MI-VIRI/ ISTOCK - Arquivo
MADRID 23 set. (EUROPA PRESS) -
Os médicos internistas destacaram que um dos desafios atuais em relação à sarcoidose é diferenciá-la de certas imunodeficiências, com as quais ela pode ser confundida, a fim de evitar tratamentos inadequados.
“A sarcoidose não é o que parece. Os avanços da medicina estão permitindo identificar pacientes que antes eram diagnosticados com sarcoidose, mas que, na verdade, apresentam doenças subjacentes diferentes, especialmente certas imunodeficiências”, explicou Marta Dafne, especialista em Medicina Interna do Hospital Universitário e Politécnico La Fe, de Valência.
Durante a XIX Reunião do Grupo de Doenças Autoimunes Sistêmicas (GEAS), que será realizada nos dias 24 e 25 de setembro em Madri, serão abordadas as imunodeficiências que podem se manifestar com um quadro clínico semelhante ao da sarcoidose, e será enfatizado que reconhecer esses casos é fundamental, uma vez que o tratamento da sarcoidose e de outras doenças, como as imunodeficiências, é completamente diferente.
A sarcoidose é uma doença inflamatória que se desenvolve quando os linfócitos e outras células do sistema imunológico apresentam alterações, proliferam e se acumulam nos gânglios linfáticos, formando granulomas, que se acumulam em diversos órgãos do corpo, especialmente nos pulmões, no fígado, na pele, nos olhos e em outros tecidos.
Na Espanha, estima-se que a prevalência da sarcoidose esteja entre 10 e 20 casos para cada 100.000 habitantes. Essa doença pode se manifestar por sintomas inespecíficos, como cansaço intenso, febre, dificuldade para respirar, dor no peito ou dor ao respirar.
Segundo os especialistas, essa falta de especificidade torna o diagnóstico complexo e, muitas vezes, acarreta um atraso no diagnóstico que, atualmente, pode variar de vários meses a vários anos, especialmente nas formas extrapulmonares ou atípicas.
Um dos principais desafios atuais consiste em diferenciar a sarcoidose de outras doenças que apresentam manifestações semelhantes, especialmente a tuberculose, outras doenças granulomatosas de origem infecciosa, determinadas doenças autoimunes e algumas imunodeficiências primárias.
O diagnóstico da sarcoidose baseia-se na suspeita clínica, nos exames de imagem e na confirmação por meio de biópsia, sempre após descartar outras doenças capazes de produzir um quadro semelhante, especificamente infecções como a tuberculose.
Quando houver suspeita de imunodeficiência, o estudo deve ser complementado com exames funcionais do sistema imunológico e, quando indicado, com exames genéticos que permitam confirmar o diagnóstico.
TRATAMENTO DA SARCOIDOSE E DAS IMUNODEFICIÊNCIAS
O tratamento da sarcoidose baseia-se em medicamentos imunossupressores, com os corticosteroides como primeira linha e, nos casos refratários ou corticodependentes, o metotrexato ou outros imunomoduladores e, inclusive, as terapias biológicas, com o objetivo de controlar a inflamação granulomatosa.
Por isso, os especialistas afirmam que é fundamental confirmar o diagnóstico antes de iniciar o tratamento: se o quadro corresponder, na verdade, a uma imunodeficiência primária, esses mesmos medicamentos podem agravá-la ao enfraquecer ainda mais um sistema imunológico já comprometido.
“É fundamental suspeitar de uma imunodeficiência quando há dados clínicos que não se encaixam em uma sarcoidose típica ou quando a evolução da doença se mostra atípica. A história clínica detalhada, os antecedentes pessoais e familiares e determinadas características da doença podem apontar para esse diagnóstico”, afirma Cabañero.
Os médicos internistas destacam que, em uma imunodeficiência primária, por outro lado, a abordagem é radicalmente diferente: em vez de inibir a resposta imunológica, o objetivo é reforçá-la ou corrigir o defeito de base. Dependendo da alteração específica, isso pode incluir tratamento substitutivo com imunoglobulinas, terapias biológicas direcionadas à via imunológica alterada e, em casos selecionados, o transplante de células-tronco hematopoiéticas.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático