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MADRID, 9 abr. (EUROPA PRESS) -
A Escola Nacional de Medicina do Trabalho (ENMT) do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) investiga como o trabalho como criador de conteúdo nas redes sociais pode afetar a saúde, com riscos como o "burnout", a ansiedade, a depressão ou os transtornos alimentares.
O projeto analisa, do ponto de vista da saúde do trabalho, diferentes aspectos: a evolução do interesse público pelos criadores de conteúdo; os processos patológicos que podem se desenvolver em relação a essa dedicação nas redes sociais; as condições de trabalho e de saúde dos criadores de conteúdo; e o desenvolvimento de metodologias que permitam detectar anomalias nas condições de trabalho e prevenir problemas de saúde.
O Dr. Javier Sanz Valero, responsável pela Área de Divulgação, Pesquisa e Serviços da ENMT, lidera esta linha de trabalho, que está sendo desenvolvida em colaboração com uma equipe do departamento de Saúde Pública da Universidade de Alicante.
“Os criadores de conteúdo têm um papel significativo na cultura contemporânea. Em seu ambiente surgiram novas oportunidades econômicas, a regulamentação que rege essas atividades é muito recente e profissionalizou-se uma atividade antes vista como hobby. Como qualquer trabalhador, essas pessoas estão expostas, no contexto de sua atividade profissional, a diversos riscos ocupacionais que podem repercutir em seu bem-estar físico, mental e social”, explicou Sanz.
Na Espanha, a regulamentação neste âmbito foi consolidada principalmente pelo Decreto Real 444/2024, de 30 de abril, que desenvolve o artigo 94 da Lei 13/2022, de 7 de julho, Geral de Comunicação Audiovisual.
Essa norma visa formalizar e regulamentar as atividades dos criadores de conteúdo que alcançam relevância significativa, buscando equipará-los a outros prestadores de serviços de comunicação audiovisual e estabelecendo normas que garantam a proteção dos usuários, especialmente dos menores de idade. Nesse sentido, Sanz lembra que o Governo declarou 2026 como o Ano da Segurança e Saúde no Trabalho, com foco especial na digitalização.
“A combinação de jornadas maratonianas, conexão digital contínua, trabalho pouco previsível, sedentarismo, superexposição pública e, em muitos casos, insegurança e incerteza laboral, pode acabar provocando problemas de saúde mais ou menos graves. Para um criador de conteúdo nas redes sociais, seu principal ativo não é um 'hardware', mas sua capacidade cognitiva e sua saúde: protegê-la é uma decisão estratégica, não um luxo”, afirmou Sanz.
PRIMEIRA PUBLICAÇÃO
Como parte deste projeto de pesquisa, está em andamento a formação de doutorado de um médico do trabalho, Sergio Martínez Aguirre, na forma de tese de doutorado coorientada pelo Dr. Javier Sanz-Valero e pela Dra. Elena Ronda Pérez, professora titular de Saúde do Trabalho na Universidade de Alicante.
Nesse contexto, foi publicado um primeiro artigo na revista “Public Health & Surveillance”, assinado por esses três profissionais na forma de uma revisão, que analisou a literatura científica para identificar os potenciais processos patológicos que mais podem afetar as pessoas que se dedicam profissionalmente ao uso das redes sociais.
Os autores explicam que, quando essa revisão sistemática exploratória foi realizada, praticamente não existiam estudos que tratassem das patologias dos criadores de conteúdo, já que a maioria se concentrava mais nas patologias dos seguidores ou usuários em massa. Os resultados, que deverão ser confirmados por novas pesquisas, indicam que os impactos na saúde que mais podem afetar esses profissionais são bastante diversos e podem variar desde a síndrome de “burnout” até a ansiedade, a depressão, os distúrbios alimentares e outros possíveis problemas de saúde mental menos específicos.
Os autores apontam que, apesar da ampla documentação existente sobre saúde mental, é preciso identificar os fatores de risco mais associados a processos patológicos ligados à criação de conteúdo nas redes sociais, com o objetivo de prevenir os riscos descritos nesta revisão bibliográfica.
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