Publicado 25/08/2026 04:21

O Meta não coíbe a desinformação eleitoral nos anúncios do Facebook: permite anúncios que promovem golpes de Estado

8 de agosto de 2026: Nesta ilustração fotográfica, uma pessoa segura um smartphone que exibe o aplicativo do Facebook na App Store, em Nova Délhi, Índia, em 8 de agosto de 2026.
Europa Press/Contacto/David Talukdar

MADRID 25 ago. (Portaltic/EP) -

Uma investigação constatou que a Meta enfrenta problemas de moderação para conter a desinformação eleitoral compartilhada por meio de anúncios publicados no Facebook, permitindo que sejam compartilhados desde anúncios sobre fraudes eleitorais até anúncios que promovem um golpe de Estado militar, por meio de contas não verificadas.

Com o objetivo de investigar como o Facebook lida com a desinformação relacionada a eleições em sua publicidade, a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional realizou um experimento que consistiu em veicular anúncios “falsos” contendo esse tipo de desinformação.

Especificamente, esse experimento ocorreu às vésperas das eleições presidenciais no Brasil, previstas para 4 de outubro deste ano. Assim, aproveitaram esse cenário para tentar publicar um total de 15 anúncios falsos direcionados exclusivamente à população brasileira em idade eleitoral, que incluíam desde denúncias de fraudes eleitorais até formas de promover um golpe de Estado militar, com exceção de um com informação “neutra”.

Para que os anúncios se baseassem em narrativas eleitorais reais, a organização os elaborou com base em informações coletadas em conversas online e relacionadas à opinião pública em redes sociais como o Facebook e o X, entre janeiro e maio deste ano.

Como resultado, a Anistia Internacional informou que nenhum anúncio foi rejeitado. Oito deles foram aceitos diretamente para publicação no Facebook, enquanto os sete restantes foram marcados para verificação da identidade do anunciante, especificamente por serem considerados relacionados a temas sociais, eleições ou política, mas não por conterem diretamente desinformação eleitoral.

A Anistia garantiu que, por fazerem parte do experimento, os anúncios não chegaram a ser publicados. No entanto, eles serviram para evidenciar como o sistema de moderação da Meta não conseguiu detectar mais da metade dos anúncios relacionados à desinformação eleitoral.

Da mesma forma, isso também confirmou que a Meta “não está fazendo o suficiente para evitar que sua plataforma seja um vetor de desinformação, ao mesmo tempo em que continua obtendo lucros com os conteúdos e os sistemas de publicidade que possibilitam sua expansão”, como destacou a diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, em um comunicado.

ANÚNCIOS COM DESINFORMAÇÃO PUBLICADOS DE FORA DO BRASIL

Especificamente, esses anúncios falsos continham “informações errôneas” que violavam as políticas e as Normas da Comunidade da Meta. Ou seja, conteúdos imprecisos, falsos ou que contribuíssem para interferir no funcionamento dos processos políticos.

Por exemplo, utilizavam táticas para apoiar práticas autoritárias, como a deslegitimação eleitoral, com conteúdos que minam a confiança nas eleições, nos sistemas de votação ou nos resultados eleitorais. Também empregaram táticas como a “construção de um inimigo”, ou seja, apresentar os oponentes políticos e os tribunais como ameaças à nação.

Seguindo essa linha, a organização criou anúncios com autoritarismo centrado na segurança, nos quais a força, a intervenção do exército ou o autoritarismo são apresentados “como respostas necessárias à criminalidade ou à desordem política”.

Sete dos anúncios se concentraram em afirmações deliberadamente enganosas sobre os candidatos e as instituições eleitorais, nas quais se afirmava que certos candidatos estavam fraudando as eleições. Nos outros sete, optou-se por incluir informações que prejudicassem a capacidade das pessoas de votar, com detalhes incorretos sobre quando ou como votar.

Todos esses anúncios foram tentados publicar a partir de uma conta do Facebook sem identidade verificada. Portanto, a plataforma não tinha garantias sobre quem estava divulgando esses anúncios. Da mesma forma, a investigação foi conduzida a partir de Londres; por isso, a empresa permitiu a publicação de anúncios de fora do próprio país, sem que fosse necessário usar uma VPN para que parecessem ter sido publicados no Brasil. Isso apresenta riscos de segurança que poderiam ser explorados por atores estrangeiros.

Também é importante ressaltar que a veiculação dos anúncios foi permitida sem sequer indicar que eles se enquadravam nas “Categorias de assuntos especiais” do Facebook, conforme exige a lei eleitoral brasileira. Da mesma forma, também não foi incluída a etiqueta “Pago por”, conforme exige a Meta para conteúdos relacionados a eleições. Portanto, trata-se de anúncios que “o Facebook não deveria ter permitido sem verificação de identidade”.

“Esse descumprimento da obrigação legal de publicar as informações eleitorais exigidas e a veiculação dos anúncios de fora do Brasil suscitam sérias preocupações quanto ao risco de campanhas de desinformação, tanto por parte de agentes nacionais quanto internacionais, que possam interferir nos processos eleitorais, além de suscitar questionamentos mais amplos sobre os sistemas de moderação da Meta para identificar esses perigos”, afirmou a Anistia Internacional a esse respeito.

PEDIDOS À META

Com base nesses resultados e diante da aproximação das eleições no Brasil, a organização entrou em contato com a Meta solicitando que garanta que o Facebook disponha de recursos linguísticos adequados em português brasileiro para a moderação de conteúdos, incluindo a aprovação de anúncios, bem como que reforce sua capacidade de “identificar e responder a ameaças relacionadas às eleições”.

“A Meta ainda está a tempo de abordar com urgência os riscos apresentados por seus sistemas de moderação de anúncios e evitar que sua plataforma seja usada para divulgar desinformação perigosa”, concluiu Werneck, ao mesmo tempo em que garantiu que permitir que esse conteúdo “circulasse sem controle” poderia “confundir os eleitores, minar a confiança nos processos eleitorais e colocar em risco a capacidade das pessoas de exercerem de forma livre e significativa seu direito ao voto”.

É importante levar em conta que o sistema de revisão da Meta utiliza tecnologia de inteligência artificial (IA) para identificar proativamente o conteúdo de anúncios que possa violar suas políticas. Esse conteúdo também é revisado por pessoas e, quando uma violação é confirmada, o anúncio é removido, restrito ou rejeitado com base nas Normas da Comunidade.

Na prática, a investigação revela que os sistemas de moderação do Facebook não detectam de forma confiável esse conteúdo com desinformação sobre eleições. Isso ocorre apesar de, como apontou a Anistia Internacional, as empresas terem a responsabilidade de respeitar os direitos humanos e evitar “causar, contribuir ou estar diretamente ligadas a impactos adversos sobre os direitos humanos”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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