Publicado 25/04/2026 02:37

A Liga Tunisiana de Direitos Humanos denuncia um "ataque" após uma suposta suspensão de um mês e anuncia medidas legais

Archivo - Arquivo - 10 de janeiro de 2026, Túnis, Túnis, Tunísia, Tunísia: Pessoas seguram cartazes e gritam slogans enquanto participam de um protesto pela libertação de todos os detidos políticos e prisioneiros de consciência pelo presidente tunisiano K
Europa Press/Contacto/Hasan Mrad - Arquivo

MADRID 25 abr. (EUROPA PRESS) -

A diretoria da Liga Tunisiana para a Defesa dos Direitos Humanos (LTDH) anunciou nesta sexta-feira que recebeu informações sobre uma “decisão de suspender suas atividades por um mês”; embora não tenha se pronunciado sobre a origem da denúncia e esteja aguardando confirmação oficial por parte das autoridades.

Em um comunicado divulgado nas redes sociais, a organização ressaltou seu compromisso de respeitar a legalidade vigente e alertou que — caso se confirme — a medida representaria, em sua opinião, “uma violação da liberdade de associação e de ação coletiva”.

A LTDH expressou ainda sua “profunda preocupação” diante de uma decisão que considera um ataque direto a um dos pilares da transição democrática no país, ao mesmo tempo em que situou essa medida em um contexto mais amplo de crescentes restrições contra a sociedade civil, as organizações independentes e as vozes críticas.

Nesse sentido, lembrou obstáculos recentes ao seu trabalho, como a suspensão do protocolo que lhe permitia visitar centros penitenciários para supervisionar as condições de detenção, e denunciou o que descreveu como um endurecimento sistemático das limitações à sua atividade.

Diante disso, a organização insistiu que respeita os procedimentos administrativos, mas criticou uma possível violação do Decreto-Lei 88 de 2011, que regula o tecido associativo, ao considerar que a medida seria contrária tanto à Constituição tunisiana quanto aos compromissos internacionais do país em matéria de direitos humanos.

“Esta tentativa de intimidação não fará mais do que reforçar nossa determinação em defender os oprimidos e os princípios universais dos direitos humanos”, afirmou a direção da Liga, que já antecipou que recorrerá da decisão na Justiça e apresentará provas de seu cumprimento da normativa.

Além disso, fez um apelo às forças democráticas e aos atores da sociedade civil para que se mobilizem e responsabilizou as autoridades por qualquer deterioração do espaço cívico.

Por enquanto, o governo não se pronunciou publicamente sobre a medida. Nos últimos meses, no entanto, várias organizações denunciaram um aumento da pressão sobre ONGs, opositores e jornalistas em um contexto marcado pela concentração de poderes nas mãos do presidente, Kais Saied, desde 2021, quando suspendeu o Parlamento e passou a governar por decreto.

Paralelamente, ocorreram outras medidas contra entidades de destaque, como a suspensão de associações como a Mulheres Democráticas ou o Fórum de Direitos Econômicos e Sociais, enquanto organizações internacionais alertam para uma tendência restritiva das liberdades públicas.

Nesse contexto, também foi divulgada nesta sexta-feira a prisão do jornalista Zied Heni após a publicação de um artigo crítico ao poder judiciário, conforme declarado por seu advogado.

Apesar disso, a Liga reiterou sua determinação em continuar seu trabalho e ressaltou que continuará sendo “um baluarte contra a opressão, fiel à sua história militante antes e depois da revolução”.

A LTDH, fundada em 1976 e considerada uma das organizações de direitos humanos mais antigas do mundo árabe, integrou o Quarteto para o Diálogo Nacional, galardoado com o Prêmio Nobel da Paz em 2015 por sua contribuição para a transição democrática na Tunísia.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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