MADRID 8 jun. (EUROPA PRESS) -
O médico especialista em reabilitação da Sociedade Espanhola de Reabilitação e Medicina Física (SERMEF), Joel Cuesta, alertou sobre o risco de lesões associado aos jogos de futebol amadores quando praticados sem preparação física ou aquecimento prévio.
Por ocasião da Copa do Mundo da FIFA 2026, a SERMEF alerta que haverá mais jogos de futebol nessas datas, o que aumentará o risco de entorses, lesões musculares, lesões no joelho, pubalgia ou lesões no tendão de Aquiles quando se joga sem preparação física adequada nem aquecimento correto.
"A Copa do Mundo de 2026 não será disputada apenas nos estádios dos Estados Unidos, México e Canadá. Também será disputada em campos de bairro, quadras municipais, torneios corporativos e partidas amadoras de fim de semana”, indicou Cuesta durante o 64º Congresso da SERMEF em Barcelona.
“O problema surge quando a motivação vem sem uma preparação física adequada”, explicou o médico fisioterapeuta. "Muitas pessoas voltam a jogar depois de semanas ou meses sem exercício regular, sem aquecimento adequado e com uma condição física que nem sempre acompanha. O futebol é divertido e saudável, mas também exigente e prejudicial”, ressaltou; por isso, acrescentou que “a mensagem não é parar de jogar”, mas “não passar do sofá para a corrida”.
Nesse sentido, Cuesta destacou que os jogadores de elite são o melhor lembrete de que o futebol “exige muito do corpo”. Assim, ele citou a pubalgia de Nico Williams; as dores na região púbica de Lamine Yamal e sua lesão em abril de 2026 no bíceps femoral esquerdo; a artroscopia de Gavi em setembro de 2025 devido a uma lesão meniscal; as lesões de Pedri, Dani Olmo e Marc Bernal, e a ruptura de Dani Carvajal em outubro de 2024 do ligamento cruzado anterior, do ligamento colateral externo e do tendão poplíteo.
“Não se trata de comparar uma partida amadora com um jogo profissional”, esclareceu, ao mesmo tempo em que detalhou que “se jogadores profissionais que treinam diariamente, com médicos e fisioterapeutas, se lesionam, uma pessoa que trabalha sentada a semana toda e quer jogar sem preparação corre ainda mais risco de se lesionar”.
LESÕES, ERROS E SINAIS DE ALERTA
O especialista da SERMEF destacou que uma partida amadora compartilha com a elite “acelerações, giros, desacelerações, mudanças de ritmo, saltos, chutes e entradas”. Entre as lesões mais frequentes, ele destacou a entorse de tornozelo, causada por “apoio incorreto, queda, golpe direto ou torção brusca”, e alertou que “se houver dor, inflamação ou sensação de instabilidade, continuar jogando pode agravar a lesão”.
Também são comuns “lesões musculares nos isquiotibiais, quadríceps, tríceps sural ou adutores”, após “um sprint, uma mudança de ritmo ou uma batida brusca”. “A típica pontada na parte posterior da coxa, no tríceps sural ou na região medial não deve ser ignorada”, destacou.
“O joelho é outra das grandes vítimas”, alertou Cuesta: “Uma torção, uma queda mal executada ou uma mudança de direção mal controlada podem afetar o menisco ou os ligamentos”. Os sinais para parar são “inchaço rápido, bloqueio ou instabilidade, dor intensa ou impossibilidade de apoiar o pé”. A isso se somam “a temida pubalgia”, causada por carga ou esforços excessivos não controlados, e os problemas no tendão de Aquiles, “com dor e limitação ao correr ou saltar”.
Nesse contexto, o médico especialista em Medicina Física e Reabilitação insistiu que “o esportista amador costuma consultar quando já não consegue mais jogar, mas muitas lesões dão sinais antes. É importante não normalizar esses sintomas”.
ERROS, PREVENÇÃO E CONSULTA
Entre os erros mais frequentes, o médico reabilitador destacou “não treinar durante a semana”, “não fazer aquecimento”, “jogar no máximo desde o primeiro minuto”, “continuar com dor” e “não adaptar o calçado”. “O corpo não se prepara em cinco minutos” e “aquecer não é correr 200 metros ou dar dois chutes a gol”, enfatizou.
Ele também alertou que, em muitas partidas amadoras, “passa-se de ficar sentado a semana toda para disputar cada bola como se fosse uma final”. Ele diferenciou “a fadiga normal” de sinais como “uma pontada, claudicação, falha no joelho ou tornozelo”. “O orgulho de terminar a partida pode sair caro. Parar a tempo muitas vezes evita lesões mais graves”, afirmou.
Sobre o calçado, ele lembrou que “não é a mesma coisa jogar em grama artificial, terra, pista ou grama natural” e que “chuteiras inadequadas podem causar escorregões, entorses ou sobrecargas musculares”.
“A prevenção começa antes da partida”, afirmou Cuesta, que acrescentou que o ideal é chegar com “uma base mínima de atividade física durante a semana: caminhar, correr de forma progressiva, trabalhar a força e manter certa mobilidade”, “aumentar a carga aos poucos”, jogar menos minutos, dosificar os esforços, descansar e evitar competir várias vezes por semana sem preparação.
PARAR SE HOUVER DOR
Se surgir dor, a primeira recomendação é “parar”, aconselha o especialista. “Se houver pontada muscular, dor intensa, inflamação, instabilidade, bloqueio, claudicação ou dificuldade para apoiar o pé, o mais prudente é abandonar a partida e observar a evolução”, recomendou o especialista.
Nas primeiras horas, pode ajudar “o repouso relativo, não absoluto, aplicar frio local de forma controlada se houver inflamação e evitar grandes esforços”. Não é aconselhável “se automedicar, tentar ver se passa ou voltar ao campo no dia seguinte como se nada tivesse acontecido”, ressalta o especialista.
“Não queremos que as pessoas deixem de jogar futebol. Queremos que joguem com mais segurança, com menos lesões e entendendo que uma partida amadora também exige cuidar do corpo”, concluiu Cuesta.
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