Europa Press/Contacto/Bernd Elmenthaler
MADRID 7 set. (EUROPA PRESS) -
O chanceler alemão, Friedrich Merz, reconheceu nesta segunda-feira estar “chocado” com a vitória da extrema direita do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) na região da Saxônia-Anhalt, e, embora tenha afirmado aceitar o resultado das urnas, ressaltou que as instituições são estáveis e que os valores constitucionais alemães “não serão negociados”.
“Todos nós estamos profundamente chocados. Não esperávamos por isso dessa forma. É claro que temos que aceitar isso”, afirmou o líder da União Democrata Cristã (CDU) em uma coletiva de imprensa após a esmagadora vitória eleitoral da AfD no estado da Alemanha Oriental, o que coloca a extrema direita à beira de assumir o governo pela primeira vez desde 1945.
Embora tenha ressaltado que aceitar os resultados é a “própria essência da democracia”, Merz enfatizou que há coisas que não se submetem a votação, como “as normas de convivência e os valores da Constituição” alemã. Dessa forma, ele ressaltou que esses valores “não estão sujeitos a negociação por parte do Estado”.
“Em nosso país, o poder é concedido, não arrebatado, e a minoria não é inimiga da maioria”, declarou, para ressaltar que o Executivo federal zelará pelo cumprimento da Constituição alemã, em uma mensagem dirigida não apenas à população alemã, mas também aos parceiros europeus, após o alarme gerado pela vitória eleitoral da extrema direita.
“Sabemos que a Alemanha tem uma responsabilidade especial devido à sua história. Manteremos sempre nossa ordem política e nosso firme enraizamento na Europa”, acrescentou.
O chanceler alemão mostrou-se aberto à autocrítica, em meio ao desastre eleitoral da CDU no estado de [...], ao reconhecer que sua figura tem sido “um tema recorrente na campanha eleitoral” e, embora tenha defendido as reformas empreendidas por seu gabinete, admitiu que, em algumas ocasiões, elas não foram bem comunicadas à população.
“Sabemos que as reformas têm sido um tema recorrente nesta campanha eleitoral e continuarão sendo. Precisamos de reformas fundamentais na Alemanha”, ressaltou ele, para enfatizar que agora é hora de “não apenas justificá-las de forma racional, mas também transmiti-las de maneira emocional”. “Agora é uma tarefa comum à qual eu também me uno”, observou.
A CDU sofreu uma queda acentuada nas eleições deste domingo, ficando com 17,2% dos votos, com o apoio caindo para menos da metade dos 37,1% que lhe haviam garantido a vitória em 2021 naquele território.
REAÇÃO DE BRUXELAS
A Comissão Europeia, por sua vez, optou por não se pronunciar sobre o resultado eleitoral nem sobre o impacto que ele possa ter no restante da União Europeia.
“Nunca comentamos eleições nacionais ou regionais e não o faremos hoje”, afirmou a porta-voz do Executivo de Ursula von der Leyen, Paula Pinho, ao ser questionada sobre o assunto em uma coletiva de imprensa em Bruxelas.
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