F. MURPHY, C. GOLDSMITH, USCDCP; VÍA PIXNIO
MADRID 18 mar. (EUROPA PRESS) -
O Centro Nacional de Microbiologia (CNM) do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) documentou as primeiras detecções de um genótipo raro de enterovírus (EV) C105 (EV-C105), associado a doenças respiratórias e neurológicas, em amostras clínicas de menores na Espanha.
O estudo, publicado na revista "Eurosurveillance", analisou 2.443 amostras positivas para EV entre janeiro de 2019 e dezembro de 2024, das quais cinco apresentaram resultado positivo para EV-C105. Especificamente, um dos resultados positivos ocorreu em 2019, dois em 2023 e dois em 2024.
Essa é a primeira vez que esse genótipo é detectado na Espanha desde que o CNM-ISCIII estabeleceu a vigilância de enterovírus não relacionados à poliomielite usando métodos moleculares em 2006. No entanto, os resultados coincidem com um aumento nas detecções em outros países europeus, como Reino Unido, Eslovênia, Itália, Holanda e Bélgica, que também registraram um aumento desde 2023.
Os enterovírus são um grupo de vírus que podem causar uma ampla gama de doenças, desde infecções respiratórias leves até condições neurológicas graves, mas, até este estudo, apenas dois casos haviam sido documentados em todo o mundo nos quais o EV-C105 havia sido associado a condições neurológicas.
Assim, esta pesquisa, além de identificar a presença do EV-C105 em casos respiratórios, algo refletido na maioria dos casos esporádicos relatados na literatura científica, também detectou dois casos neurológicos, referentes a duas hospitalizações por meningite e paralisia flácida aguda.
Além disso, as análises filogenéticas das cepas EV-C105 detectadas na Espanha revelaram que quatro delas pertencem a uma nova linhagem emergente, denominada C1. Essa linhagem se distingue por quatro mutações em regiões-chave do vírus, que podem estar relacionadas à sua capacidade de escapar do sistema imunológico ou de se transmitir mais rapidamente.
Nesse contexto, a pesquisa destaca a necessidade de fortalecer a vigilância genômica para expandir os bancos de dados de sequências do EV-C105, o que melhorará a compreensão de sua evolução e disseminação e facilitará a vigilância de outras linhagens C1 que podem estar causando mais infecções neurológicas em crianças na Europa.
DIFICULDADE DE DETECÇÃO
A detecção do EV-C105 em painéis de PCR multiplex usados em laboratórios é complicada pelo fato de que, diferentemente de outros enterovírus, ele tem uma região genômica divergente, chamada de 5'-UTR.
Nesse sentido, a pesquisa da CNM utilizou uma variedade de painéis respiratórios nos hospitais participantes para obter sucesso na identificação. O artigo observa que alguns métodos comerciais de detecção podem não ser capazes de detectá-lo, o que poderia levar a uma subnotificação de casos.
Outro aspecto importante apontado nesse estudo é a escolha adequada das amostras clínicas. Tradicionalmente, as amostras de fezes e respiratórias são as amostras mais comumente usadas para a detecção de enterovírus em casos de doenças neurológicas, como encefalite ou paralisia. Entretanto, observou-se que alguns enterovírus respiratórios, como o EV-D68, que também pode causar doença neurológica, raramente são detectados nas fezes.
Nessa linha, o EV-C105 também apresenta complicações por ser detectado somente em amostras de fezes em pacientes com doenças neurológicas, portanto, para este estudo, o diagnóstico desses pacientes foi realizado por meio de amostras respiratórias, já que as amostras de fezes foram negativas.
Um achado semelhante parece ocorrer com o EV-C105, pois os dois pacientes com doenças neurológicas deste estudo foram diagnosticados por meio de amostras respiratórias, enquanto as amostras de fezes foram negativas. Isso ressalta a importância de incluir amostras respiratórias na vigilância de enterovírus, mesmo em casos que apresentem sintomas neurológicos.
Em suma, considerando que o EV-C105 é um enterovírus com baixa presença na literatura científica, as conclusões do estudo enfatizam a necessidade de intensificar a vigilância genômica desses vírus e de expandir os bancos de dados com genomas completos para entender melhor sua evolução e transmissão, dado seu potencial de causar doenças graves e sua rápida disseminação na Europa.
Além disso, eles recomendam que os clínicos fiquem atentos a possíveis infecções neurológicas causadas por esse vírus, especialmente em crianças, e sugerem que seja garantida a coleta de amostras respiratórias e de fezes, pois o EV-C105 pode representar um "novo desafio" para a saúde pública na Espanha e na Europa.
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