Publicado 11/03/2026 09:22

A má qualidade do ar tornou-se uma crise de saúde pública nas cidades, de acordo com um novo relatório.

Archivo - Arquivo - Poluição urbana
JOSE GONZALEZ BUENAPOSADA/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 11 mar. (EUROPA PRESS) - A poluição do ar agrava as desigualdades sociais nas cidades, uma vez que as pessoas com menos recursos estão mais expostas aos poluentes, são mais vulneráveis aos seus efeitos e sofrem piores consequências para a sua saúde, de acordo com o relatório “Cidades face às alterações climáticas. Reduzir as emissões para ganhar saúde”, publicado nesta quarta-feira pela Salud por Derecho. O documento analisa como essa desigualdade ambiental se traduz no que denomina uma “tripla vulnerabilidade”. Em muitas cidades, os bairros com menor renda tendem a estar localizados perto de grandes vias de tráfego ou áreas com maior carga poluente. Nesses ambientes, as concentrações de poluentes podem chegar a ser até um terço mais altas. A essa maior exposição somam-se outros fatores sociais que amplificam os riscos para a saúde. “A poluição não é apenas um problema ambiental, é uma questão de saúde pública e justiça social. As cidades podem reduzir as emissões e melhorar o bem-estar da população se as políticas forem elaboradas levando em consideração as pessoas que estão mais expostas”, explica Adrián Alonso, autor do relatório e responsável pela Incidência Política da Saúde por Direito.

A organização lembra que a má qualidade do ar é um dos principais riscos ambientais para a saúde na Europa. Todos os anos, provoca mais de 253.000 mortes prematuras na União Europeia e reduz a expectativa de vida em até dois anos. Além disso, 97% da população urbana respira ar com níveis de partículas finas superiores aos recomendados para proteger a saúde. Por outro lado, alertam que a poluição do ar representa um custo médio de mais de 1.200 euros por ano por habitante nas cidades europeias, devido a despesas com saúde, perda de produtividade e outros efeitos associados. A exposição prolongada a poluentes como partículas finas ou dióxido de nitrogênio está relacionada a doenças respiratórias, cardiovasculares e metabólicas, bem como a problemas no desenvolvimento infantil, maior risco de prematuridade e efeitos sobre a saúde mental. REDUZIR A POLUIÇÃO SEM AUMENTAR A DESIGUALDADE

O relatório também alerta que as políticas climáticas e urbanas podem gerar efeitos indesejados se não forem elaboradas levando em consideração a equidade social. Algumas intervenções destinadas a melhorar o ambiente urbano podem provocar processos de encarecimento da habitação e deslocamento de residentes vulneráveis. Para evitar isso, a Saúde por Direito defende que “as políticas de mobilidade e urbanismo devem incorporar alternativas de transporte acessíveis e disponíveis para toda a população e garantir que os benefícios das melhorias ambientais sejam distribuídos de forma equitativa”.

“Projetar as cidades com critérios de saúde e equidade permite que as políticas de redução de emissões também melhorem a qualidade de vida e contribuam para reduzir as desigualdades sociais. Neste contexto, a nova Diretiva Europeia sobre a qualidade do ar, que estabelece objetivos mais rigorosos para reduzir a poluição nos próximos anos, abre uma oportunidade para impulsionar políticas urbanas que melhorem a saúde da população e reduzam as desigualdades”, explicam.

REDUZIR A DEPENDÊNCIA DO CARRO PARTICULAR E RECUPERAR O ESPAÇO URBANO Para a organização, a prioridade deve ser reduzir a dependência do carro particular e recuperar o espaço urbano para as pessoas. Para isso, propõe reforçar o transporte público, facilitar os deslocamentos a pé ou de bicicleta e renaturalizar o espaço público. Essas alternativas, além de reduzirem as emissões, “têm benefícios diretos para a saúde, pois promovem a atividade física e ajudam a prevenir doenças cardiovasculares e outras patologias crônicas”. Entre os dados que sustentam essa ideia, e que se destacam no relatório, está o fato de que, nas cidades, o tráfego motorizado é a principal fonte de emissões poluentes. Embora os veículos de mercadorias e de transporte de pessoas representem apenas cerca de 13% da frota, são responsáveis por 51% das emissões de óxidos de nitrogênio na União Europeia. As ruas escolares (sem tráfego) conseguiram reduções entre 23% e 33% nos níveis de dióxido de nitrogênio em ambientes próximos a centros educacionais. Além disso, o Instituto de Saúde Global de Barcelona estima que a implementação completa do modelo de superquadras em Barcelona poderia evitar até 667 mortes prematuras por ano, graças à redução da poluição, do ruído e do calor urbano.

O documento alerta que centrar a solução apenas na substituição de carros a combustão por elétricos é insuficiente. Embora eliminem as emissões do escapamento, eles não resolvem outros problemas associados ao modelo atual de mobilidade urbana. “Um engarrafamento de carros elétricos continua sendo um engarrafamento, ocupa espaço, gera partículas pelo desgaste dos freios e pneus e mantém a congestão nas cidades”, lembram.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado