MADRID 4 ago. (EUROPA PRESS) -
Os astrônomos estão demonstrando como os telescópios podem ser reutilizados como sensores climáticos, ajudando a rastrear as mudanças na atmosfera da Terra em face do aquecimento global.
Em sua jornada para a Terra, a luz das estrelas pode mudar à medida que interage com partículas em regiões que contêm gás e poeira. Esse efeito é especialmente perceptível quando a luz passa pela nossa atmosfera, pois introduz linhas (como seu próprio "código de barras") nos padrões de luz observados das estrelas (espectros estelares).
Essas linhas, conhecidas como linhas telúricas, são incômodas para os astrônomos, que procuram descontaminar suas observações removendo essas características indesejadas.
No entanto, um novo algoritmo chamado Astroclimes, desenvolvido na Universidade de Warwick, tem como objetivo explorar as linhas de absorção deixadas pelas moléculas da atmosfera da Terra nos espectros estelares para medir a abundância de gases de efeito estufa (GHGs) à noite, como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e vapor de água (H2O).
Marcelo Aron Fetzner Keniger, um estudante de doutorado e desenvolvedor do algoritmo Astroclimes, disse em um comunicado: "O monitoramento da abundância de GHGs é necessário para quantificar seu impacto no aquecimento global e nas mudanças climáticas. O uso de linhas telúricas para medir a abundância de GEEs na atmosfera da Terra tem sido amplamente empregado usando espectros solares, por exemplo, pela Collaborative Carbon Column Observation Network (COCCON). Entretanto, devido à dependência dos espectros solares, essas medições só podem ser feitas durante o dia, portanto, espera-se que o Astroclimes possa suprir essa necessidade com medições noturnas.
DEMONSTRAÇÃO EM CALAR ALTO
Com esse objetivo, foi realizada uma campanha de observação em julho passado no Observatório Astronômico de Calar Alto (CAHA), em Almeria, em colaboração com a Universidade de Warwick, a Universidade de Almeria e a Agência Meteorológica Estadual (AEMET).
O principal objetivo dessa campanha é demonstrar o potencial único da combinação de medições solares (diurnas) e medições de outras estrelas (noturnas, usando Astroclimates) para estudar o ciclo do carbono, o papel dos GEEs no contexto atual do aquecimento global e o fortalecimento dos sistemas de observação desses gases.
Os espectros diurnos foram medidos com um espectrômetro FTIR portátil (EM27/SUN) da rede COCCON-Spain, instalado temporariamente no Observatório de Calar Alto. Durante a noite, a luz das estrelas foi analisada usando o algoritmo Astroclimes com dados do espectrógrafo CARMENES, instalado no telescópio de 3,5 m do observatório. O instrumento COCCON pode obter concentrações atmosféricas de GHG calibradas e de acordo com o padrão da literatura, e está sendo usado para calibrar as abundâncias medidas com o algoritmo Astroclimes.
Marcelo Aron acrescentou: "Se conseguirmos calibrar com sucesso o Astroclimes com a ajuda das medições do CCON, poderemos criar uma nova rede para medir as abundâncias de GEE, complementando as redes atuais com medições noturnas. As observações diurnas feitas pelo EM27/SUN a cerca de 2100 m foram complementadas por um segundo instrumento no nível do mar, localizado na Universidade de Almeria (UAL).
"A rede nacional COCCON-Espanha tem como objetivo solucionar a falta latente de observações atmosféricas de GEE na Espanha, implementando uma rede de estações de medição em escala nacional. Um dos principais objetivos da rede COCCON-Espanha é melhorar o conhecimento atual sobre fontes e sumidouros de GEE, contribuindo assim para o desenvolvimento de estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas", destaca Omaira García-Rodríguez (AEMET-CIAI), coordenadora da rede.
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