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MADRID 3 set. (EUROPA PRESS) -
90,4% das mulheres entre 35 e 65 anos consideram que é possível manter uma vida sexual plena e satisfatória após os 45 anos, embora isso possa exigir certa adaptação às mudanças próprias de cada fase.
É o que indica uma pesquisa realizada pela Platanomelón por ocasião do Dia Mundial da Saúde Sexual, comemorado nesta sexta-feira, 4 de setembro. Além disso, 57,6% das mulheres afirmam que seu desejo sexual se manteve ou até aumentou nos últimos dois ou três anos, contrariando a crença generalizada de que o passar do tempo implica necessariamente uma perda de desejo.
Segundo os autores da pesquisa, os dados apontam para uma contradição entre o discurso social e a experiência das próprias mulheres: embora a ideia de que o desejo diminui com a idade seja amplamente difundida, ela não parece corresponder necessariamente à maneira como muitas mulheres vivem ou imaginam sua sexualidade.
A menopausa e a perimenopausa podem trazer consigo transformações que vão além do desejo e que também podem ter um impacto direto na vida sexual. 34,4% das entrevistadas afirmam ter experimentado mudanças físicas relacionadas a essa fase que afetaram sua vida sexual, seja de forma frequente ou ocasional. Entre elas, 44,3% relatam ter sentido perda de elasticidade, coceira ou desconforto na região íntima, embora, na maioria dos casos, isso seja algo ocasional.
Da mesma forma, 68% apontam o impacto no estado de ânimo ou na saúde mental como um dos aspectos mais difíceis ou ignorados da menopausa, enquanto 59% destacam a dificuldade de reconhecer o próprio corpo após as mudanças e de não saber como lidar com elas.
No entanto, essa necessidade de compreender as mudanças que podem surgir com o passar do tempo coexiste com uma significativa falta de informação. 78,7% consideram insuficiente a informação que receberam sobre como o passar do tempo pode afetar a sexualidade; 53,3% afirmam não ter recebido praticamente nenhuma informação, e 25,4% consideram-na incompleta.
FALAR SOBRE SEXUALIDADE CONTINUA SENDO UMA QUESTÃO EM ABERTO
Essa falta de informação também se reflete nas conversas sobre sexualidade no âmbito da saúde. 77,3% não conversaram sobre seu desejo ou sua vida sexual com nenhum profissional de saúde no último ano; e, entre aquelas que não o fizeram, 63,6% afirmam que não tiveram necessidade, enquanto outras apontam a dificuldade de encontrar um profissional ou um espaço adequado para abordar essas questões.
Diante dessa ausência de diálogo especializado, o círculo próximo e os canais digitais assumem um papel relevante como fontes de informação, com amigos e familiares, redes sociais e a internet entre os principais meios aos quais as entrevistadas recorrem.
Essa realidade ganha especial relevância quando relacionada à experiência das próprias mulheres: 34,4% afirmam ter notado mudanças físicas que afetaram sua vida sexual, enquanto 78,6% consideram insuficiente a informação que receberam sobre como as mudanças associadas ao passar do tempo podem afetar sua sexualidade.
“O fato de muitas mulheres dizerem que precisam falar sobre sua sexualidade não significa necessariamente que não tenham dúvidas ou necessidades. Às vezes, simplesmente não normalizamos o fato de que o desejo, as mudanças corporais e a vida sexual também fazem parte daquilo que podemos consultar e cuidar ao longo de toda a vida”, concluiu a sexóloga da Platanomelón, Anna Sánchez.
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