Publicado 18/08/2026 10:04

A Medicusmundi alerta que os profissionais de saúde que atuam no surto de ebola na RDC estão extremamente expostos ao risco de contá

A Medicusmundi alerta que os profissionais de saúde que atuam no surto de ebola na RDC estão extremamente expostos ao risco de contágio
MEDICUSMUNDI

MADRID 18 ago. (EUROPA PRESS) -

O representante da ONG Medicusmundi na República Democrática do Congo (RDC), François Zioko Mbenza, destacou que os profissionais de saúde que estão combatendo o surto de ebola neste país africano “estão na linha de frente, mas extremamente expostos ao contágio”.

“Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que é necessário triplicar a capacidade de tratamento e rastrear 95% dos contatos para conter a transmissão, nos centros de saúde locais faltam Equipamentos de Proteção Individual (EPI), alvejante, cloro e até mesmo água corrente”, destacou, acrescentando que “houve alguma capacitação e distribuição de material, mas em quantidades mínimas”.

Zioko Mbenza, que ressaltou que “a proporção de enfermeiros e agentes comunitários capacitados continua alarmantemente baixa”, indicou que essa crise foi classificada como ‘Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional’ (ESPII), com mais de 4.400 casos confirmados e 2.325 mortes até 17 de agosto. Além disso, ele afirmou que “em Alto Uele, a epidemia foi declarada com atraso devido à demora no recebimento dos resultados laboratoriais”.

“Em locais como Pawa, a taxa de letalidade ultrapassa 82%” e “em Isiro ou Wamba, os centros de saúde estão sobrecarregados por um fluxo incessante de doentes que chegam, principalmente das pedreiras informais, como a PK 51 ou Niana”, continuou ele, acrescentando que “eles chegam sem recursos, exaustos, e ficam totalmente a cargo de famílias de acolhimento que já vivem em condições de extrema precariedade”.

Esse surto, causado pelo vírus de Bundibugyo — para o qual não há vacina aprovada, tratamento específico nem terapia antiviral —, só pode ser tratado por meio de isolamento rigoroso, reidratação e cuidados paliativos ou de suporte. Embora o risco global continue baixo, esta “é uma emergência regional grave, altamente letal e com um risco enorme de propagação transfronteiriça para Uganda, Sudão do Sul ou República Centro-Africana”, explicou.

DESCONFIANÇA DA POPULAÇÃO

“Quando uma comunidade inteira compreende que o acesso a um centro de saúde não garante uma cura farmacológica, surge a desconfiança”, continuou ele, ao mesmo tempo em que declarou que “muitos preferem recorrer a poções e decocções tradicionais”. “O resultado é trágico: dezenas de pessoas morrem em suas próprias casas, escondidas pelo medo ou pelo estigma, transformadas em focos invisíveis de contágio”, lamenta.

Diante disso, a Medicusmundi tem em andamento projetos com monitores agrícolas (MONAGRI) — assistentes da Faculdade de Agronomia da Universidade de Uélé — e redes de estudantes e agentes comunitários (RECO). Além disso, no Alto Uele, a organização acompanha mais de 2.500 famílias camponesas e apoia estudantes em situação de vulnerabilidade em projetos de soberania alimentar.

Por fim, ele aprofundou a discussão sobre a ajuda internacional, aspecto sobre o qual indicou que “os poucos parceiros internacionais que chegaram a Alto Uele buscam, ao mesmo tempo, se estabelecer e apoiar a resposta”, enquanto a ONG que ele representa tem “a vantagem de conhecer e estruturar o sistema de saúde local a partir da base”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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