MADRID 28 jul. (EUROPA PRESS) -
O tratamento com um agonista do receptor de GLP-1 (liraglutide), combinado com modificações no estilo de vida (SLM), é significativamente mais eficaz na redução de peso e na melhora dos indicadores cardiometabólicos do que as modificações no estilo de vida isoladas em adolescentes com obesidade grave.
Isso está de acordo com um estudo publicado recentemente na "Anales de Pediatría", a revista científica da Associação Espanhola de Pediatria, por uma equipe do Hospital Universitário Nuestra Señora de la Candelaria (Tenerife).
O liraglutide foi o primeiro medicamento aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em 2021 para tratar a obesidade em crianças com mais de 12 anos de idade, seguido pelo semaglutide em 2024, mas seu uso nessa faixa etária ainda é muito limitado, entre outros motivos, devido à falta de estudos clínicos na população pediátrica e ao seu alto custo para as famílias, pois não é financiado pelo Sistema Nacional de Saúde da Espanha.
Atualmente, esses medicamentos são financiados apenas para pacientes com mais de 18 anos de idade com diabetes tipo 2. Os pesquisadores realizaram um estudo observacional retrospectivo de 62 adolescentes com idades entre 12 e 18 anos com índice de massa corporal (IMC) acima do percentil 95, o que é considerado obesidade grave. Trinta e um deles receberam medicação juntamente com um estilo de vida saudável (dieta e atividade física) por uma média de 6,9 meses. Os outros 31 seguiram exclusivamente um programa de modificação do estilo de vida.
Os resultados mostram que o grupo tratado farmacologicamente teve uma perda de peso significativa: quase metade (48,4%) conseguiu reduzir seu IMC em mais de 5% e 29% em mais de 10%. No grupo de controle, apenas 3% conseguiram uma redução de 5%, e apenas 1% conseguiu 10%.
Além da perda de peso, os pacientes que receberam tratamento medicamentoso apresentaram melhorias em parâmetros como insulina, HOMA-IR (índice de resistência à insulina), triglicérides e pressão arterial sistólica. Também foi observada uma redução no número de adolescentes com pré-diabetes. Essas melhorias foram mantidas seis meses após o término do tratamento, sugerindo um possível efeito sustentado ao longo do tempo.
"Historicamente, as únicas ferramentas para tratar a obesidade em adolescentes têm sido dieta e exercícios, mas sabemos que, nos casos mais graves, isso geralmente não é suficiente, pois eles precisam de uma perda de peso que não pode ser obtida apenas com mudanças de hábitos", diz a Dra. Mónica Ruiz Pons, especialista em Nutrição Infantil e primeira autora do estudo.
"Nosso trabalho mostra que o tratamento com drogas receptoras de GLP-1 pode ser uma ferramenta terapêutica eficaz e segura em pacientes selecionados, sempre combinada com intervenções no estilo de vida", acrescenta.
O medicamento estudado funciona ativando os receptores de GLP-1 no hipotálamo, o que ajuda a reduzir o apetite e aumentar a saciedade. "Sua eficácia está no fato de que ele não intervém apenas no nível intestinal, mas também no cérebro, o que ajuda muito os pacientes que não controlam sozinhos a vontade de comer devido à ansiedade", diz a especialista.
Os pesquisadores defendem uma reflexão conjunta entre pediatras, endocrinologistas, gestores de saúde e famílias para avaliar o uso de medicamentos em casos selecionados, especialmente quando outras intervenções falharam. Os autores defendem que se considere o uso de tratamentos farmacológicos em pacientes que não respondem após 4 a 6 semanas de intervenção comportamental em casos de adolescentes com obesidade grave.
"A obesidade pediátrica deve ser abordada como uma doença crônica, não como um problema de força de vontade. Isso implica ter uma faixa terapêutica mais ampla, como é o caso de outras patologias crônicas da infância", diz Ruiz, que acrescenta que "isso também exige uma avaliação completa dos possíveis efeitos de longo prazo dos tratamentos, tanto físicos quanto psicológicos".
O estudo reconhece algumas limitações, incluindo sua natureza observacional e o fato de que os pacientes decidiram com suas famílias se iniciariam ou não o tratamento com medicação (já que ela não é financiada). Os autores insistem na necessidade de estudos em maior escala com acompanhamento de longo prazo para avaliar os efeitos desses medicamentos no desenvolvimento e na adesão sustentada ao tratamento.
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