ICARUS (2025). DOI: 10.1016/J.ICARUS.2025.116607
MADRID 12 jun. (EUROPA PRESS) -
Os astronautas da Apollo não sabiam o que encontrariam quando exploraram a superfície lunar, mas não esperavam ver acúmulos de minúsculas contas de vidro laranja brilhante entre as rochas e a poeira.
As contas, cada uma com menos de 1 mm de diâmetro, foram formadas entre 3,3 e 3,6 bilhões de anos atrás durante erupções vulcânicas na superfície do então jovem satélite. "Essas são algumas das amostras extraterrestres mais incríveis que temos", disse Ryan Ogliore, professor associado de física em Artes e Ciências da Universidade de Washington em St Louis, que abriga um grande repositório de amostras lunares que foram devolvidas à Terra. "As pérolas são pequenas cápsulas imaculadas do interior lunar.
VISÃO SEM PRECEDENTES
Usando várias técnicas de análise microscópica que não estavam disponíveis quando os astronautas da Apollo trouxeram as primeiras amostras da Lua, Ogliore e uma equipe de pesquisadores puderam observar de perto os depósitos minerais microscópicos no exterior das pérolas lunares. A visão sem precedentes dos antigos artefatos lunares foi publicada na revista Icarus. A pesquisa foi liderada por Thomas Williams, Stephen Parman e Alberto Saal, da Brown University.
O estudo foi baseado, em parte, no NanoSIMS 50, um instrumento da Universidade de Washington que usa um feixe de íons de alta energia para fragmentar pequenas amostras de material para análise. Os pesquisadores da Universidade de Washington usam o dispositivo há décadas para estudar partículas de poeira interplanetária, grãos pré-solares em meteoritos e outros pequenos fragmentos de detritos do nosso sistema solar.
O estudo combinou várias técnicas - tomografia por sonda de átomo, microscopia eletrônica de varredura, microscopia eletrônica de transmissão e espectroscopia de raios X por dispersão de energia - de outras instituições para examinar mais de perto a superfície das esferas. "Temos essas amostras há 50 anos, mas agora temos a tecnologia para entendê-las completamente", disse Ogliore. "Muitos desses instrumentos seriam inimagináveis quando as contas foram coletadas pela primeira vez."
Como explicou Ogliore, cada conta de vidro conta sua própria história do passado lunar. As pérolas - algumas alaranjadas e outras pretas brilhantes - foram formadas quando os vulcões lunares ejetaram material do interior para a superfície, onde cada gota de lava se solidificou instantaneamente no vazio frio que circunda a Lua.
NÃO ENCONTRADO NA TERRA
"A mera existência dessas pérolas nos diz que a Lua teve erupções explosivas, algo como as fontes de fogo que podem ser vistas hoje no Havaí", disse ele. Devido à sua origem, as pérolas têm cor, forma e composição química não encontradas na Terra.
Os minúsculos minerais na superfície das pérolas poderiam reagir com o oxigênio e outros componentes da atmosfera da Terra. Para evitar essa possibilidade, os pesquisadores extraíram as pérolas das profundezas das amostras e as mantiveram protegidas da exposição ao ar durante cada etapa da análise. "Mesmo com as técnicas avançadas que usamos, essas medições foram muito difíceis de fazer", disse Ogliore.
Os minerais (incluindo sulfetos de zinco) e a composição isotópica das superfícies das esferas servem como sondas para entender as diferentes pressões, temperaturas e condições químicas das erupções lunares de 3,5 bilhões de anos atrás. As análises das esferas lunares laranja e preta mostraram que o estilo das erupções vulcânicas mudou ao longo do tempo. "É como ler o diário de um antigo vulcanólogo lunar", disse Ogliore.
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