Europa Press/Contacto/Hashim Zimmo, Hashem Zimmo
ONG fala de "acusações infundadas de colaboração com o terrorismo" e alerta sobre o impacto na entrega de ajuda aos palestinos
MADRID, 2 jan. (EUROPA PRESS) -
A organização não-governamental Médicos do Mundo rejeitou nesta sexta-feira os argumentos apresentados pelo governo israelense para suspender seu registro para operar nos Territórios Palestinos Ocupados, depois que foi confirmado que ela é uma das mais de 35 ONGs afetadas por essa medida, duramente criticada pela comunidade internacional.
A Médecins du Monde rejeitou as "acusações infundadas de colaboração com o terrorismo" feitas por Israel, que alega que a medida decorre de supostos vínculos dessas 37 organizações com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e outras organizações, o que "afeta seriamente a ação humanitária e o acesso à assistência médica para a população palestina", segundo a ONG.
"As ONGs operam sob rigorosas estruturas de conformidade exigidas pelos doadores, incluindo auditorias, controles de financiamento do terrorismo e requisitos de devida diligência que atendem aos padrões internacionais", disse, antes de enfatizar que "agiu sempre de acordo com os mecanismos de coordenação humanitária estabelecidos por meio do sistema de ligação entre o Escritório de Coordenação Humanitária da ONU e as autoridades civis e militares israelenses (COGAT); bem como com as autoridades palestinas que legitimamente coordenam a chegada da ajuda humanitária às suas populações em Gaza e na Cisjordânia".
Também enfatizou que "nunca compartilhou listas de seus funcionários com as autoridades israelenses, em estrito respeito aos princípios éticos humanitários e à legislação europeia de proteção de dados". "Considerando que mais de 500 trabalhadores humanitários foram mortos e com o precedente de que dois de nossos escritórios em Gaza foram destruídos pelo exército israelense, a obrigação é garantir a segurança de nossas equipes sob todos os pontos de vista", acrescentou.
"As ONGs internacionais agora apóiam uma parte essencial do sistema de saúde em Gaza. Dos 80 parceiros ativos no setor de saúde, 44 são organizações internacionais, o que significa que sua expulsão significaria a perda de mais da metade da capacidade operacional do Grupo de Saúde", disse a Médecins du Monde.
Nesse sentido, enfatizou que "essas organizações administram ou apoiam 60% dos hospitais de campanha, 42% dos centros de atenção primária e 23% dos postos médicos". "Além disso, os hospitais de campanha administrados por ONGs internacionais funcionam como centros de referência para 60 a 70 por cento dos casos de emergência", disse ele.
Ele enfatizou que a decisão de Israel "compromete seriamente a continuidade da assistência médica em um contexto já marcado por uma crise humanitária extrema", ao mesmo tempo em que destacou que "limitar a presença de agentes humanitários independentes por meio de obstáculos administrativos constitui intencionalmente uma violação do direito humanitário internacional e prejudica seriamente a resposta humanitária em Gaza e na Cisjordânia".
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