MADRID 25 mar. (EUROPA PRESS) -
Cerca de 50% das mulheres na pós-menopausa sofrem da síndrome geniturinária, e mais da metade delas não recebe tratamento, segundo o médico de família e responsável pela Área de Saúde da Mulher da Sociedade Espanhola de Médicos Gerais e de Família (SEMG), Lorenzo Armenteros del Olmo, que participou do encontro APDate 2026.
A síndrome geniturinária é uma condição crônica caracterizada pela diminuição dos estrogênios, afetando os tecidos vaginais, vulvares e urinários, e sua frequência aumenta com a idade. Mesmo assim, de acordo com um estudo realizado na Espanha, apenas um terço dos ginecologistas afirmou que perguntaria “de forma sistemática” sobre esses sintomas a todas as mulheres na pós-menopausa. Além disso, apenas 10% sabem que se trata de uma condição crônica com opções terapêuticas.
“O descompasso entre a frequência clínica e a baixa verbalização reforça a ideia de que ainda existe uma lacuna assistencial em um âmbito em que a Atenção Primária pode desempenhar um papel relevante na detecção, na escuta, na abordagem inicial ou na interconsulta, se for o caso”, comentou Armenteros del Olmo.
ESTIGMA EM TORNO DA MENOPAUSA
Recentemente, outro estudo realizado em 2025 por especialistas da Universidade de Pittsburgh, entre outros centros de pesquisa norte-americanos, e publicado na revista “Mayo Clinic Proceedings”, também indicou que a maioria das mulheres de meia-idade com sintomas de menopausa não procura atendimento médico. Os pesquisadores realizaram pesquisas com cerca de 5.000 mulheres entre 45 e 60 anos, e mais de 80% reconheceram que não procuravam ajuda médica para sintomas como insônia, ganho de peso ou alterações no humor.
Nesse sentido, os autores deste trabalho concluíram que são “necessárias” estratégias que eliminem o estigma do tratamento da menopausa e o tornem “mais visível e acessível”.
Na mesa redonda sobre “Saúde da Mulher” da APDate 2026, os especialistas concordaram que a lacuna no atendimento à menopausa “tem consequências reais para a saúde feminina”.
“É fundamental que nós, profissionais de saúde, identifiquemos e gerenciemos de forma proativa o processo da menopausa e suas consequências. Dessa forma, ao facilitar seu reconhecimento e compreensão, poderemos avançar na redução dessa lacuna no atendimento”, continuou o médico.
Por sua vez, a chefe do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Complexo Hospitalar Universitário Insular Materno-Infantil (Las Palmas), Alicia Martín Martínez, afirmou que a síndrome geniturinária da menopausa se configura como uma “necessidade assistencial concreta” e como um “campo especialmente útil” para avançar na identificação precoce, na informação às pacientes e na continuidade assistencial.
No AP2026, os especialistas abordaram a importância do papel do médico especialista em Atenção Primária na promoção de um envelhecimento saudável, dos cuidados com a saúde mental e da saúde da mulher. O encontro, organizado pela Italfarmaco, contou também com a participação de profissionais da Sociedade Espanhola de Médicos de Atenção Primária (SEMERGEN) e da Sociedade de Medicina Familiar e Comunitária (semFYC).
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