Marcos Moreno - Europa Press
MADRID 25 set. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Medicina Preventiva, Saúde Pública e Gestão Sanitária (SEMPSPGS) solicitou um reforço urgente e extraordinário de profissionais de saúde em Ceuta, uma vigilância epidemiológica robusta e a melhoria das condições de acolhimento dos migrantes, a fim de dar resposta e minimizar os riscos à saúde.
O pedido foi feito após a sociedade ter manifestado sua preocupação com a situação sanitária e humanitária na cidade autônoma, que considera um “acontecimento de especial relevância para a saúde pública”, dadas suas dimensões, intensidade e repercussão sobre os recursos sanitários, assistenciais e sociais.
A SEMPSPGS destacou que proteger a saúde da população migrante permite salvaguardar a saúde coletiva. Assim, além do reforço dos recursos de saúde — com ênfase especial em medicina preventiva e saúde pública, Atenção Primária, Emergências, medicina interna, pediatria, enfermagem, radiodiagnóstico e laboratório clínico —, solicitou a criação de equipes móveis de vigilância epidemiológica.
Além disso, solicitou que todas as pessoas migrantes sejam identificadas e que sejam elaborados censos operacionais que permitam garantir o acompanhamento de saúde, a vacinação e a continuidade do atendimento, com atenção especial a menores de idade, mulheres grávidas e pessoas vulneráveis.
Paralelamente, destacou a importância de garantir condições adequadas de acolhimento, assegurando o acesso à água potável, saneamento, higiene pessoal e alimentação. Também solicitou o estabelecimento de circuitos diferenciados para a população especialmente vulnerável.
No que diz respeito à vigilância epidemiológica, defendeu sistemas específicos de detecção precoce de surtos, triagem clínica inicial de sintomas compatíveis com doenças transmissíveis prioritárias, acompanhamento sistemático de indicadores epidemiológicos e de assistência médica e reforço da coordenação com o Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias (CCAES), o Ministério da Saúde e as autoridades locais.
Por sua vez, instou à promoção de uma estratégia integral de vacinação para completar os calendários de vacinação e manter campanhas contra doenças preveníveis por imunização, independentemente da situação administrativa; e solicitou que se dedique atenção às pessoas com doenças crônicas, facilitando a continuidade terapêutica, bem como o apoio psicossocial e à saúde mental.
“A experiência internacional demonstra que as ações precoces de saúde pública, o registro adequado das pessoas afetadas, condições dignas de acolhimento e uma vigilância epidemiológica robusta são as ferramentas mais eficazes para prevenir crises sanitárias de maior magnitude”, destacou a SEMPSPGS.
AMEAÇAS IDENTIFICADAS
A sociedade científica avaliou as principais ameaças identificadas até o momento do ponto de vista epidemiológico. Nesse sentido, apontou para um aumento do risco de doenças transmissíveis associadas à superlotação e a condições higiênico-sanitárias precárias.
Além disso, mencionou surtos de doenças gastrointestinais de transmissão fecal-oral, a circulação de doenças evitáveis por meio da vacinação e um aumento significativo de ectoparasitose e dermatoses transmissíveis, especialmente sarna, pediculose e dermatomicose.
Entre as ameaças identificadas, ele também destacou o risco de interrupção de tratamentos em pacientes com doenças crônicas, bem como o risco de lesões traumáticas decorrentes de incidentes violentos, incêndios ou situações de conflito em assentamentos precários.
Nesse contexto, alertou para a sobrecarga nos serviços de Atenção Primária (AP), Pronto-Socorro, laboratórios clínicos, radiodiagnóstico e serviços hospitalares.
AÇÕES REALIZADAS
A SEMPSPGS alertou que a elevada mobilidade da população afetada, a ausência de um registro nominal consolidado e a permanência de milhares de pessoas fora dos centros oficiais de acolhimento dificultam as atividades de vigilância epidemiológica, prevenção e continuidade do atendimento.
Mesmo assim, destacou que o “excelente” trabalho dos profissionais de saúde de Ceuta, do Instituto Nacional de Gestão Sanitária (INGESA), da Cruz Vermelha, da Médicos do Mundo e das demais organizações envolvidas “permitiu conter e gerenciar situações de elevada complexidade em condições especialmente difíceis”.
Entre as ações epidemiológicas realizadas, os médicos de prevenção destacaram a investigação e o controle de um surto de infecção gastrointestinal com dezenas de casos, a vigilância epidemiológica ativa de doenças transmissíveis, a detecção e o acompanhamento de um surto de varicela e a realização de uma campanha extraordinária de vacinação voltada para a população migrante.
Nesse sentido, destacou-se a administração de vacinas contra difteria-tétano (dT), poliomielite, sarampo-rubéola-zona e varicela, a investigação epidemiológica de um caso de mpox, a avaliação da vacinação de contatos e o reforço das atividades de prevenção e controle de infecções em centros de acolhimento.
SITUAÇÃO ATUAL DO RISCO DE SAÚDE
Para os especialistas, a avaliação técnica disponível permite considerar que o risco de transmissão de doenças infecciosas dentro dos assentamentos organizados é “moderado”, desde que sejam mantidas condições adequadas de higiene, alimentação, vigilância sanitária e acesso a atendimento médico.
No entanto, eles afirmaram que o risco aumenta significativamente em áreas com superlotação, população não registrada e acesso insuficiente à água, saneamento e serviços básicos.
Quanto ao risco para a população residente em Ceuta, afirmaram que ele continua sendo “baixo”, embora tenham ressaltado que, se a situação se prolongar e houver falta de coordenação de recursos, o cenário poderá mudar no futuro.
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