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MADRID 23 set. (EUROPA PRESS) -
Cerca de 1,4 bilhão de pessoas viviam com pressão alta em 2024, mas apenas uma em cada cinco (320 milhões) a tinha sob controle, seja por meio de medicamentos ou abordando fatores de risco modificáveis, de acordo com o segundo "Relatório Mundial de Hipertensão" publicado na terça-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O documento, lançado em um evento organizado em conjunto pela OMS, Bloomberg Philanthropies e Resolve to Save Lives durante a 80ª Assembleia Geral da ONU, destaca que o número de pessoas afetadas pela pressão alta dobrou desde 1990.
Estimativas globais de 2021 revelam que 53% da mortalidade cardiovascular, incluindo 58% das mortes por ataque cardíaco, e 31% de todas as mortes por doença renal são atribuíveis à pressão alta.
Em termos econômicos, estima-se que, entre 2011 e 2025, as doenças cardiovasculares, incluindo a hipertensão, custem aos países de baixa e média renda mais de € 3 bilhões (cerca de US$ 3,7 trilhões), o equivalente a cerca de dois por cento de seu PIB combinado.
A hipertensão é a principal causa de ataque cardíaco, derrame, doença renal crônica e demência. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que, a cada hora, mais de 1.000 pessoas morrem de derrames e ataques cardíacos causados pela pressão alta.
Kelly Henning, chefe do Programa de Saúde Pública da Bloomberg Philanthropies, disse que a pressão alta sem controle ceifa mais de 10 milhões de vidas por ano.
No entanto, os representantes de ambas as organizações enfatizaram que a hipertensão pode ser prevenida e tratada, razão pela qual essas mortes podem ser evitadas "com vontade política, investimento contínuo e reformas para integrar o controle da hipertensão aos serviços de saúde".
Sem uma ação urgente, o relatório da OMS prevê que, nos próximos anos, o número de pessoas com hipertensão aumentará em todo o mundo, ultrapassando 1,5 bilhão até 2030.
IMPACTO NOS PAÍSES DE BAIXA E MÉDIA RENDA
A análise dos dados de 195 países e territórios mostra que 99 deles têm taxas nacionais de controle da hipertensão abaixo de 20%. A maioria das pessoas afetadas vive em países de baixa e média renda, onde os sistemas de saúde enfrentam restrições de recursos.
Entre as barreiras identificadas, o relatório aponta para grandes deficiências na prevenção, no diagnóstico, no tratamento e no cuidado de longo prazo. Ele revela políticas insuficientes de promoção da saúde, acesso limitado a monitores de pressão arterial validados, falta de protocolos de tratamento padronizados e equipes de atendimento primário treinadas, entre outros.
Embora os medicamentos para pressão arterial sejam considerados uma das ferramentas mais econômicas, apenas sete dos 25 países de baixa renda, ou seja, 28%, informam sua disponibilidade geral em farmácias ou centros de atendimento primário, em comparação com 93% nos países de alta renda.
"Existem medicamentos seguros, eficazes e acessíveis para controlar a pressão arterial, mas muitas pessoas não têm acesso a eles", disse o presidente e CEO da Resolve to Save Lives, Tom Frieden. "Fechar essa lacuna salvará vidas e bilhões de dólares a cada ano", disse ele.
O relatório explora as barreiras e as estratégias para melhorar o acesso aos medicamentos para hipertensão por meio de melhores sistemas regulatórios, preços e reembolsos, aquisição e gerenciamento da cadeia de suprimentos e melhorias na prescrição e distribuição.
Por fim, a OMS pede que todos os países integrem o controle da hipertensão nas reformas de cobertura universal de saúde e levem em consideração suas recomendações, que poderiam ajudar a evitar milhões de mortes prematuras e aliviar o enorme impacto social e econômico da pressão alta não controlada.
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