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MADRID 2 mar. (EUROPA PRESS) - A coordenadora do grupo de trabalho sobre obesidade e sarcopenia da Sociedade Espanhola de Reabilitação e Medicina Física (SERMEF), Marta Supervía, destacou que o sucesso do tratamento da obesidade vai além da perda de peso, que é um objetivo “relevante”, mas não “exclusivo” nem “prioritário”, uma vez que também devem ser consideradas variáveis como capacidade física, dor, autonomia, qualidade de vida e risco de complicações. “A abordagem do paciente com obesidade na Medicina Física e Reabilitação transcende a simples redução de peso. Embora a perda de peso possa fazer parte do plano terapêutico, o foco prioritário é a melhoria da função, a saúde global e a prevenção da incapacidade”, explicou no âmbito do Dia Mundial da Obesidade, comemorado nesta quarta-feira.
Para Supervía, a obesidade deve ser abordada como uma “doença crônica, complexa e multifatorial” que requer uma resposta sanitária integral como “condição médica”. Isso permite reduzir o estigma, melhorar a relação terapêutica e priorizar a melhora funcional, a qualidade de vida e a prevenção da incapacidade “além do peso na balança”.
Nesse contexto, a profissional destacou o papel da medicina de reabilitação, uma especialidade que trabalha para melhorar a capacidade funcional, reduzir a dor e a sobrecarga mecânica, otimizar a mobilidade e a autonomia, preservar e melhorar a massa e a função muscular para evitar fragilidade e sarcopenia, prevenir incapacidade e dependência, otimizar resultados cirúrgicos e favorecer a adesão terapêutica a longo prazo.
IMPACTO DA OBESIDADE A médica adjunta especialista do Serviço de Reabilitação do Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón explicou que a obesidade afeta a mobilidade e a marcha, reduzindo a velocidade e a resistência e aumentando o custo energético; na resistência cardiorrespiratória, com menor capacidade aeróbica, maior percepção de esforço e dispneia precoce.
Além disso, acrescentou que esta doença repercute no equilíbrio e no risco de quedas, em relação a alterações posturais e obesidade sarcopênica; na dor e sobrecarga musculoesquelética, favorecendo a osteoartrite, lombalgia crônica e tendinopatias; na fadiga precoce nas atividades da vida diária; e na autonomia funcional, limitando atividades básicas e instrumentais e afetando a participação social e laboral.
A obesidade também afeta negativamente patologias comuns nas consultas de reabilitação, como osteoartrite do joelho e quadril, lombalgia, tendinopatias, cirurgia ortopédica e doenças neurológicas, como acidente vascular cerebral, lesão medular e traumatismo cranioencefálico, entre outras.
“Tudo isso se traduz em maior incapacidade associada, menor eficácia das intervenções se não for abordada de forma específica, mais complicações, recuperação mais lenta e impacto negativo na qualidade de vida. Integrar sua abordagem no processo de reabilitação é estrategicamente necessário”, destacou.
Para abordar a obesidade, nas consultas de medicina física e reabilitação, é “prescrito” exercício terapêutico, por meio de uma intervenção personalizada que inclui avaliação funcional prévia, individualização do tipo, intensidade, volume e progressão, adaptação às comorbidades, segurança clínica e acompanhamento dinâmico.
“Na obesidade, isso é especialmente relevante devido ao maior risco de lesões se não for adaptado, ao maior custo metabólico e à necessidade de estratégias progressivas para melhorar a adesão. O exercício corretamente prescrito melhora a capacidade funcional, reduz a dor e a fadiga, preserva ou aumenta a massa muscular, otimiza a perda de gordura corporal, melhora as comorbidades e aumenta a autonomia”, destacou. LACUNAS IDENTIFICADAS
O Grupo de Trabalho sobre Obesidade e Sarcopenia apresentou uma pesquisa nacional durante o Congresso da SERMEF 2025, na qual foram evidenciadas algumas das deficiências na abordagem da obesidade, como variabilidade clínica na avaliação e tratamento, subestimação do impacto funcional, lacunas na formação em obesidade clínica, exercício terapêutico e composição corporal, ausência de protocolos estruturados e elevado interesse em ferramentas de avaliação funcional. Segundo Supervía, existe um “grande potencial ainda não plenamente desenvolvido, uma vez que a obesidade como diagnóstico principal nem sempre é abordada de forma sistemática”.
Paralelamente, a pesquisa identificou lacunas organizacionais, como a ausência de circuitos de assistência estruturados, integração multidisciplinar limitada, necessidade de maior formação específica, acesso desigual a ferramentas de composição corporal, sub-reconhecimento do impacto funcional e visibilidade institucional insuficiente.
Tudo isso tem consequências diretas nos pacientes, pois gera atrasos em intervenções eficazes, maior deterioração funcional, menor adesão e aumento da incapacidade evitável. Em resposta, o Grupo de Trabalho sobre Obesidade e Sarcopenia está desenvolvendo um guia clínico específico com recomendações de avaliação morfofuncional e prescrição de exercícios terapêuticos e material de treinamento. No âmbito da Medicina Física e Reabilitação, também existem iniciativas de formação online com cursos acreditados sobre obesidade. “A obesidade é tratável e a melhoria funcional é possível. Integrar a reabilitação nas estratégias de assistência não é complementar, mas sim fundamental para otimizar os resultados clínicos, reduzir a incapacidade e melhorar a qualidade de vida”, concluiu a especialista da SERMEF.
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