MADRID 9 set. (EUROPA PRESS) -
A coordenadora das parteiras da HM Hospitales em Madri, María Cantos, afirmou que o retorno ao trabalho não significa necessariamente abandonar a amamentação, já que existem diversas opções às quais a mãe pode recorrer, como a extração de leite ou a combinação desta com mamadas diretas e fórmula infantil.
“É preciso abandonar a ideia do ‘tudo ou nada’. A amamentação não precisa ser exclusivamente sob demanda 24 horas por dia: pode haver mamadas diretas e leite extraído, ou mamadas diretas e fórmula. O importante é que cada mulher encontre a opção com a qual se sinta confortável”, explicou.
Cantos destacou que o importante é que as famílias conheçam os recursos e as opções disponíveis para poderem escolher aquela que melhor se adapta à sua situação. “Cada mãe, cada bebê e cada amamentação são únicos. Não existe uma única maneira de fazer isso da maneira certa”, destacou.
Conforme ela detalhou, uma das principais mudanças que podem ocorrer com o retorno ao trabalho está relacionada à frequência das mamadas. Isso pode fazer com que a mãe sinta, nos primeiros dias, os seios mais cheios, tensos ou até mesmo algum inchaço nos horários em que costumava amamentar.
Se as mamadas forem espaçadas regularmente e não forem substituídas por uma extração, o seio pode interpretar que há uma menor demanda e reduzir progressivamente a produção; por isso, a parteira recomendou começar duas ou três semanas antes a simular como seriam esses dias e manter “mamadas âncora”, como a da manhã, a da reunião e as noturnas, para ajudar a manter a amamentação.
EXTRACÇÃO
Cantos indicou que, quando a mãe passa várias horas separada do bebê, a recomendação geral é tentar substituir as mamadas que ocorreriam durante esse período por extrações, o que pode significar cerca de duas ou três extrações para um dia de trabalho de oito horas, embora isso possa variar de acordo com cada caso.
Sobre a extração, Cantos aconselhou realizá-la com as mãos limpas e secas, e com a bomba tira-leite em um ambiente, na medida do possível, tranquilo. Além disso, ela esclareceu que “uma bomba de leite nunca extrai a mesma quantidade que um bebê”, de modo que a quantidade obtida com ela não deve ser usada como referência direta para avaliar quanto o bebê está se alimentando.
Quanto à conservação, ela sugeriu armazenar o leite em pequenas quantidades, de cerca de 60 a 90 mililitros, etiquetar os recipientes com a data e utilizar primeiro o leite mais antigo. Para transportá-lo do trabalho até casa, uma bolsa térmica com placas de resfriamento pode ser suficiente e, uma vez em casa, ele deve ser conservado na geladeira ou no freezer, de acordo com o uso pretendido.
O planejamento também pode incluir o uso da licença de amamentação e a organização dos horários de trabalho e dos cuidados com o bebê, de modo que a mãe possa estabelecer uma rotina realista e sustentável.
Além disso, a especialista lembrou que a adaptação também afeta o bebê, que pode reorganizar suas mamadas quando passa várias horas separado da mãe, mamando menos nesse período e compensando à tarde e à noite.
“Muitas mulheres interpretam que o bebê ficou com fome ou que o leite já não o alimenta, quando pode tratar-se simplesmente de uma reorganização. Ao se reencontrar com a mãe, ele também pode procurar o seio por contato e não apenas por fome”, explicou Cantos.
E SE O BEBÊ RECUSAR A MAMADEIRA?
Outra das preocupações comuns antes do retorno ao trabalho é que o bebê não aceite a mamadeira. Nesse caso, a equipe de parteiras do HM Hospitales, em Madri, recomendou começar a praticar duas ou três semanas antes do retorno ao trabalho, sem transformar isso em uma obrigação nem esperar que o bebê esteja com muita fome.
Entre as dicas para facilitar a adaptação, Cantos destacou a postura e a maneira de oferecer a mamadeira. Especificamente, o bebê deve estar relativamente ereto e a mamadeira deve ser mantida na posição horizontal, utilizando uma tetina de fluxo lento e fazendo pausas durante a mamada.
“É preferível oferecer a mamadeira quando o bebê estiver tranquilo e contente. Se ele recusar, não se deve insistir nem esperar que ele fique com muita fome. Pode-se tentar outro dia, trocar a tetina, a temperatura do leite, a pessoa que o oferece ou até mesmo recorrer a outras opções, como um copinho ou uma colher”, explicou.
Além disso, ela avaliou positivamente que seja o parceiro ou outra pessoa próxima quem ofereça a mamadeira, especialmente quando a mãe está por perto, com o objetivo de que a alimentação seja uma forma de o acompanhante participar ativamente dos cuidados com o bebê.
Nessa linha, ela destacou que o apoio à mãe também passa pela divisão das tarefas cotidianas. “Não se deve dar conselhos ao acompanhante e à família, mas sim atribuir tarefas. Fazer compras, preparar o jantar, cuidar de outros filhos, lavar a bomba tira-leite ou deixar os recipientes prontos para o dia seguinte são formas concretas de apoiar uma mãe que está amamentando”, destacou.
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