MADRID 5 ago. (EUROPA PRESS) -
Pesquisadores do Centro de Edafología y Biología Aplicada del Segura, do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CEBAS-CSIC), desenvolveram uma kombucha a partir de resíduos de vinho que acrescenta benefícios anti-inflamatórios e antioxidantes aos já conhecidos benefícios pré e probióticos dessa bebida tradicional à base de chá.
A chefe do grupo de pesquisa Laboratorio Fitoquímica y Alimentos Saludables (LabFAS), Cristina García-Viguera, explicou que a bebida foi produzida a partir da infusão de borras e cascas de vinho em forma de pó, o que possibilitou a substituição do chá habitual por um ingrediente "muito mais rico" em compostos bioativos e sem perder o caráter pré e probiótico.
"Incorporamos uma alta concentração de compostos bioativos, neste caso corantes naturais (antocianinas) e outros polifenóis, todos com comprovada atividade cardioprotetora, hepatoprotetora, analgésica, antitumoral, antioxidante, anti-inflamatória, etc. Tudo isso lhe confere um duplo potencial para a saúde: pró/prebiótico e anti-inflamatório/antioxidante", enfatizou García-Viguera.
Os resultados desse estudo, publicado na revista científica 'Foods', indicam que esse sistema inovador de produção de kombucha a partir de cascas e borras de uva também poderia oferecer uma solução para o uso complexo de subprodutos gerados pela produção de vinho.
"Para cada tonelada de uva, são produzidos 30% de subprodutos (peles e borras) e 720 garrafas de vinho", disse o diretor do LabFAS, alertando para a quantidade de subprodutos gerados pela produção de vinho na Espanha, considerando que, somente na Região de Múrcia, são produzidas anualmente cerca de 96.000 toneladas de vinho.
Como ele explicou, a eliminação desses subprodutos é cara devido ao seu conteúdo de carbono e matéria orgânica, bem como ao seu baixo pH, aspectos aos quais se soma sua natureza sazonal, o que significa que sua produção se concentra em um curto período de tempo, entre agosto e setembro. "Essa é a estação mais quente, o que favorece a fermentação espontânea e a rápida decomposição dos subprodutos acumulados", destacou.
Nesse contexto, os autores da pesquisa adiantaram que diferentes vinícolas e indústrias de bebidas já demonstraram interesse em implementar o método de produção de kombucha desenvolvido pela equipe do CEBAS-CSIC, com o objetivo de aproveitar esse resíduo que gera um grave problema econômico e ambiental.
Esse trabalho faz parte da tese que está sendo realizada por Berta M. Cánovas e co-orientada por Sonia Medina e García-Viguera. O cientista Raúl Domínguez-Perles, do grupo LabFAS, e a técnica de laboratório Irene Pérez-Novas também participaram do trabalho.
Essa pesquisa faz parte do programa Agroalnext-MU, que mobiliza um total de 8,56 milhões de euros para promover a inovação científica e tecnológica no setor agroalimentar e é financiado com fundos NextGenerationEU através do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades (5,56 milhões de euros) e pela comunidade autônoma através da Fundação Seneca com três milhões.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático