MADRID 18 mar. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de cientistas da área de Câncer do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede (CIBERONC) identificou um possível biomarcador molecular capaz de prever a recidiva no tipo mais comum de câncer de endométrio, o carcinoma de endométrio de baixo grau, descoberta obtida por meio de um estudo colaborativo.
Segundo os pesquisadores, esse biomarcador é determinante para o manejo desse tipo de doença oncológica. Isso foi exposto neste trabalho, publicado na revista especializada 'International Journal of Gynecological Cancer', que revela que a presença de múltiplas cópias do gene MDM4 é um indicador confiável do risco de recidiva em pacientes com esse câncer e em estágios iniciais.
O câncer de endométrio é o tumor ginecológico mais frequente em países desenvolvidos, conforme indicado neste estudo, realizado por especialistas em Anatomia Patológica e Oncologia e coordenado pela pesquisadora do CIBERONC no Hospital Universitário Ramón y Cajal de Madri, a Dra. Belén Pérez-Mies. O estudo é fruto da tese de doutorado de Esther Moreno e contou com a colaboração de outros grupos deste CIBER, entre eles membros do Hospital Universitário La Paz, na capital da Espanha.
Esta pesquisa analisou o comportamento do gene MDM4, cuja função principal é inibir a proteína p53 (conhecida como a guardiã do genoma por sua capacidade de prevenir o câncer). “Quando o gene MDM4 se amplifica, a célula perde sua capacidade de controle, o que facilita que o tumor se torne mais agressivo e propenso a reaparecer”, explicou Pérez-Mies.
GEN MDM4
“Identificamos que a amplificação do gene MDM4 atua como um indicador de risco”, continuou ele, acrescentando que “foi detectada em 16,7% dos tumores analisados, mas sua presença foi drasticamente superior em pacientes que sofreram recidivas (28,9%) em comparação com aquelas que não sofreram (4,5%)”.
Na opinião dos especialistas, um aspecto fundamental para a prática clínica é a concordância de 100% encontrada entre a biópsia inicial e a cirurgia final, o que permite conhecer o perfil de risco da paciente de forma precoce, inclusive antes da cirurgia definitiva.
A detecção é realizada por meio da técnica “FISH”, ferramenta padronizada e disponível na maioria dos laboratórios de Patologia, o que garante uma implementação simples e imediata nos hospitais para melhorar o manejo personalizado da doença.
Essa descoberta é especialmente relevante para as pacientes do grupo molecular denominado “NSMP” (Perfil Molecular Não Específico), o mais numeroso e difícil de classificar até o momento. “Ser capaz de identificar antecipadamente essas pacientes de alto risco nos permite ser mais proativos”, afirmou a equipe de pesquisa.
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