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MADRID 29 jun. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Medicina Laboratorial (SEMEDLAB) destacou o potencial das intervenções personalizadas na microbiota, o que é conhecido como microbiota de precisão, para revolucionar a medicina por meio do desenvolvimento de medicamentos a partir do próprio corpo, com aplicações na pesquisa para o tratamento do diabetes e da depressão, bem como na detecção de doenças intestinais.
O médico especialista em microbiologia e parasitologia e presidente da Comissão de Microbiologia da SEMEDLAB, Tomás García, e o membro da comissão de microbiologia da SEMEDLAB, Juan López, concordaram com a “mudança de paradigma” nessa área da medicina, que passou de considerar as bactérias intestinais como meros acompanhantes para entendê-las como “fábricas biológicas” e “peças-chave” da medicina personalizada, preditiva, preventiva, participativa e populacional, conhecida como “Medicina 5P”.
Dentro da microbiota de precisão, destacam-se os avanços na reprogramação de bactérias, área em que a medicina laboratorial trabalha para fazer com que esses microrganismos desempenhem funções específicas que o corpo perdeu, conforme detalhou o Dr. García Lozano no âmbito do Dia Mundial da Microbiota, comemorado no último dia 27 de junho.
Estudos realizados nessa linha analisam a capacidade de modificar bactérias comuns, como o ‘Lactobacillus casei’, para que atuem como veículos de transporte de proteínas terapêuticas. Os especialistas da SEMEDLAB destacaram uma pesquisa com camundongos que demonstrou “que é possível ingerir por via oral uma bactéria programada para inibir a miostatina, uma proteína que atua como freio natural do crescimento muscular”.
Outros estudos apresentaram resultados positivos em seres humanos, conseguindo reprogramar bactérias comensais para secretar o hormônio GLP-1 de forma constante no intestino. “Em seus modelos, isso não apenas reduziu a glicose em 30%, mas também induziu a formação de novas células produtoras de insulina no epitélio intestinal”, detalharam os especialistas.
Além disso, foram desenvolvidas bactérias capazes de atuar como sentinelas para detectar doenças intestinais. Essas bactérias “lembram” se encontraram inflamação no cólon e estão “detectando níveis de tiossulfato invisíveis aos exames padrão com uma precisão de 98%”, conforme apontou o presidente da Comissão de Microbiologia da SEMEDLAB.
Na área da saúde mental, alguns estudos conseguiram identificar cepas específicas cuja ausência está diretamente ligada à depressão maior. “As intervenções direcionadas a esse eixo estão alcançando taxas de remissão dos sintomas de 58%”, destacou.
A sociedade científica destacou a importância da integração da genética molecular, da bioquímica e da análise metagenômica, o que permite criar um “relógio biológico” preciso do paciente. Conforme explicaram, saber que um paciente tem predisposição genética à inflamação permite realizar uma intervenção de precisão em sua microbiota para “frear” seu envelhecimento. “É a união definitiva entre a genética com a qual nascemos e os micróbios com os quais convivemos”, concluíram.
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