Publicado 25/09/2026 06:48

Médicos especialistas em medicina preventiva exigem o reforço da equipe de saúde e uma vigilância epidemiológica robusta em Ceuta

Vários migrantes acampados na praia do Trampolín, em 23 de setembro de 2026, em Ceuta (Espanha). Embarcações do Serviço de Salvamento Marítimo trabalharam nesta quarta-feira na reparação de danos detectados na barreira inflável instalada no ento
Marcos Moreno - Europa Press

MADRID 25 set. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Medicina Preventiva, Saúde Pública e Gestão Sanitária (SEMPSPGS) solicitou um reforço urgente e extraordinário de profissionais de saúde em Ceuta, uma vigilância epidemiológica robusta e a melhoria das condições de acolhimento dos migrantes, a fim de dar resposta e minimizar os riscos à saúde.

O pedido foi feito após a sociedade ter manifestado sua preocupação com a situação sanitária e humanitária na cidade autônoma, que considera um “acontecimento de especial relevância para a saúde pública”, dadas suas dimensões, intensidade e repercussão sobre os recursos sanitários, assistenciais e sociais.

A SEMPSPGS destacou que proteger a saúde da população migrante permite salvaguardar a saúde coletiva. Assim, além do reforço dos recursos de saúde — com ênfase especial em medicina preventiva e saúde pública, Atenção Primária, Emergências, medicina interna, pediatria, enfermagem, radiodiagnóstico e laboratório clínico —, solicitou a criação de equipes móveis de vigilância epidemiológica.

Além disso, solicitou que todas as pessoas migrantes sejam identificadas e que sejam elaborados censos operacionais que permitam garantir o acompanhamento de saúde, a vacinação e a continuidade do atendimento, com atenção especial a menores de idade, mulheres grávidas e pessoas vulneráveis.

Paralelamente, destacou a importância de garantir condições adequadas de acolhimento, assegurando o acesso à água potável, saneamento, higiene pessoal e alimentação. Também solicitou o estabelecimento de circuitos diferenciados para a população especialmente vulnerável.

No que diz respeito à vigilância epidemiológica, defendeu sistemas específicos de detecção precoce de surtos, triagem clínica inicial de sintomas compatíveis com doenças transmissíveis prioritárias, acompanhamento sistemático de indicadores epidemiológicos e de assistência médica e reforço da coordenação com o Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias (CCAES), o Ministério da Saúde e as autoridades locais.

Por sua vez, instou à promoção de uma estratégia integral de vacinação para completar os calendários de vacinação e manter campanhas contra doenças preveníveis por imunização, independentemente da situação administrativa; e solicitou que se dedique atenção às pessoas com doenças crônicas, facilitando a continuidade terapêutica, bem como o apoio psicossocial e à saúde mental.

“A experiência internacional demonstra que as ações precoces de saúde pública, o registro adequado das pessoas afetadas, condições dignas de acolhimento e uma vigilância epidemiológica robusta são as ferramentas mais eficazes para prevenir crises sanitárias de maior magnitude”, destacou a SEMPSPGS.

AMEAÇAS IDENTIFICADAS

A sociedade científica avaliou as principais ameaças identificadas até o momento do ponto de vista epidemiológico. Nesse sentido, apontou para um aumento do risco de doenças transmissíveis associadas à superlotação e a condições higiênico-sanitárias precárias.

Além disso, mencionou surtos de doenças gastrointestinais de transmissão fecal-oral, a circulação de doenças evitáveis por meio da vacinação e um aumento significativo de ectoparasitose e dermatoses transmissíveis, especialmente sarna, pediculose e dermatomicose.

Entre as ameaças identificadas, ele também destacou o risco de interrupção de tratamentos em pacientes com doenças crônicas, bem como o risco de lesões traumáticas decorrentes de incidentes violentos, incêndios ou situações de conflito em assentamentos precários.

Nesse contexto, alertou para a sobrecarga nos serviços de Atenção Primária (AP), Pronto-Socorro, laboratórios clínicos, radiodiagnóstico e serviços hospitalares.

AÇÕES REALIZADAS

A SEMPSPGS alertou que a elevada mobilidade da população afetada, a ausência de um registro nominal consolidado e a permanência de milhares de pessoas fora dos centros oficiais de acolhimento dificultam as atividades de vigilância epidemiológica, prevenção e continuidade do atendimento.

Mesmo assim, destacou que o “excelente” trabalho dos profissionais de saúde de Ceuta, do Instituto Nacional de Gestão Sanitária (INGESA), da Cruz Vermelha, da Médicos do Mundo e das demais organizações envolvidas “permitiu conter e gerenciar situações de elevada complexidade em condições especialmente difíceis”.

Entre as ações epidemiológicas realizadas, os médicos de prevenção destacaram a investigação e o controle de um surto de infecção gastrointestinal com dezenas de casos, a vigilância epidemiológica ativa de doenças transmissíveis, a detecção e o acompanhamento de um surto de varicela e a realização de uma campanha extraordinária de vacinação voltada para a população migrante.

Nesse sentido, destacou-se a administração de vacinas contra difteria-tétano (dT), poliomielite, sarampo-rubéola-zona e varicela, a investigação epidemiológica de um caso de mpox, a avaliação da vacinação de contatos e o reforço das atividades de prevenção e controle de infecções em centros de acolhimento.

SITUAÇÃO ATUAL DO RISCO DE SAÚDE

Para os especialistas, a avaliação técnica disponível permite considerar que o risco de transmissão de doenças infecciosas dentro dos assentamentos organizados é “moderado”, desde que sejam mantidas condições adequadas de higiene, alimentação, vigilância sanitária e acesso a atendimento médico.

No entanto, eles afirmaram que o risco aumenta significativamente em áreas com superlotação, população não registrada e acesso insuficiente à água, saneamento e serviços básicos.

Quanto ao risco para a população residente em Ceuta, afirmaram que ele continua sendo “baixo”, embora tenham ressaltado que, se a situação se prolongar e houver falta de coordenação de recursos, o cenário poderá mudar no futuro.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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