MADRID 23 jun. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisadores do Centro Nacional de Microbiologia (CNM) do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) realizou um estudo no qual identificou mutações no vírus causador da pneumonia “que lhe conferem maior virulência e capacidade de escapar do sistema imunológico”.
Este trabalho, realizado por esses especialistas — que também fazem parte do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede (CIBER) — e publicado na revista especializada ‘The Lancet Microbe’, descobriu, na opinião deles, “a chave do sucesso de um dos sorotipos de pneumococo mais prevalentes e letais”. De fato, eles afirmaram ter confirmado “o aumento das cepas” desse sorotipo.
Esses resultados “nos permitem compreender o notável aumento desse sorotipo nos últimos anos e nos oferecem um novo alvo para o desenvolvimento de futuras vacinas contra o pneumococo baseadas em proteínas”, explicaram os coordenadores desta pesquisa e membros do Laboratório de Referência de Pneumococos do CNM, os doutores Mirian Domenech e Jose Yuste.
Na opinião desses especialistas, que também fazem parte da Área de Doenças Respiratórias do CIBER (CIBERES), “estudos anteriores, realizados em modelos pré-clínicos, já demonstraram que os anticorpos direcionados contra a LytA são protetores e podem neutralizar a função dessa proteína essencial para a virulência do microrganismo”.
Nesse sentido, o referido centro do ISCIII destacou que o pneumococo “é uma bactéria que pode causar desde infecções leves, como otite ou sinusite, até formas graves, como pneumonia, meningite ou sepse”. “Essas doenças invasivas afetam principalmente a população infantil, idosos ou pessoas com condições de risco, e sua prevenção se baseia em vacinas conjugadas”, explicaram.
A esse respeito, “os resultados agora publicados revelam um aumento das cepas do sorotipo 3 do clado I-a, com uma mutação na proteína LytA, que aumenta a capacidade do pneumococo de infectar e escapar do sistema imunológico”, continuaram, acrescentando que “esse aumento foi observado tanto na população pediátrica com menos de dois anos quanto em pessoas com mais de 65 anos, que são os grupos mais vulneráveis a sofrer da doença pneumocócica invasiva”.
MENINGITE, SEPSE E PNEUMONIA
Com base nessas “descobertas”, Domenech e Yuste afirmaram que elas “são especialmente relevantes do ponto de vista clínico, uma vez que o pneumococo é uma das principais bactérias causadoras de meningite, sepse e pneumonia”. “O trabalho caracterizou, em nível molecular, as possíveis mutações nesses pneumococos do sorotipo 3, o que permitiu identificar uma alteração de aminoácido na proteína LytA, um dos principais fatores de virulência do microrganismo”, especificou o CNM, ao mesmo tempo em que explicou que “essa mutação é responsável por um aumento da virulência da bactéria, o que favorece sua capacidade de escapar do sistema imunológico”.
No entanto, os especialistas defendem “manter a vacinação contra o pneumococo tanto na população pediátrica quanto na adulta”, algo que é “fundamental”. “Esse sorotipo de pneumococo está entre os principais responsáveis por internações e pelos gastos com saúde associados a elas; por isso, é recomendável aumentar as taxas de vacinação antineumocócica em adultos, entre os quais os números atuais continuam baixos”, acrescentaram.
Também participaram deste estudo pesquisadores da Área de Epidemiologia e Saúde Pública do CIBER (CIBERESP), do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), dos hospitais universitários de Bellvitge, em Barcelona, e 12 de Outubro, em Madri, do laboratório regional de Saúde Pública da capital e da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Todos eles enfatizaram “a importância de continuar reforçando a vigilância microbiológica da doença pneumocócica em nível nacional”, com o objetivo de “monitorar a evolução desses clones hipervirulentos e detectar o possível surgimento de outros novos”.
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