Publicado 26/08/2026 06:41

O Meta evitou ativar por padrão uma proteção para adolescentes no Instagram para não prejudicar as “métricas-chave”

Archivo - Arquivo - ARQUIVADO - 17 de maio de 2016, Renânia do Norte-Vestfália, Düsseldorf: O logotipo do Instagram é visto em um iPhone 6 da Apple. Foto: Rolf Vennenbernd/dpa
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MADRID 26 ago. (Portaltic/EP) -

A Meta se recusou a ativar por padrão o recurso “Dar um tempo” para adolescentes, disponível no Instagram, por temer prejudicar as “métricas-chave” do aplicativo em termos de tempo de uso e retenção de público, conforme testemunhou um ex-cientista de dados da empresa no julgamento da ação federal movida por dezenas de estados dos Estados Unidos.

No julgamento contra uma coalizão de estados americanos que acusam a Meta de manipular deliberadamente o design do Facebook e do Instagram para gerar dependência em menores, e que teve início em 17 de agosto, um ex-cientista de dados da empresa, George Volichenko, conforme relatado pelo site The Next Web, revelou que a Meta se recusou a ativar por padrão a função “Dar um tempo”, uma ferramenta destinada a interromper o uso passivo e impulsivo do “scroll infinito” do aplicativo por 10 minutos.

De acordo com o jornalista especializado em investigação jurídica e tecnológica da MLex, Mike Swift, que relatou o depoimento diretamente da sala de audiências e o divulgou no X (antigo Twitter), o principal motivo para a recusa dessa ativação é que ela prejudicaria métricas-chave, o que teria forçado a diretoria a dar explicações por uma queda nos números de uso do Instagram.

De fato, Volichenko, que trabalhou na equipe de Bem-Estar Mental do Instagram de abril de 2022 a fevereiro de 2023, testemunhou que, por ser um recurso opcional, apenas 0,165% dos adolescentes chegaram a ativá-la — um número que, segundo uma revisão posterior, subiu para 0,2%, conforme a Bloomberg.

Esses dados contrastam com as declarações de 2021 — quando o recurso foi lançado — do diretor do Instagram, Adam Mosseri, que afirmou no blog da empresa que mais de 90% dos jovens mantinham esse recurso ativado depois de configurá-lo. A realidade era que quase nenhum adolescente a ativava, para começar.

As declarações do ex-cientista de dados não param por aí: ao alertar sobre o baixo nível de adoção do recurso “Dar um tempo”, seus superiores responderam que ele não se preocupasse e que a existência da equipe de Segurança da Meta servia principalmente para proteger a empresa contra futuras ações judiciais.

A defesa da Meta, diante das declarações de Volichenko — que também afirmou ser normal marcar documentos confidenciais com o selo de “privilégio advogado-cliente” para que o público ou a justiça não pudessem acessá-los —, argumentou que, mesmo sendo uma porcentagem pequena, os 0,2% representam centenas de milhares de adolescentes.

A DECLARAÇÃO DE MOSSERI

Nesta terça-feira, também prestou depoimento na mesma audiência o primeiro executivo sênior da Meta. O diretor do Instagram, Adam Mosseri, afirmou, segundo citação da publicação de tecnologia Engadget, que era “algo novo para ele” que um advogado da empresa desse instruções para que fossem limitados os dados que os funcionários do Instagram poderiam apresentar ao executivo.

No julgamento, veio à tona que, em 2023, a Meta elaborou um relatório revelando que o conteúdo relacionado a suicídio, automutilação e distúrbios alimentares tinha um “público adolescente desproporcionalmente grande”, 2,5 vezes maior entre adolescentes do que entre adultos.

Além disso, o conteúdo considerado “não recomendado” para adolescentes estava sendo visualizado por eles a uma taxa 1,5 vez maior do que a dos adultos.

Além disso, um advogado da empresa solicitou expressamente aos funcionários da rede social que trabalhavam na apresentação de dados que removessem as estatísticas de visualização de conteúdo “não recomendado” para limitar a “exposição de Mosseri a essas informações”.

“Não sou especialista em questões jurídicas, portanto não tenho certeza de quais possam ser os motivos para remover informações das apresentações antes que elas cheguem até mim, mas não estou tentando incentivar minha equipe a esconder nada”, afirmou Mosseri, lembrando que “se houver implicações legais em determinado trabalho, os advogados revisam o material”.

Outro dos executivos, o diretor de Design de Produto do Instagram, Francesco Fogu, seguiu a estratégia de Mosseri de “fingir surpresa”, pois, segundo ele, nunca antes lhe haviam pedido para “ocultar dados da diretoria”.

Mosseri foi posteriormente questionado sobre o recurso “Dar um tempo”, sobre o qual declarou que “é um recurso com uma taxa de uso decepcionantemente baixa, que melhorou significativamente”.

Por fim, Fogu, durante o contra-interrogatório do advogado da Meta, destacou que, depois de ter sido autorizado a comunicar os dados aos líderes do Instagram — ainda que “verbalmente” —, essa apresentação foi um sucesso, pois serviu de catalisador para a criação das contas do Instagram para adolescentes.

Atualmente, o recurso “Dar um tempo” está ativado por padrão nas contas para adolescentes da Meta, como um lembrete que os incentiva a sair da rede social quando passam tempo demais nela.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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