Publicado 23/10/2025 13:38

Medicina personalizada de precisão pode calcular o risco de transtorno de saúde mental, diz especialista

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MADRID 23 out. (EUROPA PRESS) -

O chefe do Departamento de Psiquiatria do Hospital Universitário La Paz e membro da Real Academia Nacional de Medicina da Espanha, Celso Arango, destacou o papel da medicina personalizada de precisão no cálculo do risco de uma pessoa sofrer um distúrbio de saúde mental em um determinado momento da vida.

"Esses riscos são dinâmicos, mutáveis e modificáveis por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Existem calculadoras de risco para transtornos mentais baseadas em dados empíricos validados, como existe em outras áreas da medicina", diz Arango.

O especialista também garante que o risco de suicídio também pode ser calculado: "Naturalmente, o comportamento autolesivo é complexo e determinado por múltiplas variáveis difíceis de prever, mas há preditores muito bons que tornam a possibilidade estatística de identificar pessoas de alto risco versus baixo risco uma possibilidade real hoje em dia", explicou Arango, que acrescenta que a identificação dessas pessoas de alto risco já permite que sejam feitas intervenções específicas nesse grupo populacional.

Nesse contexto, Arango coordenou um novo Relatório Anticipando, desta vez sobre Saúde Mental e Medicina de Precisão Personalizada. O documento, que foi promovido pela Fundação Instituto Roche, aborda os avanços que a medicina de precisão personalizada está gerando nesse campo, em termos de prevenção, previsão, diagnóstico, tratamento e acompanhamento, a partir de uma abordagem personalizada e centrada na pessoa.

Assim, o relatório aponta que a aplicação da medicina de precisão personalizada se estende não apenas à pesquisa, mas também a todo o processo clínico, começando pela prevenção. Nesse sentido, os avanços nas tecnologias genômicas, como o sequenciamento de todo o genoma (WGS) e os estudos de associação de todo o genoma (GWAS), estão possibilitando a combinação de informações de milhares de polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) para desenvolver modelos preditivos mais robustos com base em estimativas de risco poligênico (PRS).

As PRSs, como explica Arango, "permitem estimar o risco e a probabilidade de uma pessoa desenvolver um transtorno mental a partir da soma de múltiplas variantes genéticas presentes em seu DNA".

Ele também enfatiza que esses avanços são especialmente relevantes para os jovens. Nesse sentido, o médico está comprometido com uma abordagem pragmática da medicina personalizada de precisão aplicada à psiquiatria, que permite a identificação de pessoas com risco muito alto.

"Especialmente quando temos medidas preventivas que são eficazes ou intervenções terapêuticas em casos de prevenção secundária, quando os sintomas de um determinado transtorno já apareceram", explicou o especialista.

Por exemplo, em uma pessoa com alto risco de sofrer um transtorno psicótico, "qualquer medida destinada a reduzir o consumo de cannabis durante a adolescência terá um efeito muito maior do que em outra pessoa que não tenha esse alto risco de sofrer um transtorno psicótico", acrescenta Arango, que afirma que "a identificação de fatores de risco genético-ambientais e fatores de resiliência nos permitirá identificar pessoas que se beneficiarão de um tratamento precoce ou que poderão se beneficiar de medidas de prevenção primária".

Nessa linha, surgiram diferentes iniciativas específicas voltadas para a previsão e a prevenção de transtornos mentais. Nas palavras de Arango, "essas estratégias, como as unidades clínicas especializadas em genética e saúde mental na Comunidade de Madri, compõem um novo modelo de Saúde Pública de Precisão, que integra ferramentas genômicas, biológicas e ambientais para antecipar o risco de transtornos mentais e agir de forma preventiva".

FARMACOGENÔMICA E SAÚDE MENTAL

O coordenador do Relatório Anticipando destaca que a medicina personalizada de precisão também está transformando a abordagem não farmacológica no campo da saúde mental. Segundo Arango, uma das linhas mais consolidadas nesse campo é a psicoterapia de precisão, "que busca adaptar as terapias psicoterápicas, como a terapia cognitivo-comportamental, a psicoeducação ou a atenção plena, à personalidade, à história e ao contexto de vida, ao ambiente social e, quando disponível, ao perfil genético ou biológico do paciente".

Ao mesmo tempo, o especialista afirma que a incorporação de tecnologias digitais, realidade virtual e inteligência artificial está ampliando a gama terapêutica, seja como terapia complementar ao tratamento farmacológico ou como alternativa à psicoterapia tradicional.

Finalmente, ele garante que os avanços tecnológicos estão permitindo o desenvolvimento de diferentes sistemas e ferramentas para o monitoramento e acompanhamento de transtornos mentais, desde medicamentos inteligentes com sensores incorporados que favorecem a adesão ao tratamento até o uso de aplicativos móveis, dispositivos vestíveis e outras ferramentas digitais, que permitem o monitoramento contínuo do paciente.

Apesar desses avanços, o documento reflete que a integração da medicina personalizada de precisão na prática clínica enfrenta barreiras significativas, incluindo a necessidade de fortalecer a pesquisa e a validação clínica, abordar os desafios éticos e sociais, especialmente aqueles relacionados ao estigma, e garantir sua adoção efetiva nos serviços de saúde.

Nesse sentido, a diretora-gerente da Fundação Instituto Roche, Consuelo Martín de Dios, conclui que "o desenvolvimento e a aplicação da medicina de precisão personalizada no campo da Saúde Mental permitirão avançar em direção a um atendimento mais abrangente e preciso, com base no perfil individual de cada pessoa".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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