MADRID, 30 jul. (EUROPA PRESS) -
A mídia marroquina atribuiu, nesta quinta-feira, às redes sociais a responsabilidade por orquestrar a travessia de jovens marroquinos para a cidade autônoma de Ceuta, em uma tentativa de desacreditar a imagem de Marrocos e apresentá-lo como um país de onde seus jovens estão em exodo e que é incapaz de controlar suas fronteiras, enquanto o país está imerso nas comemorações do 27º aniversário da entronização do rei Mohamed VI.
Em meio à crise migratória registrada nesta quinta-feira, quando milhares de pessoas, em sua maioria magrebinos, estão entrando em massa e sem controle em Ceuta pela praia e pela cerca do quebra-mar de El Tarajal, a mídia do país vizinho repercutiu a reação do governo da Espanha e o acordo com o Marrocos para a entrega “o mais rápido possível” de “todos” os migrantes que entraram ilegalmente em Ceuta, território que descrevem como “ocupado”.
Nesse contexto, eles destacaram a versão de Madri e Rabat de que a cooperação entre ambas as autoridades é exemplar e de que o Ministério do Interior aponta para redes de tráfico de migrantes que buscam fomentar os fluxos migratórios, especialmente de jovens, protegidos das chamadas “devoluções imediatas”.
MOVIMENTO ORGANIZADO PARA MANCHAR A IMAGEM DO REI E DO PAÍS
Sobre as causas da crise registrada em Ceuta, o jornal Alyaoum24 questiona se se trata de “uma simples nova onda de migração irregular, nem se resume a um grupo de jovens que decidiu, de repente e ao mesmo tempo, lançar-se ao mar em busca da outra margem”. “Quem está manipulando a mente dos jovens da região? E quem idealizou o comando à distância e a campanha digital com fins e objetivos perversos?”, enfatizou.
Apesar de reconhecer que há jovens “que sonham em emigrar e que existem fatores econômicos e psicológicos” que explicam esse fenômeno, o jornal ressalta que essa crise ocorre em plena comemoração do Dia do Trono, apontando que se trata de amplificar uma “narrativa digital” para divulgar uma imagem negativa de Marrocos e contrapor as conquistas do monarca marroquino com “cenas de jovens marroquinos nadando em direção à Ceuta ocupada”.
“Os vídeos se espalham rapidamente nas redes sociais, acompanhados de manchetes e comentários que apresentam a cena como um ‘êxodo em massa’ de Marrocos”, relata o jornal, para enfatizar que o objetivo é apresentar as imagens na cidade autônoma “como prova do fracasso de Marrocos ou da rejeição de sua juventude a essa realidade, e vinculá-las diretamente às comemorações nacionais”.
Na mesma linha, o jornal marroquino ‘Ajbarona’ aponta que a travessia em massa da fronteira, tanto a nado quanto a pé, foi organizada por meio de grupos no WhatsApp e “foi precedida por uma campanha de mobilização digital organizada”. “Foram observados movimentos e publicações suspeitas nas redes sociais, destinadas a mobilizar a população para uma tentativa de migração em massa”, relata.
O jornal destaca que o grupo em questão é administrado por um telefone com código de área argelino e que nele os jovens eram instados a se reunir em um local e em um horário determinado, com instruções detalhadas para cruzar a fronteira.
A mídia também sugere que a mobilização ocorreu por meio de grupos fechados no Facebook, que convocavam a preparação para a travessia e relembravam tentativas anteriores de fluxos em massa de jovens naquela passagem.
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