Publicado 27/06/2026 05:14

O Ministério da Saúde alerta sobre os efeitos da fumaça dos incêndios florestais e recomenda a proteção com máscaras FFP2 ou N95

Helicóptero durante um incêndio florestal, em 26 de junho de 2026, em Tiana, Barcelona, Catalunha (Espanha). O Corpo de Bombeiros da Generalitat recebeu a chamada às 10h45 e está atuando com 16 equipes terrestres e 6 aéreas, em uma área de combate de cerc
Kike Rincón - Europa Press

MADRID 27 jun. (EUROPA PRESS) -

O Ministério da Saúde publicou neste sábado um guia com recomendações sanitárias em relação aos incêndios florestais, no qual alerta para os efeitos da fumaça na saúde e recomenda o uso de máscaras FFP2 ou N95 para proteção em caso de exposição, esclarecendo que as máscaras cirúrgicas, lenços ou cachecóis não são adequadas.

O documento “Recomendações sanitárias em situações de incêndios florestais 2026” constitui o primeiro marco específico de diretrizes de prevenção e atuação diante dessa ameaça promovido pelo Ministério da Saúde, que enfatizou em um comunicado o aumento do risco de incêndios como consequência das mudanças climáticas.

O guia destaca os efeitos da fumaça dos incêndios florestais sobre a saúde. Em consonância com um estudo europeu, o documento detalha que as partículas finas PM2,5 provenientes desses eventos podem apresentar uma toxicidade superior à de outras fontes de poluição, como o tráfego rodoviário, devido à sua composição química e ao seu elevado potencial oxidativo.

Segundo o documento, pequenos aumentos na concentração dessas partículas estão associados a um aumento da mortalidade geral de 0,7%, um número que chega a 1,3% no caso das doenças respiratórias. Além dos efeitos já conhecidos sobre os sistemas respiratório e cardiovascular, o Ministério da Saúde destaca que a fumaça pode afetar o sistema nervoso e está sendo estudada como um fator que poderia prejudicar a saúde neurológica ao longo dos anos, além de poder influenciar pontualmente a concentração e a atenção em adultos.

COMBINAÇÃO ENTRE FUMO E TEMPERATURAS EXTREMAS

Por outro lado, o documento destaca o perigo especial da combinação entre fumaça e temperaturas extremas, uma situação que aumenta o risco de erupções cutâneas causadas pelo calor, desmaios por desidratação e insolação. Este último constitui uma emergência médica grave, caracterizada por temperatura corporal superior a 40 °C, alterações neurológicas e alto risco de dano multiorgânico.

Além disso, o documento enfoca a saúde materno-infantil para destacar as evidências existentes sobre o aumento do risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer em mulheres grávidas expostas à fumaça de incêndios florestais.

Entre outros assuntos, o guia aborda possíveis riscos relacionados à água potável, que pode ser afetada pela presença de substâncias químicas ou metais que poderiam resultar do contato das cinzas e sedimentos com os sistemas de abastecimento de água, por isso recomenda manter a vigilância.

Nesse sentido, recomenda-se atenção especial no caso de bebês, uma vez que um aumento pontual de certos componentes, como os nitratos, requer um acompanhamento específico para garantir seu bem-estar e assegurar que o transporte normal de oxigênio em seu organismo não seja alterado.

O Ministério explica que os incêndios podem gerar reações naturais de tristeza, ansiedade ou sentimentos de perda diante da mudança do ambiente e da paisagem. Com foco na população infantil, o Ministério recomenda oferecer acompanhamento caso sejam detectadas mudanças em seu comportamento ou desempenho escolar, disponibilizar recursos para que as crianças processem a experiência vivida de maneira saudável e buscar apoio profissional caso o mal-estar persista.

COMO AGIR EM CASO DE INCÊNDIO

O texto, coordenado pela Subdireção-Geral de Saúde Ambiental e Saúde Ocupacional do Ministério da Saúde, oferece uma série de orientações de atuação em caso de incêndio, começando pela proteção em ambientes internos com o fechamento de portas e janelas. Também recomenda evitar atividades que prejudiquem a qualidade do ar interno, como fumar ou usar aspiradores de pó, e limpar as cinzas com panos úmidos, evitando varrer para impedir a ressuspensão de partículas.

O guia inclui orientações básicas de primeiros socorros em caso de queimaduras. Em casos leves, aconselha-se aplicar água fria corrente por um período de 20 a 30 minutos. Em queimaduras graves, recomenda-se não retirar as roupas grudadas na pele e cobrir a área com panos limpos e secos. O documento enfatiza que não se deve aplicar gelo, óleos, pomadas caseiras nem pasta de dente sobre as lesões.

Uma vez extinto o incêndio, não é recomendável ventilar residências ou espaços fechados até receber orientações das autoridades competentes. Além disso, deve-se tomar o máximo de precauções com alimentos e embalagens expostos à fumaça ou às cinzas. No caso de alimentos não embalados que tenham entrado em contato direto com esses elementos, o guia recomenda não consumi-los. No caso de produtos selados, como latas ou frascos, recomenda-se limpar adequadamente a parte externa da embalagem com água potável ou segura antes de abri-la.

Da mesma forma, o Ministério da Saúde ressalta a importância de consultar regularmente o Índice de Qualidade do Ar (ICA) e os sites específicos das comunidades autônomas para tomar decisões informadas sobre a ventilação da casa ou a prática de atividades físicas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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