MADRID, 21 jun. (EUROPA PRESS) -
O projeto SEED-ALS, promovido pelo Instituto de Saúde Carlos III por meio do CIBER e financiado com 3,9 milhões no âmbito do PERTE para a Saúde de Vanguarda, constituiu, em seu primeiro ano, uma rede nacional de pesquisa sobre esclerose lateral amiotrófica (ELA) com 628 pacientes e cerca de 700 controles recrutados em 27 grupos de 13 comunidades autônomas, com acompanhamento longitudinal e primeiros avanços na identificação de biomarcadores da doença.
“A principal conquista deste primeiro ano foi demonstrar que é possível coordenar a comunidade de pesquisadores espanhóis em ELA em torno de uma estratégia comum. Construímos uma infraestrutura que permite compartilhar dados, amostras e conhecimento de uma forma que não existia até agora e que deve se tornar um recurso estável para a pesquisa da ELA, mesmo após o término deste projeto”, destacou Adolfo López de Munain, pesquisador do Instituto de Pesquisa em Saúde Biogipuzkoa, diretor científico do CIBERNED e responsável pelo SEED-ALS.
A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta cerca de 4.000 pessoas na Espanha e para a qual ainda não existem ferramentas suficientemente precisas para prever sua evolução, nem tratamentos curativos. Coincidindo com o Dia Mundial da ELA, o consórcio SEED-ALS faz um balanço de seu primeiro ano de atividade, com avanços significativos na construção de uma infraestrutura nacional para o estudo dessa doença.
Os avanços do projeto SEED-ALS também serão apresentados na reunião anual da ENCALS (European Network to Cure ALS), a principal rede europeia dedicada à pesquisa da esclerose lateral amiotrófica. O encontro, que será realizado em Madri de 23 a 26 de junho no Palácio Municipal de Congressos da IFEMA, reunirá cerca de mil pesquisadores, neurologistas e outros profissionais da área da saúde provenientes de toda a Europa, bem como dos Estados Unidos.
OBJETIVO: COMPREENDER MELHOR COMO A DOENÇA EVOLUI
Um dos principais objetivos do projeto era criar uma coorte representativa de pacientes para estudar a evolução da doença por meio de um acompanhamento contínuo ao longo do tempo; e muitos dos centros participantes já iniciaram a coleta de amostras de acompanhamento.
A disponibilidade dessas amostras, obtidas de forma periódica e coordenada em diversos hospitais da Espanha, constitui um dos diferenciais do projeto e representa um recurso de grande valor para a pesquisa atual e futura sobre a ELA, conforme destaca Carmen Paradas, pesquisadora do Instituto de Biomedicina de Sevilha (IBiS) e co-responsável pelo projeto, que acrescenta que “acompanhar os pacientes ao longo do tempo nos permitirá compreender melhor como a doença evolui e identificar alterações biológicas que poderiam ser fundamentais para o desenvolvimento de futuras estratégias terapêuticas”.
PRIMEIRAS ANÁLISES PARA COMPREENDER MELHOR A DOENÇA
Paralelamente ao processo de recrutamento e acompanhamento, as equipes de pesquisa já estão analisando as amostras coletadas por meio de diferentes abordagens complementares. Estão sendo desenvolvidos estudos de transcriptômica para identificar alterações moleculares envolvidas nas formas familiares da doença, bem como análises de proteômica em vesículas extracelulares e de lipidômica em amostras de soro, cujos primeiros resultados apontam para possíveis biomarcadores de interesse.
Além disso, graças às amostras de músculo e pele, estão sendo gerados modelos celulares da doença e avaliados compostos com potencial terapêutico para aprimorar o conhecimento dos mecanismos biológicos envolvidos na ELA.
“No SEED-ALS, utilizamos uma abordagem multi-ômica para compreender a doença de forma integrada: graças à genômica, identificamos as variações no DNA que podem predispor ao desenvolvimento da doença; com a transcriptômica, podemos entender como os genes são ativados ou desativados em pacientes com ELA em comparação com indivíduos saudáveis e, graças à proteômica, identificamos proteínas alteradas que podem desempenhar um papel na neurodegeneração e que servem como alvos para o desenvolvimento de terapias”, destaca Estela Area, pesquisadora básica do Centro de Pesquisas Biológicas Margarita Salas – CSIC.
“Ao combinar todas essas informações, podemos compreender melhor a ELA e analisar os múltiplos níveis de regulação biológica envolvidos na doença”, acrescenta.
O próximo passo será integrar os dados clínicos dos participantes com as informações geradas a partir dessas análises moleculares. Essa abordagem permitirá estudar de forma conjunta as características clínicas e biológicas da doença, facilitando a identificação de padrões associados à sua progressão e contribuindo para o desenvolvimento de biomarcadores mais precisos para seu diagnóstico e acompanhamento.
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