Alberto Ortega - Europa Press
MADRID 19 maio (Portaltic/EP) -
A soberania digital é uma “questão estratégica” para a Espanha, que aposta no impulso da tecnologia de inteligência artificial (IA) ética e humanística, por meio de projetos como o computador quântico do Barcelona Supercomputing Center (BSC), que agora conta com maior capacidade graças a um novo chip de 35 qubits desenvolvido com tecnologia europeia.
Foi o que compartilhou a secretária de Estado de Digitalização e Inteligência Artificial, María González Veracruz, que inaugurou a II Jornada Tecnológica da Europa Press, realizada nesta terça-feira, antes de dar início a duas mesas redondas centradas na revolução tecnológica e empresarial promovida pela IA e na importância da sustentabilidade, segurança e governança.
González iniciou sua intervenção colocando em evidência o impacto que a tecnologia já tem atualmente, impulsionando uma mudança social, econômica e até mesmo quase “civilizacional”. Nesse sentido, ela destacou a importância da soberania digital e da autonomia estratégica, apostando no impulso de uma IA humanista e ética.
No caso da Espanha, a secretária de Estado explicou que o roteiro do governo defende a soberania digital como uma “questão estratégica”, especificamente para “ser capaz de tomar decisões sobre com quem trabalhar e como fazê-lo”.
A esse respeito, ela destacou que dispor de soberania é “poder competir em igualdade de condições em um contexto global cada vez mais exigente”, garantindo que as capacidades críticas, como computação, dados e IA, “atendam ao interesse geral e não dependam de tecnologia exclusiva desenvolvida fora da Europa”.
NOVO CHIP DE 35 QUANTS PARA AMPLIAR A CAPACIDADE QUÂNTICA NA ESPANHA
Para alcançar essa soberania digital, González mencionou alguns eixos estratégicos nos quais estão trabalhando dentro da estratégia nacional de IA, sendo um deles a capacidade de computação. “Sem capacidade de computação, a Espanha não estaria no mapa”, refletiu.
Por isso, aproveitou este encontro para anunciar que, no âmbito da Estratégia de Tecnologias Quânticas da Espanha, foi ampliada a capacidade do computador quântico localizado no Centro Nacional de Supercomputação (CNS) de Barcelona.
Impulsionado pelo programa Quantum Spain, este computador quântico incorpora um novo chip de 35 qubits, desenvolvido com tecnologia 100% europeia e sob um modelo de acesso aberto, com o objetivo de posicionar a Espanha como “referência na Europa na implantação de sistemas quânticos com essas características”.
Desde sua entrada em operação em 2022, o sistema deste computador quântico passou por uma evolução progressiva graças à incorporação de diferentes processadores, passando de uma capacidade de 5 qubits para os 35 qubits que oferece com o novo processador.
Especificamente, o sistema foi instalado e colocado em funcionamento pela UTE espanhola Qilimanjaro-GMV e, baseado em tecnologia supercondutora, está integrado ao supercomputador MareNostrum 5, o que permite explorar novas formas de computação que combinam capacidades clássicas e quânticas.
No entanto, vale destacar o caráter aberto deste computador quântico com o novo chip, já que qualquer grupo de pesquisa, comunidade científica, órgão público ou empresa poderá acessá-lo. Para isso, deverão solicitar seu uso por meio de editais competitivos através da RES e, após executar seus algoritmos neste “hardware” quântico, validar resultados e desenvolver novas aplicações em um ambiente real.
Como resultado, as capacidades de computação quântica do computador podem impulsionar múltiplas disciplinas ao facilitar a análise de fenômenos em escala atômica, com aplicações que vão desde a química até a resolução de desafios complexos em áreas como logística ou finanças, passando pela eficiência de processos e pela segurança da criptografia, conforme destacado pelo Ministério da Transformação Digital e da Função Pública.
Para apoiar este avanço da Quantum Spain — onde colaboram 27 instituições de referência em pesquisa e supercomputação na Espanha, incluindo 14 nós da Rede Espanhola de Supercomputação (RES) e outras instituições como o CSIC —, será disponibilizado um investimento de 22 milhões de euros pelo Ministério da Transformação Digital e da Função Pública, por meio da Secretaria de Estado de Digitalização e Inteligência Artificial.
“Com a Estratégia Nacional de Tecnologias Quânticas, o Governo da Espanha dotou-se de um instrumento fundamental para antecipar a revolução tecnológica quântica, com o objetivo de fortalecer a soberania digital, impulsionar a competitividade e garantir um desenvolvimento responsável e com garantias de segurança”, afirmou González a esse respeito, ao mesmo tempo em que destacou a Quantum Spain como “um exemplo claro de como o investimento público bem direcionado acelera a inovação e posiciona a Espanha na vanguarda tecnológica”.
“Hoje, não apenas damos um passo na computação quântica, mas também em um modelo de país que aposta no conhecimento, na colaboração e no acesso aberto como motores do progresso”, afirmou.
OUTROS EIXOS ESTRATÉGICOS PARA A SOBERANIA DIGITAL
Como segundo eixo estratégico, González Veracruz destacou a importância da gestão de dados, aos quais se referiu como a “matéria-prima” da transformação, e ressaltou a necessidade de investir na criação de espaços de dados interoperáveis, seguros e compartilhados que permitam desenvolver IA “com garantias de geração de valor econômico e social”.
Assim, ele detalhou que, até o momento, foram investidos mais de 60 milhões de euros na criação de espaços de dados seguros em setores como saúde e turismo.
Da mesma forma, ele também destacou como pilar os modelos fundamentais de IA públicos. É o caso dos modelos ALIA, uma família treinada pelo Barcelona Supercomputing Center (BSC) em espanhol e línguas cooficiais para “garantir a diversidade linguística e o contexto cultural no âmbito ibero-americano”.
“Este é mais um exemplo de que não podemos depender exclusivamente de tecnologia desenvolvida fora da Europa e de que trilhamos um bom caminho que agora também é seguido por outros países da União Europeia”, acrescentou.
Por outro lado, González não deixou de lado o talento e a adoção como outro dos eixos principais. Assim, ele lembrou que a Espanha é o sexto país do mundo em adoção de IA e que isso se deve, em parte, a programas como o Kit Digital, que permitiram que essa tecnologia chegasse a “quase um milhão de PMEs e autônomos para acelerar sua modernização”.
“Para nós, garantir que esse talento e essas capacidades permitam que ninguém fique para trás é um dos principais desafios que temos como país e, claro, alcançar o verdadeiro tecido produtivo das pequenas e médias empresas”, precisou.
IA HUMANÍSTICA E ÉTICA
Levando tudo isso em conta, a secretária de Estado reiterou que a Espanha defende uma inovação baseada em valores europeus, onde prevalece a tecnologia “segura” que garanta uma “democracia saudável”.
Para isso, ela fez referência à liderança ética que a Espanha representa, e prova disso é que Valência abrigará o escritório para a IA humanista. Isso se deve ao fato de defenderem uma abordagem que promove uma tecnologia que busca evitar preconceitos históricos e discriminações nos dados, priorizando a transparência e a supervisão humana.
González Veracruz concluiu, portanto, que a estratégia espanhola busca um “tecnoptimismo” que seja ambicioso e competitivo, mas que, acima de tudo, tenha sempre uma abordagem ética, humanista e centrada nas pessoas, além de garantir soberania e governança. “A questão não é apenas o que podemos fazer com a tecnologia, mas o que queremos fazer com ela”, afirmou.
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