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MADRID 3 mar. (EUROPA PRESS) -
A coordenadora do Comitê de Pacientes e Cidadania da Sociedade Espanhola de Farmacêuticos de Atenção Primária (SEFAP), Cristina Casado, indicou que mais de 90% das pessoas rotuladas como alérgicas à penicilina não foram submetidas, na maioria dos casos, a testes específicos para confirmar se realmente o são.
“Quando esses casos são adequadamente estudados nos serviços de alergologia por meio de testes específicos, verifica-se que entre 90% e 95% desses rótulos não correspondem a uma alergia real, pelo que a alergia confirmada à penicilina situar-se-ia em torno de 1% ou mesmo menos da população”, afirma a especialista.
O fato de tantas pessoas serem rotuladas como alérgicas à penicilina sem realmente o serem, segundo a farmacêutica de cuidados primários, tem consequências “muito importantes” tanto para os pacientes quanto para a saúde pública. “Para o paciente, isso significa não poder usar penicilinas, que são antibióticos de primeira escolha para o tratamento de muitas infecções por serem os mais eficazes e seguros. Em seu lugar, recorre-se a antibióticos alternativos que podem ser menos eficazes e seguros, o que, entre outros aspectos, pode significar que a infecção demore mais tempo a curar e aumente o risco de efeitos adversos”, explicou.
A isso, segundo Casado, soma-se o fato de que, durante muitos anos, assumiu-se que uma alergia às penicilinas implicava automaticamente alergia ao resto dos antibióticos da família dos betalactâmicos, incluindo as cefalosporinas: “Hoje sabemos que isso não é verdade na maioria dos casos. As chamadas reações alérgicas cruzadas entre penicilinas e cefalosporinas são pouco frequentes e estimadas em cerca de 1-2% dos pacientes. Portanto, quando se confirma uma alergia à penicilina, não se deve extrapolar automaticamente para o resto dos betalactâmicos".
Do ponto de vista da saúde pública, por sua vez, a porta-voz da SEFAP salienta que o problema é que muitos dos antibióticos alternativos utilizados para substituir as penicilinas são de espectro mais amplo, ou seja, atuam contra mais tipos de bactérias. O seu uso, portanto, “favorece o aparecimento de bactérias resistentes, cada vez mais difíceis de eliminar, o que torna as infecções mais complicadas de curar e constitui um dos principais problemas de saúde a nível mundial”.
DIFERENCIAR ENTRE UMA ALERGIA E UM EFEITO ADVERSO O Comitê de Pacientes e Cidadania da SEFAP elaborou uma infografia explicando o que realmente é uma alergia a antibióticos. O documento gráfico destaca a importância de diferenciar entre alergias e outros efeitos adversos. Além disso, detalha que uma alergia ocorre quando o sistema imunológico, ou seja, o sistema de defesa do organismo, confunde o antibiótico com algo perigoso e reage contra ele. Por outro lado, em outros efeitos adversos, os efeitos negativos são causados diretamente pelo próprio medicamento, sem a intervenção do sistema imunológico.
“São situações distintas e com implicações diferentes: se um paciente é realmente alérgico, não deve voltar a tomar esse antibiótico porque existe um risco muito alto de que a reação se repita, podendo até ser mais grave. Por outro lado, quando se trata de um efeito adverso não alérgico — a menos que seja grave —, normalmente o medicamento pode ser tomado novamente, porque não há motivo para que se repita. O tratamento pode até ser continuado, mesmo que o efeito adverso apareça, se o benefício compensar”, argumenta Casado. A especialista ressalta que existem reações alérgicas com manifestações muito características e inconfundíveis, como as anafiláticas, que podem causar inchaço dos lábios ou da língua, dificuldade para respirar, tontura intensa ou perda de consciência. Também existem efeitos adversos que claramente não envolvem o sistema imunológico, como desconfortos digestivos — dor de estômago, náuseas, vômitos ou diarreia — ou dor de cabeça.
No entanto, como reconhece a especialista, “há sintomas que podem gerar dúvidas”, como algumas reações cutâneas (erupção cutânea, vermelhidão ou coceira), que em alguns casos podem ser devidas a uma reação alérgica e em outros não. “Em todo caso, nunca deve ser o próprio paciente que autodiagnostique uma alergia, mas sempre que uma pessoa apresentar uma reação nociva após tomar um antibiótico ou qualquer outro medicamento, deve comunicar isso a um profissional de saúde. E se aparecerem sintomas graves, como dificuldade para respirar, dirija-se imediatamente a um centro de saúde ou ligue para o 112”, alerta.
No caso de a alergia ser confirmada com os testes diagnósticos correspondentes, Cristina Casado explica que algumas alergias à penicilina “às vezes não são para toda a vida”. Estudos mostram que, após dez anos sem usá-las, até 80% dos pacientes não apresentam mais essas reações.
“Por tudo isso, é fundamental revisar as alergias a antibióticos não confirmadas e, no caso de alguns tipos de alergias à penicilina, reconsiderá-las se tiverem passado mais de dez anos. Quando necessário, elas devem ser avaliadas com testes específicos nos serviços de alergologia. Isso permite retirar rótulos errôneos e melhorar a eficácia e a segurança dos tratamentos, tanto para o próprio paciente quanto para a população em geral”, conclui.
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