MADRID 21 abr. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Reabilitação e Medicina Física (SERMEF) pediu a criação de mais serviços de reabilitação vestibular e o reforço da formação específica para o tratamento de pacientes com vertigem, um problema que afeta cerca de 5% das pessoas a cada ano e que, ao longo da vida, pode atingir até quatro em cada dez.
Por ocasião do Dia Internacional do Vértigo, comemorado nesta quarta-feira, a SERMEF alertou que as pessoas com essa condição “não são levadas a sério”, sendo que ela se torna mais comum com o avanço da idade e entre as mulheres, além de representar entre 3% e 5% das consultas médicas.
“Chama-se vertigem à sensação de que estamos nos movendo quando, na verdade, não estamos. É uma ilusão de movimento que surge ao realizar movimentos da cabeça, principalmente rotatórios, mas também pode se manifestar como uma sensação de desequilíbrio ao caminhar ou de que o ambiente gira, podendo causar vômitos, náuseas e mal-estar”, explicou a médica reabilitadora formada em reabilitação vestibular da SERMEF, Laura Fons.
A especialista detalhou as diferenças entre tontura e vertigem, explicando que a primeira “é um termo geral de instabilidade”, enquanto a segunda “implica uma origem periférica no aparelho vestibular ou central, como no cerebelo ou no tronco cerebral” e “surge quando o sistema nervoso central recebe sinais assimétricos, criando uma percepção anômala de movimento”.
Quanto às causas, o vértigo central tem várias, como o AVC, embora ela tenha precisado que “o mais frequente” é a origem periférica, como o vértigo posicional paroxístico benigno (VPPB), a neurite vestibular, a doença de Ménière ou a enxaqueca vestibular.
TRATAMENTO
Fons explicou que os médicos reabilitadores especializados em reabilitação vestibular elaboram planos de tratamento personalizados baseados em exercícios que promovem a plasticidade neuronal e trabalham a habituação, a adaptação e a compensação.
“Isso inclui manobras de reposicionamento, exercícios visuais, de substituição, habituação e controle postural, indicados para pacientes com distúrbios do equilíbrio, especialmente crônicos, sendo imprescindível o envolvimento do paciente”, observou ele, precisando que o que é feito no consultório deve ser continuado em casa.
Quanto à inovação empregada neste campo, destacou o papel da realidade virtual imersiva, que “utiliza dispositivos que criam ambientes tridimensionais onde o paciente realiza exercícios na forma de jogos com feedback em tempo real, permitindo uma exposição progressiva a estímulos desencadeadores em um ambiente seguro”.
A especialista destacou que essa ferramenta, complementar à reabilitação tradicional, permite monitorar o progresso e personalizar o tratamento, além de contribuir para melhorar a adesão, os sintomas e o acompanhamento do paciente. No entanto, lamentou sua escassa implantação no Sistema Nacional de Saúde.
“Uma avaliação inicial adequada, juntamente com um plano precoce e personalizado, previne a cronicidade, a perda de qualidade de vida e comorbidades como transtornos de humor, isolamento ou quedas”, concluiu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático