Publicado 26/02/2026 09:42

Mais da metade dos adolescentes conhece alguém que já se automutilou em algum momento da vida.

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Um em cada cinco já recebeu em seu celular imagens relacionadas a automutilação MADRID 26 fev. (EUROPA PRESS) -

Mais da metade dos adolescentes (52%) afirma conhecer alguém que se automutilou em algum momento da vida, um número que sobe para 79% no caso dos jovens de 18 a 30 anos, de acordo com um relatório do grupo de pesquisa COMKIDS da Universidade Rey Juan Carlos.

O trabalho “Tome assento para saber sobre automutilação e redes sociais. Relatório sobre a opinião de adolescentes e jovens na Espanha” foi elaborado a partir de 1.303 pesquisas, 286 com adolescentes de 14 a 17 anos e as outras 1.017 com jovens universitários de 18 a 30 anos.

De acordo com os resultados, a automutilação tornou-se uma realidade próxima para os jovens espanhóis. Metade dos jovens inquiridos indica que a sua ligação afetiva com a pessoa que se automutila ou se automutilava é de amizade, enquanto 38% afirma que é um conhecido, mas não um amigo próximo, 9% diz que é um familiar e 4% que é um desconhecido.

As respostas são semelhantes no caso dos adolescentes, entre os quais 47% afirmam que é um amigo. Enquanto 36,5% dizem que é um conhecido, 9,45% que é um familiar e 6,75% que é um desconhecido. O estudo confirma que a adolescência é o período de maior vulnerabilidade. Setenta e um por cento dos universitários que conhecem um caso situam o início do comportamento entre os 14 e os 17 anos. No entanto, quase um em cada cinco afirmou que começou antes dos 14 anos, um dado que reforça a preocupação com a diminuição progressiva da idade de início.

O conhecimento sobre a automutilação é elevado, pois 91% dos adolescentes e 99% dos jovens sabem identificá-la. Entre os jovens, 46% souberam porque conheceram um caso; 31%, pelas redes sociais; e 14%, conversando com amigos. Entre os adolescentes, 39,2% o fizeram por um caso próximo; 33,5%, pelas redes sociais; e 17,7%, conversando com amigos. Uma em cada oito jovens respondeu que já havia se automutilado e 3% decidiram não responder, o que para os autores implica uma suspeita de que também o faziam. Por isso, o relatório supõe, sem confirmar, que 15% dos jovens se automutilaram em algum momento de suas vidas. Essa pergunta não foi feita aos menores. PAPEL DAS REDES SOCIAIS

O relatório enfoca o papel da Internet e das redes sociais. Um em cada cinco adolescentes reconhece ter recebido em seu celular imagens relacionadas a automutilação, enviadas em muitos casos por amigos, mas também por conhecidos e até mesmo por desconhecidos; entre os universitários, 17% afirmam ter sido expostos a esse tipo de conteúdo.

Além disso, 20% dos menores admitem ter procurado ativamente informações ou publicações sobre automutilação nas redes sociais, uma proporção que duplica a registrada entre os universitários (10%).

Entre as plataformas, o TikTok se posiciona como o principal canal para os adolescentes (82%), enquanto entre os jovens adultos o consumo se divide entre o X (30%), o TikTok (30%) e o Instagram (25%).

O grupo de pesquisa responsável pelo relatório precisou que essa exposição não implica necessariamente a promoção do comportamento, mas evidencia que as redes sociais se tornaram espaços onde o fenômeno circula, é comentado e, às vezes, pode ser normalizado.

Mesmo assim, 90% dos adolescentes e 95% dos jovens consideram que deveria haver um controle mais rigoroso sobre os conteúdos relacionados à automutilação nas plataformas digitais. Um dos aspectos mais marcantes do estudo é a identificação de códigos e metáforas que permitem falar sobre automutilação sem mencioná-la explicitamente. Expressões como “código de barras”, usada para descrever os cortes paralelos na pele, são reconhecidas por aproximadamente um em cada quatro jovens entrevistados. O símbolo das “borboletas”, associado em alguns contextos a estratégias simbólicas para evitar recaídas, é mais conhecido entre adolescentes do que entre universitários.

SABER COMO AGIR Embora o conhecimento sobre a automutilação seja amplo, 45% dos universitários reconhecem que não saberiam como ajudar um amigo com esse comportamento. Entre os adolescentes, 67% afirmam que sim, embora os especialistas alertem que a percepção de capacidade nem sempre implica dispor das ferramentas adequadas. Os pesquisadores defenderam a implementação de ações de educação emocional para pais e mães, formação específica dentro das instituições de ensino e intervenção psicosanitária precoce. Além disso, eles apontaram que é preciso compreender o uso do ecossistema digital pelos jovens e controlar as mensagens que circulam nessas plataformas. Por ocasião do Dia Mundial de Conscientização sobre a Automutilação, comemorado em 1º de março, a equipe da Universidade Rey Juan Carlos instou a abertura de um debate público informado e rigoroso sobre esse comportamento.

“O importante aqui não é uma simples porcentagem, porque por trás de cada número há uma história pessoal. E por trás de cada história, uma oportunidade de intervir a tempo”, destacou a professora de Publicidade da Universidade Rey Juan Carlos, Esther Martínez.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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