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Os especialistas destacam que aumentou a conscientização sobre o excesso de peso MADRID 20 jan. (EUROPA PRESS) -
Um estudo do Grupo OPEN Espanha (Obesity Policy Engagement Network) revela que 52,6% dos espanhóis percebem que estão, pelo menos, cinco quilos acima do seu peso ideal, em um país onde 57,7% da população está acima do peso.
“Há uma maior autoconsciência sobre o excesso de peso se compararmos com um estudo que realizamos há uma década, no qual apenas 20-30% percebiam que tinham uma doença. Agora, esses dados mudaram”, destacou durante a apresentação do estudo o porta-voz do OPEN Espanha, Francisco J. Tinahones.
Assim, 11,3% dos inquiridos considera que tem mais de 20 quilos a mais, 17% acredita que tem entre 10 e 20 quilos a mais e 24,3% indica que tem entre 5 e 10 quilos a mais. “Graças à conscientização, a sociedade está se dando conta desse problema”, acrescentou Tinahones. O estudo foi realizado a partir de 2.546 entrevistas com pessoas entre 18 e 65 anos e uma fase qualitativa na qual participaram pessoas com obesidade e profissionais de saúde por meio de grupos de discussão, entrevistas em profundidade e histórias de vida.
Os resultados indicam que, na Espanha, 57,7% dos espanhóis entre 18 e 65 anos estão acima do peso, de acordo com o índice de massa corporal (IMC). Destes, 23,4% são obesos. “A prevalência da obesidade em nosso país afeta uma porcentagem muito significativa da população. O peso normal já não é a normalidade, é menos de metade da população, pelo que é algo muito preocupante. É um problema de saúde pública de grande magnitude”, afirmou Tinahones. Em termos de género, os homens têm níveis mais elevados de excesso de peso do que as mulheres, de acordo com o IMC, mas esta diferença desaparece quando se questiona a autopercepção do peso. 52,9% das mulheres dizem que têm 5 ou mais quilos a mais, contra 52,4% dos homens, quando a porcentagem de homens é maior. MENOS RENDA E MAIS OBESIDADE O estudo também reflete que os determinantes sociais influenciam o excesso de peso da população. À medida que a renda diminui, os níveis de obesidade aumentam. Na extremidade inferior da escala econômica, a prevalência chega a dobrar: 33,1% contra 15,5%. Além disso, o excesso de peso é mais frequente entre aqueles que têm apenas o ensino básico, 10,5% contra 4,5% no caso de estudos universitários.
Nesse sentido, pessoas com obesidade grave apresentam taxas mais altas de desemprego, chegando a 21,4% contra 11,3% da população com peso normal. “É uma clara penalização das pessoas com obesidade. Além disso, elas apresentam mais baixas trabalhistas devido à doença”, observou a Dra. Susana Morenero.
TRISTEZA E PROBLEMAS DE SONO Os resultados também mostram que conviver com o sobrepeso e a obesidade tem um impacto direto na identidade, nas emoções, na capacidade de enfrentamento e nas relações sociais. 66,3% declaram sentimentos de tristeza ou melancolia, 50,6% sofrem de problemas de sono e 41,3% convivem com uma sensação de tensão permanente. Apesar disso, apenas 14,4% receberam apoio psicológico. “A obesidade afeta profundamente o bem-estar emocional e a autoestima. Sem uma abordagem integral e multidisciplinar, é muito difícil quebrar esse círculo e avançar em direção a mudanças que possam ser sustentáveis”, explicou Morenero. Entre as pessoas com obesidade grave, 30,1% fizeram mais de seis dietas ao longo da vida e 49,3% consideram que suas experiências com dietas foram parcial ou totalmente malsucedidas.
Por fim, a decisão de agir contra o excesso de peso geralmente ocorre após o aparecimento de incômodos físicos: 65,6% iniciam uma dieta para prevenir problemas de saúde e 28,4% o fazem para evitar dor ou desconforto ao praticar exercícios.
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