Publicado 09/04/2026 09:20

Mais de 160 mil espanhóis com Parkinson sofrem discriminação devido à falta de conhecimento sobre essa doença, segundo a FEP

Archivo - Arquivo - Apoio, família, doença.
PEOPLEIMAGES/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 9 abr. (EUROPA PRESS) -

Os mais de 160.000 espanhóis que vivem com Parkinson, uma doença crônica e neurodegenerativa, precisam enfrentar situações em que se sentem questionados, invisibilizados ou tratados como se tivessem perdido a autonomia, o que é causado pelo desconhecimento da sociedade, segundo o vice-presidente da Federação Espanhola de Parkinson (FEP), Josep Ramón Correal.

Por isso, por ocasião do Dia Mundial do Parkinson, comemorado em 11 de abril, a Federação Espanhola de Parkinson (FEP) lança a campanha “Não sou Parkinson”, uma iniciativa de sensibilização para dar visibilidade à incompreensão e às barreiras que muitas dessas pessoas enfrentam, além dos sintomas físicos, como consequência do profundo desconhecimento e dos preconceitos que ainda cercam a doença.

Frequentemente, a sociedade simplifica a doença sob a imagem errônea da “pessoa idosa que treme”. Mas a realidade é que 15% das pessoas diagnosticadas, cerca de 24.000 na Espanha, têm menos de cinquenta anos, o que demonstra que se trata de uma realidade “muito presente” na vida profissional, familiar e social ativa.

MAIS DE CEM SINTOMAS DIFERENTES

Outra crença errônea igualmente difundida é que o tremor é o sintoma característico da doença, mas o Parkinson pode se manifestar por meio de mais de cem sintomas diferentes, muitos deles invisíveis para o entorno. Alterações na voz, na expressão facial, lentidão nos movimentos ou dificuldades para iniciar a marcha são “frequentemente mal interpretadas como apatia, falta de coordenação, desinteresse ou até mesmo falta de educação”.

Além disso, 30% das pessoas afetadas sofrem episódios de bloqueio motor, momentos em que o corpo não responde e os pés parecem ficar grudados no chão. Essas situações, na sociedade, muitas vezes geram impaciência, zombarias ou olhares de desconfiança, o que leva muitas pessoas a se sentirem incompreendidas e, assim, evitam sair à rua ou limitam sua vida social. Ao mesmo tempo, diante de um tremor ou de uma dificuldade para falar, questiona-se a capacidade da pessoa ou ignora-se seu critério.

Esses sintomas também podem ser interpretados erroneamente como falta de interesse ou frieza emocional, e o diagnóstico dessa doença pode pesar mais do que a trajetória pessoal ou profissional das pessoas, condicionando as oportunidades que elas podem ter.

Correal, por sua vez, indicou que o problema não é “como é o corpo de uma pessoa com Parkinson”, mas “como a sociedade interpreta o que vê” e acrescentou que, quando a doença não é compreendida, surgem “o julgamento, a impaciência e a rejeição”.

PESSOAS COM PROJETOS, EMOÇÕES E DIREITOS

Nesse contexto, o movimento associativo Parkinson impulsionou uma ação de sensibilização que convida a população a se colocar no lugar de uma pessoa afetada e experimentar “como mudam as reações do entorno quando o corpo foge do que é considerado normal”.

A iniciativa se baseia em depoimentos reais de pessoas que vivem com a doença e que reivindicam sua identidade “além do diagnóstico”. Sob a mensagem “Não sou Parkinson”, elas lembraram que continuam sendo pessoas com projetos, emoções e direitos.

A rejeição a essa doença limita a autonomia, a participação social e o pleno exercício dos direitos, e transforma o dia a dia em uma corrida de obstáculos que poderia ser evitada.

Por isso, exigiram um compromisso sustentável das instituições, dos ambientes de trabalho e da cidadania para “eliminar preconceitos, garantir serviços sem barreiras e evitar qualquer forma de discriminação”. O movimento associativo insistiu que informar, compreender e respeitar são “ferramentas fundamentais” para avançar rumo a uma sociedade mais justa e inclusiva.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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