Publicado 19/10/2025 04:22

Marrocos vê os protestos dos jovens como um catalisador para "acelerar" as políticas contra a desigualdade e a pobreza

RABAT, 3 de outubro de 2025 -- Forças de segurança montam guarda em um cruzamento durante uma manifestação exigindo melhores serviços públicos no centro de Rabat, Marrocos, em 2 de outubro de 2025.   Três pessoas foram mortas durante protestos liderados p
Huo Jing / Xinhua News / ContactoPhoto

Ele está confiante de que a Espanha contribuirá para o desenvolvimento com projetos como a construção de um túnel sob o Estreito de Gibraltar.

MADRID, 19 out. (EUROPA PRESS) -

A onda de protestos juvenis que sacudiu o Marrocos deu "voz" nas últimas semanas a um grupo que, segundo o ministro marroquino de Equipamentos e Água, Nizar Baraka, é chamado a ser um fator em si mesmo para "energizar" e "acelerar" as políticas públicas que podem ter um efeito sobre os cidadãos como um todo, e ao qual o rei Mohammed VI tentou dar voz na sexta-feira em um discurso simbólico para a abertura das sessões parlamentares.

"Percebemos uma queda nas mobilizações, mas consideramos que o discurso real deu uma visão", explicou Baraka em uma entrevista à Europa Press, na qual ele defendeu o "plano de emergência" implementado nos últimos anos e que, como lembrou o monarca, tem entre seus principais objetivos a redução das desigualdades sociais e territoriais.

A esse respeito, o ministro indicou que Mohammed VI já havia advertido em um discurso anterior sobre o risco de ter "um Marrocos de duas velocidades" e, agora, o objetivo comum seria trabalhar para "uma única velocidade" que inclua os jovens, um grupo que tem uma taxa de desemprego de 36,7% - entre 15 e 24 anos de idade.

Baraka ressaltou que o governo não apenas "entendeu" os protestos da chamada geração Z, mas que, de certa forma, os "previu", de acordo com os dados estatísticos. O plano de emprego é um dos principais objetivos estabelecidos pelas autoridades, que também estão trabalhando em projetos de desenvolvimento em áreas rurais, uma vez que, de acordo com o ministro, a taxa de pobreza nos vilarejos ainda está em torno de 12%, duas vezes mais alta do que nas áreas urbanas.

O Ministério de Equipamentos e Água tem como objetivo combinar o desenvolvimento da infraestrutura com o desenvolvimento social, por exemplo, promovendo a construção de estradas que se conectem às escolas, ou promovendo projetos de dessalinização ou redes de saneamento que permitam levar água a todas as populações de forma saudável e acessível.

Um desenvolvimento generalizado com o qual Baraka busca, por um lado, "melhorar a situação" de todas as populações e, por outro, garantir sua "dignidade" e dar "esperança", especialmente aos jovens que podem pensar em emigrar do Marrocos.

Na área de migração, Baraka elogiou o atual grau de cooperação com a Espanha, enfatizando que as forças de segurança dos dois países trabalham como "uma única equipe". Uma tarefa "tremenda", acrescentou, que teria possibilitado a redução da emigração para a Europa e que deve ser desenvolvida em conjunto com o desenvolvimento local, com efeitos mais a médio prazo.

O PAPEL DA ESPANHA

O ministro garantiu que os projetos de obras públicas atualmente em andamento estão ajudando a criar empregos e sugeriu que a Espanha pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento marroquino, tanto pelo nível atual de integração econômica e política quanto pela margem de manobra que ainda existe para ampliar essa cooperação.

Baraka destacou o fato de que há quase mil empresas espanholas de pequeno e médio porte já estabelecidas no Marrocos e que cerca de metade das exportações da Espanha para a África chega ao país vizinho. "O Marrocos é um mercado muito dinâmico para a Espanha e isso também ajuda a ter vínculos importantes", argumentou.

Entre os setores a serem fortalecidos, ele mencionou a energia, por exemplo, para apoiar o Marrocos como uma potência no desenvolvimento do hidrogênio verde, ou a criação de um "link fixo" no Estreito de Gibraltar que permitiria a construção de "uma verdadeira ponte entre a Europa e a África", na qual a Espanha e o Marrocos seriam "os pilares dessa amizade".

Baraka defendeu, assim, o projeto de construção de um túnel subaquático pelo qual poderiam passar veículos e mercadorias, equivalente ao que liga o Reino Unido e a França sob o Canal da Mancha. Os estudos estão avançando e as reuniões entre os governos continuam para ver, entre outras coisas, "quanto vai custar", resumiu o ministro marroquino, sem entrar em possíveis prazos.

No entanto, e na ausência da conclusão dos detalhes desse "projeto estratégico", ele o considera viável. Baraka percebe uma "vontade de manter e acelerar" o trabalho de ambos os lados, e lembrou que a ideia não é nova, mas foi proposta pela primeira vez durante os reinados de Hassan II e Juan Carlos I como reis do Marrocos e da Espanha, respectivamente.

Com relação ao relacionamento atual com o governo de Pedro Sánchez, Baraka também não poupou elogios e falou de um vínculo de "amizade, fraternidade e destino comum", já que as duas administrações coincidem em seu interesse em tornar o Mediterrâneo "uma área de prosperidade e estabilidade" e em continuar a fortalecer os laços.

O bom estado atual das relações se baseia na carta que Sánchez enviou em março de 2022 ao rei Mohammed VI, na qual ele se referiu ao plano de autonomia para o Saara Ocidental como "a base mais séria, crível e realista" para resolver a disputa territorial sobre a antiga colônia espanhola. De acordo com Baraka, "é a posição mais justa que poderia ser tomada", embora a Espanha ainda esteja atrás de países como a França e os Estados Unidos, que reconheceram diretamente a soberania marroquina sobre o Saara.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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