GETTY IMAGES/ISTOCKPHOTO / ARTFULLY79 - Arquivo
MADRID, 20 mar. (EUROPA PRESS) -
Médicos residentes de família e jovens da Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária (semFYC) defenderam a promoção de hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis a partir dos consultórios de Atenção Primária.
Por ocasião do Dia Mundial Sem Carne, eles relembram a importância de refletir sobre os padrões alimentares e seu impacto tanto na saúde individual quanto no meio ambiente. Assim, eles apontam que, em países com economias avançadas, o padrão de consumo atual, caracterizado pelo excesso de produtos ultraprocessados e pelo elevado consumo de alimentos de origem animal — principalmente carne vermelha processada —, está relacionado a um maior risco de doenças crônicas e a uma pressão crescente sobre os recursos naturais.
Por sua vez, destacam que a produção alimentar contribui para as mudanças climáticas, o que também repercute na estabilidade do próprio sistema alimentar, um impacto que se tentou quantificar por meio de indicadores como a pegada de carbono ou a pegada hídrica alimentar.
"A forma como nos alimentamos nos conecta direta e inevitavelmente com a natureza. Não se trata apenas de quanto comemos, mas do que comemos e de como é produzido”, explica Paula Bellido Izquierdo, membro da semFYC e uma das autoras do artigo “Nutrição com visão de saúde planetária: estratégias para a atenção primária”, publicado na revista “Atenção Primária”.
“As evidências científicas indicam que o atual modelo alimentar influencia tanto a saúde das pessoas quanto a do planeta. A partir da medicina de família, podemos acompanhar a população em direção a mudanças progressivas e realistas que tenham um impacto positivo em ambas as dimensões”, acrescenta.
UMA ÚNICA SAÚDE, UMA ABORDAGEM INTEGRAL
Desde o início do século, a Organização Mundial da Saúde promove o conceito de “Uma Única Saúde” (“One Health”), que entende a saúde humana, animal e ambiental como um sistema interdependente. Nesse contexto, os médicos indicam que dietas baseadas principalmente em produtos de origem vegetal, como a dieta planetária, se apresentam como uma alternativa que pode contribuir tanto para melhorar os indicadores de saúde quanto para reduzir a pressão ambiental.
Além disso, observam que o modelo de produção baseado na pecuária intensiva e o uso crescente de antibióticos em animais não apenas facilitam a proliferação de doenças infecciosas, mas também podem contribuir para o desenvolvimento de resistências aos antibióticos e favorecer a proliferação de novas pandemias, um dos desafios mais relevantes para a saúde pública atual.
Nesse contexto, eles afirmam que a Atenção Primária ocupa uma posição estratégica para promover recomendações adaptadas a cada paciente. “A continuidade do atendimento e a relação de confiança facilitam a adoção de hábitos que podem ser mantidos ao longo do tempo e ajustados às particularidades culturais, econômicas e de saúde de cada pessoa”, destacam.
“Promover mudanças na alimentação não significa impor restrições drásticas, mas acompanhar as pessoas com alternativas saudáveis e sustentáveis que possam integrar em sua vida cotidiana. Cada passo em direção a padrões alimentares mais equilibrados contribui para a saúde individual e do planeta, e a partir da Atenção Primária podemos ser uma referência para orientar essas transformações”, conclui Bellido.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático