Publicado 23/07/2026 13:16

O Ministério da Saúde alerta para o risco da elevada toxicidade das partículas PM2,5 geradas pelos incêndios florestais

Publica seu primeiro guia de recomendações sanitárias para esse tipo de incêndio

Um caminhão de bombeiros durante as operações de combate a um incêndio florestal, na rodovia M 206 entre Torrejón e Loeches, em 23 de julho de 2026, em Madri (Espanha). O tráfego em alta velocidade entre Madri e Barcelona foi restabelecido em
Alberto Ortega - Europa Press

MADRID, 23 jul. (EUROPA PRESS) -

O Ministério da Saúde publicou o relatório “Recomendações sanitárias em situações de incêndios florestais 2026”, no qual alerta para a elevada toxicidade das partículas PM2,5 geradas pela fumaça e para seus efeitos respiratórios, cardiovasculares e neurológicos.

De acordo com um estudo europeu citado no relatório, as partículas finas PM2,5 provenientes desses eventos podem apresentar uma toxicidade superior à de outras fontes de poluição, como o tráfego rodoviário, devido à sua composição química e ao seu elevado potencial oxidativo.

O relatório destaca que pequenos aumentos na concentração dessas partículas estão associados a um aumento da mortalidade geral de 0,7%, porcentagem que chega a 1,3% no caso das doenças respiratórias. Além dos efeitos já conhecidos sobre os sistemas respiratório e cardiovascular, o Ministério da Saúde alerta para outros riscos à saúde associados à exposição prolongada à fumaça de incêndios florestais.

O documento também analisa como a fumaça pode influenciar o sistema nervoso, uma vez que as partículas menores têm a capacidade de atingir o tecido cerebral. De acordo com as evidências científicas analisadas, essa exposição é estudada como um fator que poderia afetar a saúde neurológica ao longo dos anos, além de poder influenciar pontualmente a concentração e a atenção em adultos.

RECOMENDA O USO DE MÁSCARAS FFP2 OU N95

Trata-se do primeiro guia específico elaborado pelo Ministério para abordar os riscos à saúde associados a esses episódios. O documento técnico, coordenado pela Subdireção-Geral de Saúde Ambiental e Saúde Ocupacional, reúne diretrizes de prevenção e atuação diante de uma ameaça cuja periculosidade aumentou devido aos efeitos das mudanças climáticas.

O Ministério insiste na importância de se proteger adequadamente. Entre as principais recomendações estão permanecer em ambientes fechados com as janelas fechadas e usar máscaras FFP2 ou N95 em caso de exposição, uma vez que máscaras cirúrgicas, lenços ou cachecóis não oferecem proteção segura contra as partículas da fumaça.

Em relação à saúde materno-infantil, o documento destaca a existência de evidências consolidadas sobre o aumento do risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer em mulheres grávidas expostas à fumaça de incêndios florestais.

O texto também ressalta o perigo especial da combinação entre fumaça e temperaturas extremas, uma situação que aumenta o risco de erupções cutâneas causadas pelo calor, desmaios por desidratação e insolação. Este último constitui uma emergência médica grave, caracterizada por temperatura corporal superior a 40 °C, alterações neurológicas e alto risco de lesão multiorgânica.

VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA E DO BEM-ESTAR EMOCIONAL

No que diz respeito à água potável, o guia recomenda manter a vigilância quanto à possível presença de substâncias químicas ou metais que possam resultar do contato das cinzas e sedimentos com os sistemas de abastecimento de água. Recomenda-se atenção especial no caso de bebês, uma vez que um aumento pontual de certos componentes, como os nitratos, requer um acompanhamento específico para garantir seu bem-estar e assegurar que o transporte normal de oxigênio em seu organismo não seja alterado.

No âmbito psicológico, o relatório lembra que essas emergências podem gerar reações naturais de tristeza, ansiedade ou sentimentos de perda diante da mudança do ambiente e da paisagem. No caso da população infantil, é importante oferecer acompanhamento caso sejam detectadas mudanças em seu comportamento ou desempenho escolar, disponibilizar recursos para que possam processar a experiência vivida de maneira saudável e buscar apoio profissional se o mal-estar persistir.

RECOMENDAÇÕES DE PROTEÇÃO E PRIMEIROS SOCORROS

Entre as principais medidas de proteção em ambientes fechados, recomenda-se manter portas e janelas fechadas, evitar atividades que prejudiquem a qualidade do ar interno — como fumar ou usar aspiradores de pó — e limpar as cinzas com panos úmidos, evitando varrer para impedir a ressuspensão de partículas.

O guia inclui, além disso, orientações básicas de primeiros socorros em caso de queimaduras. Em casos leves, aconselha-se aplicar água fria corrente por um período de 20 a 30 minutos. Em queimaduras graves, recomenda-se não retirar as roupas grudadas na pele e cobrir a área com panos limpos e secos. O documento enfatiza que não se deve aplicar gelo, óleos, pomadas caseiras nem pasta de dente sobre as lesões.

Após a extinção do incêndio, recomenda-se não ventilar residências nem espaços fechados até receber orientações das autoridades competentes e tomar o máximo de precauções com alimentos e embalagens expostos à fumaça ou às cinzas. No caso de alimentos não embalados que tenham entrado em contato direto com esses elementos, o guia recomenda não consumi-los. Em produtos selados, como latas ou frascos, aconselha-se limpar adequadamente a parte externa da embalagem com água potável ou segura antes de abri-la.

Além disso, o Ministério da Saúde ressalta a importância de consultar regularmente o Índice de Qualidade do Ar (ICA) e os sites específicos das comunidades autônomas para tomar decisões informadas sobre a ventilação da casa ou a prática de atividades físicas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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