Publicado 11/06/2026 09:24

Médicos alertam para o risco de normalizar o uso de anabolizantes e dietas hiperproteicas para ganhar massa muscular

Rodrigo Santos Santamarta, membro do Grupo de Trabalho de Medicina Esportiva da SEMG, em coletiva de imprensa em Oviedo.
SEMG

OVIEDO 11 jun. (EUROPA PRESS) -

O consumo de esteróides anabolizantes fora do âmbito médico e do fisiculturismo profissional preocupa cada vez mais os médicos de família, que alertam para sua crescente disseminação entre jovens e usuários recreativos de academias, impulsionada pela pressão estética e pelas redes sociais.

Isso ficará evidente no 32º Congresso Nacional da Sociedade Espanhola de Médicos Gerais e de Família (SEMG), que está sendo realizado em Oviedo nestes dias, onde será abordado o impacto dessas práticas nas consultas de Atenção Primária.

O Dr. Rodrigo Santos Santamarta, membro do Grupo de Trabalho de Medicina Esportiva da SEMG, destacou que o uso de anabolizantes “já não se limita ao fisiculturista clássico”, mas atinge jovens do sexo masculino, frequentadores de academia e até mesmo mulheres que buscam mudanças físicas rápidas e percebem essas substâncias como algo “normalizado”, apesar dos riscos.

Nesse sentido, ele alertou para a normalização de “atalhos farmacológicos” em detrimento de hábitos saudáveis, em um contexto em que as redes sociais e os influenciadores geram expectativas pouco realistas sobre o corpo e o desempenho físico.

Entre as complicações associadas ao consumo sem indicação médica, os especialistas destacam hipertensão, alterações no colesterol, danos hepáticos, infertilidade, disfunção sexual, acne grave ou ginecomastia, bem como um maior risco a longo prazo de doenças cardiovasculares, miocardiopatias ou eventos trombóticos em pessoas jovens.

Além disso, os médicos alertam para efeitos sobre a saúde mental, como irritabilidade, ansiedade, impulsividade, distúrbios do sono, sintomas depressivos ou dependência psicológica ligada à imagem corporal.

A SEMG também ressalta a dificuldade de detecção em consulta, já que muitos pacientes não reconhecem o consumo e procuram atendimento por sintomas aparentemente desconexos, como acne grave, hipertensão em jovens ou problemas hormonais. Por isso, recomendam aos profissionais que perguntem de forma direta e sem julgamentos sobre o uso de substâncias para melhorar o desempenho ou a composição corporal.

Juntamente com os anabolizantes, os especialistas alertam para o uso indiscriminado de dietas hiperproteicas e suplementos esportivos. Embora reconheçam sua utilidade em contextos específicos, insistem que “nem tudo vale” e que o excesso ou o uso descontrolado pode levar a dietas desequilibradas.

Na população ativa, a ingestão de proteínas costuma situar-se entre 1,2 e 2 gramas por quilo de peso por dia, mas lembram que o desenvolvimento muscular depende também de um treinamento adequado, do descanso e de uma alimentação equilibrada. “O uso de anabolizantes sem indicação médica não é uma estratégia de saúde, mas um comportamento de risco”, concluem os especialistas da SEMG.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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