Publicado 27/01/2026 11:04

A medicina personalizada de precisão permite adaptar os tratamentos de infecções a cada paciente, segundo especialista

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MADRID 27 jan. (EUROPA PRESS) -

A pesquisadora do Serviço de Microbiologia do Hospital Universitário Ramón y Cajal, María Teresa Coque, destacou o valor da medicina personalizada de precisão no tratamento de doenças infecciosas, pois, em sua opinião, ela facilita a identificação mais rápida do agente causador, a previsão do risco individual de infecção e a adaptação das terapias às particularidades genômicas de cada paciente.

“Os avanços nas tecnologias ómicas, ciências de dados, inteligência artificial e técnicas de diagnóstico avançadas estão tornando possível caracterizar com maior precisão os mecanismos de virulência e resistência, compreendendo melhor a interação entre o patógeno e o hospedeiro”, destacou Coque durante a apresentação do relatório sobre Estratégias Antimicrobianas na Medicina do Futuro, elaborado pela Fundação Instituto Roche.

O trabalho, elaborado pelo Observatório de Tendências na Medicina do Futuro, aborda as principais áreas em que a medicina personalizada de precisão impulsiona avanços no tratamento de doenças infecciosas, desde a prevenção e previsão de riscos, o desenvolvimento de uma saúde pública de precisão, o diagnóstico de precisão, o desenvolvimento de estratégias terapêuticas antimicrobianas personalizadas e a abordagem inovadora das resistências antimicrobianas. Neste contexto, Coque explicou que a aplicação da medicina personalizada de precisão permite aprofundar o conhecimento, tanto a nível molecular como sistêmico, dos agentes infecciosos e compreender melhor a interação entre o patógeno e o hospedeiro. Como enfatiza a doutora, compreender em detalhe como os microrganismos atuam dentro do organismo continua a ser um grande desafio científico. “A investigação avança apoiando-se em tecnologias de ponta, como a bioimpressão, que permite criar organoides e plataformas 'organ-on-a-chip'. Essas ferramentas reproduzem com grande fidelidade os tecidos humanos, permitindo estudar as infecções e avaliar a eficácia dos tratamentos de uma forma muito mais eficaz e próxima da realidade do paciente”, indicou.

Segundo a especialista, outras linhas de investigação fundamentais centram-se na conceção de novos modelos de ensaios clínicos no campo das doenças infecciosas, como os ensaios adaptativos, além do desenvolvimento de novos antimicrobianos para combater as bactérias multirresistentes. Neste sentido, estão a ser desenvolvidos programas e projetos de investigação colaborativa que combinam dados clínicos e genómicos com modelos experimentais. O objetivo é gerar novos antimicrobianos mais eficazes e direcionados, como prioridade para prevenir e mitigar o aparecimento e a propagação de resistências e garantir opções terapêuticas sustentáveis.

Entre essas iniciativas está o Projeto MePRAM (2023-2025), a primeira iniciativa espanhola de medicina de precisão contra a resistência antimicrobiana, baseada no estudo das resistências aos antimicrobianos por meio de uma abordagem integral de medicina personalizada de precisão.

Como explica Coque, o projeto incorpora tecnologias ómicas, algoritmos de inteligência artificial e aprendizado de máquina, “cujo objetivo é projetar uma abordagem integral que permita personalizar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de pacientes afetados por microrganismos multirresistentes”.

DIAGNÓSTICO DE PRECISÃO: AGILIZA AS DECISÕES MÉDICAS Coque detalhou que o sucesso do tratamento depende da rapidez com que a causa da infecção é identificada. Em comparação com os métodos tradicionais, que podem levar dias, a medicina personalizada de precisão introduz ferramentas revolucionárias, “como os painéis de diagnóstico rápido 'sindrômicos', que representaram um grande avanço, pois permitem identificar, em um único teste, agentes microbianos causadores de quadros clínicos semelhantes, por exemplo, determinar se o paciente está com gripe, COVID-19 ou outra infecção, agilizando a decisão médica”, destaca Coque.

Da mesma forma, ele enfatiza as possibilidades potenciais oferecidas pela metagenômica, ou seja, “detetives genéticos” capazes de ler todo o material genético de uma amostra para identificar vírus, bactérias ou fungos, mesmo aqueles desconhecidos ou difíceis de cultivar. A tecnologia CRISPR, como aponta a coordenadora do relatório, “atua como um 'localizador' molecular que detecta infecções em menos de uma hora, de forma barata e sem a necessidade de grandes laboratórios”.

O uso inadequado de antibióticos tem sido um dos principais fatores responsáveis pelo aumento da resistência antimicrobiana, reduzindo progressivamente a eficácia dos tratamentos disponíveis e tornando-se uma ameaça global à saúde pública. Nesse cenário, Coque aponta que a medicina personalizada de precisão também abre novas oportunidades no desenvolvimento de alternativas não antibióticas contra agentes infecciosos resistentes, avançando para estratégias mais eficazes e sustentáveis, como a fagoterapia, baseada no uso de vírus bacteriófagos ou fagos para tratar infecções resistentes a antibióticos, além do transplante fecal de microbiota, edição genética, imunoterapia, novas vacinas ou diferentes estratégias combinadas. De acordo com a especialista, uma das principais estratégias que estão sendo desenvolvidas são as sinergias fago-antibiótico, que consistem na aplicação de terapias combinadas entre bacteriófagos e antibióticos. Os antibióticos, como destaca Coque, “podem aumentar a replicação dos fagos, melhorando a eficácia antimicrobiana geral e reduzindo assim as doses necessárias e a probabilidade de surgimento de novas resistências”. No que diz respeito à edição genética, ela acrescenta que os sistemas CRISPR-Cas permitem eliminar genes relacionados à resistência ou virulência em bactérias. “Este conjunto de tecnologias utiliza enzimas guiadas para reconhecer e cortar sequências específicas de DNA ou RNA em bactérias, ressensibilizando cepas resistentes e modulando o microbioma com grande precisão”, conclui.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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