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MADRID 28 nov. (EUROPA PRESS) -
Um relatório preparado pelo Itersia-Centro de Psicoterapia com base em diferentes estudos mostra que as redes sociais e seus algoritmos, especialmente o conteúdo nocivo, têm um impacto sobre as pessoas mais vulneráveis e podem aumentar os transtornos alimentares (TA).
"Os TAs são transtornos mentais graves, com alta morbidade e mortalidade. O que vemos em consulta é que as redes sociais, e especialmente seus algoritmos, atuam como um acelerador do desconforto em pessoas vulneráveis", disse Sônia Jardí, psicóloga da Itersia.
Um dos estudos, publicado na revista 'Nutrients', mostrou que a baixa autoestima e a imagem corporal negativa são fatores-chave associados ao aumento do risco de DE, e que as redes sociais podem atuar como um "amplificador" desse risco.
Outro estudo, publicado na Frontiers in Public Health, sugere que a autoestima de adolescentes e adultos jovens pode ser afetada pelo uso das mídias sociais, levando à insatisfação corporal que pode resultar no aumento do uso dessas plataformas com acesso a conteúdo pró-anorexia e pró-bulimia, o que pode contribuir para o desenvolvimento desses distúrbios.
No caso da rede social TikTok, os pesquisadores analisaram mais de um milhão de vídeos, demonstrando que os algoritmos dos usuários com disfunção erétil oferecem a eles uma proporção "muito maior" de conteúdo sobre aparência, dietas, exercícios extremos e material "tóxico" relacionado à condição, em comparação com usuários saudáveis, e que esse viés do algoritmo está associado à maior gravidade dos sintomas.
"O problema não é mais apenas quais contas o usuário segue, mas o que o algoritmo escolhe para mostrar a ele. As pessoas com disfunção erétil acabam presas em bolhas de conteúdo que reforçam seus sintomas", acrescentou.
Entre as pesquisas analisadas, há outra que conclui que o tempo gasto nas redes sociais não é o que melhor prevê o risco, mas é precisamente o conteúdo, e que a exposição ao conteúdo de perda de peso está relacionada a uma menor apreciação do corpo, mais medo de avaliação negativa e comportamentos alimentares mais arriscados, enquanto o conteúdo "positivo" ou "neutro" não é claramente protetor.
"A combinação de vulnerabilidade anterior (baixa autoestima, perfeccionismo, histórico de bullying, etc.) com exposição maciça a conteúdo centrado no peso e no corpo e algoritmos que reforçam esse conteúdo aumenta a probabilidade de desenvolver ou cronificar um TA", acrescentou Jardí.
SINAIS DE ALERTA
Por outro lado, o psicólogo falou sobre os sinais de alerta desse tipo de transtorno, que incluem preocupação constante com o peso e o corpo; alimentação calórica ou "limpa"; dietas cada vez mais rigorosas, pular refeições ou inventar desculpas para não comer; compulsão alimentar e comportamentos compensatórios, como provocar o vômito; usar laxantes sem indicação médica; jejuns prolongados; ou exercícios excessivos.
Ela também chamou a atenção para "mudanças significativas de peso em um curto período de tempo, a necessidade de controlar tudo o que tem a ver com comida e uma autoestima que está intimamente ligada ao corpo e à balança".
Esse tipo de distúrbio pode levar a um "medo intenso" de ganhar peso, culpa ou vergonha depois de comer, ver-se como "gordo" mesmo que o peso seja normal ou baixo, irritabilidade, tristeza e uma tendência a se comparar com os outros nas redes.
Em nível comportamental, é comum que essas pessoas sempre queiram comer sozinhas, evitem refeições em família ou com amigos, vão ao banheiro logo após comer ou se tornem muito rígidas com horários e rituais ao comer; enquanto em nível físico, podem aparecer cansaço extremo, tontura, sensação de frio, queda de cabelo, alterações na menstruação, problemas dentários, entre outros.
"Cada mês de atraso no tratamento de um DE é um mês em que o distúrbio ganha terreno. A detecção precoce e o acesso rápido a recursos especializados fazem a diferença no prognóstico", concluiu Jardí.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático