em animais e, quando for o caso, poderão indicar testes de PCR, tratamento antiviral preventivo ou vacinação contra vírus zoonóticos”, explicou. Nesse contexto, este documento mantém a recomendação de vacinação contra a gripe sazonal para quem trabalha em contato direto com animais, com o objetivo de reduzir o risco de coinfecção por vírus da gripe humana e de origem animal.

Aprofundando, precisamente, no âmbito animal, o Ministério da Saúde destacou que essa estratégia reforça a vigilância em aves silvestres e domésticas e em mamíferos, bem como a análise genômica dos vírus para detectar mutações que possam aumentar sua capacidade de transmissão. Diante de focos em explorações, serão aplicadas medidas de biossegurança, controle de movimentação, confinamento e, quando for o caso, vacinação.

PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE

Em relação a parques e espaços urbanos ou periurbanos, foi declarado que serão estabelecidos protocolos para a remoção segura de animais doentes ou mortos, limpeza e desinfecção das áreas afetadas e informação à população. Além disso, a comunicação de riscos e a participação comunitária são incorporadas como um dos cinco componentes principais; para isso, será constituído um grupo interinstitucional de comunicação, serão disponibilizados sites com informações atualizadas e serão desenvolvidas campanhas voltadas tanto para a população em geral quanto para os setores profissionais com maior exposição.

“Também será realizado um monitoramento da mídia e das redes sociais para detectar e responder a boatos, conteúdos falsos ou informações não verificadas”, continuou ele, destacando que, em cenários de maior risco, “está prevista a designação de um porta-voz oficial, a atualização diária das informações e, quando necessário, a ativação de uma linha telefônica de atendimento ao cidadão”.

Por fim, e após indicar que o Comitê Estadual Permanente elaborará os indicadores que permitirão avaliar a preparação e a resposta, bem como o cumprimento do Plano em seus diversos componentes e nos âmbitos estadual e regional, o Ministério da Saúde lembrou que “no último ano foram detectados na Espanha mais de 150 focos de gripe aviária, a maioria em aves silvestres, embora também tenham sido registrados focos em aves de capoeira que obrigaram ao abate de milhares de animais”.

“Apesar do aumento da circulação do vírus entre as aves, a Espanha não registrou, até o momento, nenhum caso humano de gripe aviária”, destacou, no entanto, concluindo com a afirmação de que “no caso da gripe de origem suína, desde 2009 foram identificados na Espanha três casos humanos de infecção”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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