MADRID 21 maio (Portaltic/EP) -
Mais de 150 executivas e especialistas em inteligência artificial (IA) participaram da 6ª edição do IA en Femenino, o congresso de referência na Espanha dedicado a dar visibilidade ao papel das mulheres no desenvolvimento dessa tecnologia, que ocorreu no WPP Campus de Madri e serviu para analisar o presente e o futuro da IA a partir de uma perspectiva “estratégica, ética e inclusiva”, conforme explicaram os organizadores.
A edição deste ano, que esgotou os ingressos e foi transmitida via streaming, contou com mais de 40 palestrantes provenientes de empresas como SDG, Decide Linkroad, Innova-tsn, Mática, Sngular, HP, HPE, Sellcom, Repsol, BBVA, Banco Sabadell, Acciona ou Mahou, além de representantes do Ministério da Transformação Digital e da Função Pública.
O congresso, criado em 2021, consolidou-se como um espaço fundamental de debate para promover uma inteligência artificial mais justa, útil e humana por meio de uma maior participação feminina no setor tecnológico. Na inauguração institucional desta edição, conduzida por Marta Cuenca Aguilar, diretora adjunta da AxiCom Spain, e pelas codiretoras da IA en Femenino, Carmen Berrocoso e Carmen Reina, foi destacada a importância de “criar espaços que promovam a diversidade no ecossistema tecnológico” e que permitam “dar visibilidade a referências femininas no âmbito da inteligência artificial”.
Um dos momentos mais marcantes do evento foi a intervenção de Ana Palacios Morillo, diretora-geral de Dados do Ministério da Transformação Digital e da Função Pública, que destacou a escassa presença de mulheres no âmbito tecnológico avançado. Palacios afirma que não se trata apenas de uma questão de igualdade, mas também de competitividade, soberania tecnológica e qualidade dos sistemas. “O sucesso da revolução digital não será medido apenas pela capacidade tecnológica, mas pela nossa habilidade de construir um modelo justo, inclusivo e representativo”, afirmou.
Também participou por vídeo Aleida Alcaide, diretora-geral de Inteligência Artificial no mesmo Ministério, que destacou que a Espanha já ocupa o sétimo lugar no ranking Global AI Readiness de Stanford — após subir 13 posições em um ano. Alcaide também destacou o papel ativo da Espanha nas negociações europeias para proibir sistemas de IA destinados a gerar “deepfakes” de imagens íntimas sem consentimento, incluindo pornografia infantil.
MESAS REDONDAS PARA ABORDAR OS DESAFIOS DA IA
O congresso abordou alguns dos grandes desafios atuais da inteligência artificial por meio de diferentes mesas redondas e palestras. Macarena Estévez, fundadora da Cirentis e especialista em IA, falou sobre a aceleração tecnológica e defendeu a necessidade de liderar o futuro tecnológico, colocando sempre as pessoas no centro. Por sua vez, o painel “A Era da EmpatIA” analisou como a IA está transformando as competências profissionais e como os algoritmos continuam reproduzindo preconceitos históricos de gênero presentes na sociedade.
Outro dos grandes temas abordados foi a soberania dos dados e o impacto ambiental da inteligência artificial. Em uma mesa redonda moderada por Carmen Reina, participaram representantes da HP, HPE e Spain DC, que alertaram sobre os desafios de infraestrutura e sustentabilidade que a adoção massiva da IA implica. Nesse sentido, Inés Bermejo, vice-presidente e diretora geral da HP para a Península Ibérica, lembrou que, até 2027, os centros de dados consumirão entre 4,2 e 6 bilhões de metros cúbicos de água.
O evento também incluiu reflexões sobre governança autônoma, IA agênica e tomada de decisões com inteligência artificial. Especialistas de empresas como MASORANGE, EDP Client Solutions, ACCIONA, Innova-tsn ou Mática Partners debateram sobre os limites, riscos e oportunidades de uma IA cada vez mais autônoma, insistindo na importância do critério humano diante das tendências tecnológicas.
O encerramento do congresso foi dedicado ao papel das pioneiras e referências femininas no desenvolvimento tecnológico. Pesquisadoras, engenheiras e executivas concordaram em destacar que a diversidade de pensamento e experiência é uma vantagem competitiva para o avanço da inteligência artificial.
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