Alberto Ortega - Europa Press
MADRID, 23 jul. (EUROPA PRESS) -
O Ministério da Saúde publicou o relatório “Recomendações sanitárias em situações de incêndios florestais 2026”, no qual alerta para a elevada toxicidade das partículas PM2,5 geradas pela fumaça e para seus efeitos respiratórios, cardiovasculares e neurológicos.
De acordo com um estudo europeu citado no relatório, as partículas finas PM2,5 provenientes desses eventos podem apresentar uma toxicidade superior à de outras fontes de poluição, como o tráfego rodoviário, devido à sua composição química e ao seu elevado potencial oxidativo.
O relatório destaca que pequenos aumentos na concentração dessas partículas estão associados a um aumento da mortalidade geral de 0,7%, porcentagem que chega a 1,3% no caso das doenças respiratórias. Além dos efeitos já conhecidos sobre os sistemas respiratório e cardiovascular, o Ministério da Saúde alerta para outros riscos à saúde associados à exposição prolongada à fumaça de incêndios florestais.
O documento também analisa como a fumaça pode influenciar o sistema nervoso, uma vez que as partículas menores têm a capacidade de atingir o tecido cerebral. De acordo com as evidências científicas analisadas, essa exposição é estudada como um fator que poderia afetar a saúde neurológica ao longo dos anos, além de poder influenciar pontualmente a concentração e a atenção em adultos.
RECOMENDA O USO DE MÁSCARAS FFP2 OU N95
Trata-se do primeiro guia específico elaborado pelo Ministério para abordar os riscos à saúde associados a esses episódios. O documento técnico, coordenado pela Subdireção-Geral de Saúde Ambiental e Saúde Ocupacional, reúne diretrizes de prevenção e atuação diante de uma ameaça cuja periculosidade aumentou devido aos efeitos das mudanças climáticas.
O Ministério insiste na importância de se proteger adequadamente. Entre as principais recomendações estão permanecer em ambientes fechados com as janelas fechadas e usar máscaras FFP2 ou N95 em caso de exposição, uma vez que máscaras cirúrgicas, lenços ou cachecóis não oferecem proteção segura contra as partículas da fumaça.
Em relação à saúde materno-infantil, o documento destaca a existência de evidências consolidadas sobre o aumento do risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer em mulheres grávidas expostas à fumaça de incêndios florestais.
O texto também ressalta o perigo especial da combinação entre fumaça e temperaturas extremas, uma situação que aumenta o risco de erupções cutâneas causadas pelo calor, desmaios por desidratação e insolação. Este último constitui uma emergência médica grave, caracterizada por temperatura corporal superior a 40 °C, alterações neurológicas e alto risco de lesão multiorgânica.
VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA E DO BEM-ESTAR EMOCIONAL
No que diz respeito à água potável, o guia recomenda manter a vigilância quanto à possível presença de substâncias químicas ou metais que possam resultar do contato das cinzas e sedimentos com os sistemas de abastecimento de água. Recomenda-se atenção especial no caso de bebês, uma vez que um aumento pontual de certos componentes, como os nitratos, requer um acompanhamento específico para garantir seu bem-estar e assegurar que o transporte normal de oxigênio em seu organismo não seja alterado.
No âmbito psicológico, o relatório lembra que essas emergências podem gerar reações naturais de tristeza, ansiedade ou sentimentos de perda diante da mudança do ambiente e da paisagem. No caso da população infantil, é importante oferecer acompanhamento caso sejam detectadas mudanças em seu comportamento ou desempenho escolar, disponibilizar recursos para que possam processar a experiência vivida de maneira saudável e buscar apoio profissional se o mal-estar persistir.
RECOMENDAÇÕES DE PROTEÇÃO E PRIMEIROS SOCORROS
Entre as principais medidas de proteção em ambientes fechados, recomenda-se manter portas e janelas fechadas, evitar atividades que prejudiquem a qualidade do ar interno — como fumar ou usar aspiradores de pó — e limpar as cinzas com panos úmidos, evitando varrer para impedir a ressuspensão de partículas.
O guia inclui, além disso, orientações básicas de primeiros socorros em caso de queimaduras. Em casos leves, aconselha-se aplicar água fria corrente por um período de 20 a 30 minutos. Em queimaduras graves, recomenda-se não retirar as roupas grudadas na pele e cobrir a área com panos limpos e secos. O documento enfatiza que não se deve aplicar gelo, óleos, pomadas caseiras nem pasta de dente sobre as lesões.
Após a extinção do incêndio, recomenda-se não ventilar residências nem espaços fechados até receber orientações das autoridades competentes e tomar o máximo de precauções com alimentos e embalagens expostos à fumaça ou às cinzas. No caso de alimentos não embalados que tenham entrado em contato direto com esses elementos, o guia recomenda não consumi-los. Em produtos selados, como latas ou frascos, aconselha-se limpar adequadamente a parte externa da embalagem com água potável ou segura antes de abri-la.
Além disso, o Ministério da Saúde ressalta a importância de consultar regularmente o Índice de Qualidade do Ar (ICA) e os sites específicos das comunidades autônomas para tomar decisões informadas sobre a ventilação da casa ou a prática de atividades físicas.
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