MADRID 10 jun. (EUROPA PRESS) -
A empresa de tecnologia da saúde Philips realizou uma nova edição de seu relatório global “Philips Future Health Index”, que revelou que metade dos profissionais de saúde “afirma ter mais capacidade para atender pacientes, com uma média de oito pacientes a mais por semana, graças à inteligência artificial (IA)”.
Este estudo, realizado com base nas opiniões de mais de 2.000 profissionais de saúde e 20.000 pacientes de 10 países, concluiu, segundo a entidade, que a IA “já está economizando aos profissionais de saúde o equivalente a mais de 16 dias úteis por ano e os está ajudando a atender mais pacientes, embora os sistemas de saúde corram o risco de ficar para trás devido a uma formação inadequada e a uma infraestrutura fragmentada”.
Isso fica claro a partir dos dados coletados, que mostram que “os médicos afirmam que a IA lhes poupa tempo todas as semanas”, e é que “quase metade (46%) declarou uma economia de tempo de pelo menos 132 horas por ano, em média, o que equivale a mais de três semanas inteiras de trabalho”. Portanto, e conforme indicado pela Philips, essa inovação “já está remodelando ativamente a prestação de cuidados de saúde em direção a um modelo mais híbrido, baseado em equipes de atendimento ampliadas”.
De fato, o estudo revela que “quase dois terços (65%) dos profissionais clínicos aumentaram o uso das ferramentas de IA que lhes são fornecidas no trabalho”, com uma economia de tempo que “é reinvestida em trabalho clínico de maior valor e nas relações com os pacientes, o que muda de forma fundamental a maneira como a assistência é prestada”.
DIFERENÇA “TANGÍVEL” NA PRÁTICA CLÍNICA DIÁRIA
“O que é realmente encorajador é que a IA já está fazendo uma diferença tangível na prática clínica diária, tanto para os profissionais de saúde quanto para os pacientes”, afirmou o diretor de Inovação da empresa, Shez Partovi, que acrescentou que está se observando “como as pessoas economizam uma quantidade significativa de tempo, atendem mais pacientes e se sentem melhor no trabalho”.
Nesse sentido, ele explicou que essa ferramenta “está disponível para apoiar os profissionais de saúde, dando-lhes mais margem para se concentrarem no que mais importa: a tomada de decisões clínicas e o atendimento ao paciente”. “Ao mesmo tempo, vemos que muitos sistemas de saúde ainda se encontram em uma fase inicial de sua trajetória com a IA e que há muito trabalho pela frente em termos de infraestrutura e formação”, observou ele, no entanto.
Aprofundando os resultados do ‘Philips Future Health Index’, observa-se que “metade dos participantes” afirma “sentir menos estresse relacionado ao trabalho (49%)” e “dois terços (65%) relatam maior confiança na tomada de decisões”. Além disso, destaca que “39% já viram como a IA identificou ou evitou possíveis erros médicos pelo menos três vezes nos últimos três meses”.
“Os médicos estão começando a perceber a IA não como uma tecnologia abstrata, mas como algo que muda significativamente a segurança clínica”, observou a esse respeito a diretora de inovação do Colégio Americano de Cardiologia (ACC), a Dra. Ami Bhatt. No entanto, a Philips expôs que “a adoção da IA revelou deficiências na preparação das organizações”.
A INTEGRAÇÃO DESSA FERRAMENTA NA ATENÇÃO "CONTINUA SENDO COMPLEXA"
De fato, ela indicou que "alguns sistemas de saúde já estão obtendo benefícios significativos", mas "outros têm dificuldades para ir além dos programas-piloto". Por isso, declarou que “a integração da IA na assistência à saúde continua sendo complexa, especialmente quando os ambientes fragmentados de tecnologia da informação (TI) na área da saúde e a interoperabilidade limitada dificultam a implantação coerente da IA em todas as equipes e ambientes de atendimento”.
“Essas barreiras podem retardar a implementação e limitar a capacidade de escalar a IA de forma eficaz na prática”, continuou a entidade, cujo relatório mostra que “a maioria (59%) dos profissionais clínicos afirma que os responsáveis por sua organização estão tomando as medidas adequadas para implementar a IA”, mas que “o progresso desigual e a falta de treinamento revelam o potencial inexplorado”.
Assim, o relatório aponta que “sete em cada dez (70%) profissionais clínicos indicam que o treinamento é inadequado, inconsistente ou inexistente”. “As principais necessidades de treinamento incluem a verificação da precisão das recomendações da IA, o desenvolvimento de habilidades técnicas de navegação e a compreensão da responsabilidade legal”, resumiu a autora.
No entanto, este documento conclui que “a IA já está remodelando a assistência, mas sua adoção varia amplamente entre as organizações e os ambientes de atendimento”. Diante disso, aposta-se em “ampliar o acesso a ferramentas e formação adequadas, juntamente com uma liderança clínica sólida, uma governança clara e o apoio das organizações”.
Na Philips, acredita-se que isso “permitirá dedicar mais tempo ao atendimento ao paciente e a um trabalho clínico de maior valor”. “De fato, os profissionais de saúde estão trabalhando agora no limite de seu potencial: 82% esperam que suas funções evoluam para atividades de maior valor e 71% afirmam que a IA os ajudará a trabalhar no limite de suas capacidades”, assinalaram com base nos dados deste estudo.
VISÃO DOS PACIENTES
Por outro lado, o estudo também recolhe a opinião dos pacientes, já que “três quartos (74%) dos médicos relatam que os pacientes chegam às consultas informados pela IA e 63% deles consideram os pacientes informados como futuros membros essenciais de sua equipe híbrida ampliada”. “Mais da metade dos pacientes (56%) prevê que a IA os ajudará a desempenhar um papel mais ativo em seus cuidados no futuro”, mostra o estudo.
“A economia de tempo se traduz em algo mais do que eficiência operacional”, explicou a diretora médica da Philips, a Dra. Carla Goulart Peron, que aprofundou os resultados obtidos ao declarar que “metade dos profissionais de saúde entrevistados afirma sentir menos estresse e um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal”.
Em sua opinião, “os pacientes experimentam esses benefícios diretamente por meio de interações de maior qualidade, do atendimento que recebem durante as consultas e do tempo que os profissionais de saúde têm para ouvi-los”. “Como profissional de saúde, sei que a confiança se constrói por meio da conexão humana, e dedicar mais tempo a esses momentos beneficia a todos”, concluiu.
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