Publicado 19/03/2025 09:11

Médicos entregam mais de 180.000 assinaturas na quinta-feira no Departamento de Saúde contra os plantões de 24 horas

Imagem da reunião entre Mónica García e Tamara Contreras.
CHANGE.ORG

MADRID 19 mar. (EUROPA PRESS) -

A intensivista Tamara Contreras, promotora do movimento Change.org 'No podemos más', registrará nesta quinta-feira no Ministério da Saúde mais de 183.000 assinaturas para solicitar o fim dos plantões médicos de 24 horas.

Há um ano, Contreras registrou as assinaturas que havia coletado até o momento no Ministério e foi recebida pela Ministra da Saúde, Mónica García. Naquela reunião, lembra Contreras, García prometeu acabar com os plantões médicos de 24 horas e estabelecer, no mínimo, plantões de 17 horas.

"Do Ministério da Saúde, estamos totalmente comprometidos com essa medida, sabendo que é uma medida complexa que exige uma reestruturação do nosso Sistema Nacional de Saúde (NHS)", disse García.

Agora, Contreras denuncia que esse compromisso "não foi cumprido de forma alguma". "É por isso que voltarei a Madri amanhã. Desta vez, registrarei 180.000 assinaturas no Ministério da Saúde e estarei acompanhado de outros cinco médicos que apoiam essa campanha", enfatizou.

Assim, na petição no Change.org, o médico denuncia a situação de "fadiga extrema" com que os profissionais estão trabalhando na Espanha, "colocando em risco a vida dos pacientes".

"Meu nome é Tamara e trabalho na UTI de um hospital. Hoje estive de plantão, fiquei acordada por 20 horas, 18 delas trabalhando. Fiquei exausta e com náuseas o dia todo. O dia está ensolarado, mas só consigo pensar em minha cama. Minhas filhas sentem falta da mãe, elas dizem que estou sempre cansada", diz Contreras na petição.

Nesse ponto, o médico alega que, devido à fadiga acumulada, os médicos cometem "erros mais graves" quando estão em turnos de 24 horas e "mais erros de diagnóstico". "Ficamos mais lentos para tomar decisões, não conseguimos reagir tão bem. E isso piora o atendimento que nossos pacientes recebem. E isso afeta nossas vidas, porque nos sentimos exaustos, temos problemas de sono, não conseguimos dormir e isso afeta nossa saúde mental", diz ele.

JORNADA DE TRABALHO MÁXIMA DE 12 HORAS

Em sua petição, Contreras propõe um máximo de 12 horas de plantões médicos, algo que "o Reino Unido já implementou há algum tempo", lembra ela, ressaltando que "a Suíça, a Holanda, a França e a Islândia também acabaram com os plantões de 24 horas".

"Enquanto isso, na Espanha, continuamos como há 50 anos, com um modelo arcaico que põe em risco a segurança do paciente e dos próprios médicos", denuncia a médica.

Ela também garante que a modificação "não deve levar a uma redução nos salários dos trabalhadores da saúde". "Atualmente, uma porcentagem muito grande do salário de um médico vem do plantão. É por isso que, mesmo entre os próprios médicos, há colegas que defendem a manutenção desse sistema. Mas, colegas, contentar-se com isso não é a solução. Temos que exigir que nosso salário continue sendo digno, sem que tenhamos que abrir mão de fazer nosso trabalho em plena capacidade", argumenta.

Por fim, Contreras pede ao Ministro da Saúde que "cumpra e reaja" a essa situação. "É urgente pôr fim a esse sistema, que é prejudicial a todos", conclui.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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