MADRID 11 fev. (EUROPA PRESS) - Metade das pessoas afetadas por cataratas em todo o mundo não tem acesso a cirurgia para tratar essa condição ocular, o que significa que cerca de 94 milhões de pessoas vivem atualmente com problemas de visão ou cegueira devido a cataratas, de acordo com um relatório elaborado em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
“A catarata é a opacidade do cristalino, a lente do olho, que se torna cada vez mais opaca e causa visão turva com o tempo. Sabemos que o tratamento é simples e consiste em uma cirurgia que dura 15 minutos. É uma das cirurgias mais frequentes em países de alta renda”, explicou em coletiva de imprensa o responsável técnico da OMS pelo cuidado dos olhos, deficiência visual e cegueira, Stuart Keel.
No entanto, a nova análise, publicada na revista The Lancet Global Health, alerta para a desigualdade no acesso a essa operação. Embora ao longo das duas últimas décadas o acesso à cirurgia tenha aumentado cerca de 15% e se preveja que a cobertura aumente 8,4% durante esta década, Keel afirmou que o progresso é “lento”.
O relatório, que analisa dados de 68 países, aponta que a África é a região mais afetada, pois três em cada quatro pessoas que precisam não podem ser operadas neste continente. “No Quênia, especificamente, com a taxa atual de cirurgias, 77% das pessoas que precisam de cirurgia de catarata morrerão com problemas de visão ou cegueira antes de poderem ter acesso à cirurgia”, apontou Keel como exemplo.
Também se observa uma disparidade entre os sexos que afeta as mulheres. De acordo com o documento, as mulheres são afetadas de forma desproporcional em todas as regiões, tendo sistematicamente menos acesso aos cuidados de saúde do que os homens.
Nesse contexto, a OMS instou os países a tomarem medidas e avançarem em direção à meta estabelecida em 2021, quando a Assembleia Mundial da Saúde estabeleceu a meta de aumentar em 30% a cobertura cirúrgica efetiva de catarata até 2030. “Os dados nos indicam que estamos avançando apenas a um terço do ritmo necessário para atingir essa meta”, afirmou Keel.
PONTOS A MELHORAR Stuart Keel detalhou os aspectos nos quais se deve concentrar a atenção, destacando entre eles o desenvolvimento e a formação dos profissionais de saúde para oferecer atendimento oftalmológico, além de garantir que eles estejam disponíveis em todo o país. “Atualmente, observamos uma grande concentração de serviços de atendimento oftalmológico prestados apenas em áreas urbanas”, destacou.
Apesar de ser uma das intervenções mais rentáveis, Keel indicou que o custo que os pacientes devem assumir pela cirurgia é uma das barreiras mais limitantes. "Portanto, é fundamental que os governos assumam uma maior responsabilidade pela cirurgia de catarata e a incluam nos pacotes de serviços de saúde e seguros", afirmou.
A este respeito, defendeu o estabelecimento de parcerias público-privadas para ampliar o acesso a este procedimento, especialmente em populações de alto risco, dado que atualmente a maioria dos serviços de cuidados oftalmológicos são prestados pelo setor privado.
Por último, destacou a necessidade de conscientizar a população sobre os riscos à visão, abordando assim "ideias errôneas comuns", como a de que a deterioração da visão é "uma parte normal" do envelhecimento, quando na verdade existem soluções eficazes e simples na maioria dos casos. COMO PREVENIR O RISCO DE CATARATA?
O especialista da OMS referiu que, entre os fatores de risco para as cataratas, se encontra o envelhecimento, que não pode ser controlado, e outros contra os quais a população pode agir, como a exposição prolongada à luz ultravioleta, o tabagismo, lesões oculares, doenças como a diabetes ou o uso prolongado de esteróides, entre outros.
Nesse sentido, ele incentivou a população a proteger sua visão da exposição aos raios ultravioleta através do uso de óculos de sol, chapéus e proteção ocular em geral. Além disso, ele pediu que as pessoas façam exames oftalmológicos periódicos, especialmente à medida que envelhecem. “Na maioria dos casos, muitos dos problemas de visão podem ser prevenidos se forem diagnosticados a tempo ou podem ser tratados com tratamentos muito eficazes (...) Portanto, é fundamental saber que essas condições são muito mais fáceis de tratar se forem detectadas a tempo”, destacou.
Questionado sobre o possível impacto das mudanças climáticas e da camada de ozônio no desenvolvimento de cataratas, Keel comentou que, considerando que a exposição aos raios UVB é um fator de risco comprovado, pode-se supor, sem ter dados a respeito, que em países e regiões com maior exposição a esses raios, haveria um risco maior de catarata precoce.
Quanto às alterações climáticas, ele observou que não há dados específicos que permitam afirmar que esse fenômeno esteja aumentando a prevalência de cataratas. No entanto, ele afirmou que alguns dados preliminares mostram que isso está causando complicações em certas doenças oculares, como infecções oculares e doenças da superfície ocular, não especificamente cataratas.
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