Publicado 07/04/2026 05:57

O ISCIII dispõe de um insetário com biossegurança P3 para o estudo de doenças infecciosas transmitidas por vetores

O ISCIII dispõe de um insetário com biossegurança P3 para o estudo de doenças infecciosas transmitidas por vetores
ISCIII

MADRID 7 abr. (EUROPA PRESS) -

O Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) inaugurou um insetário com nível de contenção biológica 3 (NCB-3), também conhecido como biossegurança P3, com o objetivo de aprofundar o estudo de doenças infecciosas transmitidas por vetores, pois permitirá a realização de pesquisas mais completas sobre o assunto.

Especificamente, essas novas instalações foram montadas no Centro Nacional de Microbiologia (CNM) dessa instituição. Graças a elas, será possível analisar detalhadamente a transmissão, por meio de artrópodes como os mosquitos, de inúmeras doenças infecciosas causadas por diferentes patógenos.

“A inauguração desta nova instalação nos permite realizar estudos de competição vetorial, por exemplo, de mosquitos transmissores de arbovírus, em condições de biossegurança altamente controladas”, afirmou a pesquisadora do CNM e uma das responsáveis por este insetário, Inés Martín. Algumas das patologias em estudo serão dengue, zika, vírus do Nilo Ocidental e chikungunya.

Nesse sentido, o ISCIII explicou que a competência vetorial é a capacidade biológica de um artrópode de atuar como vetor — transmissor — de um patógeno. Por isso, estudá-la facilita a compreensão de como muitas doenças são transmitidas, gerando novos conhecimentos para antecipar-se a elas.

Dessa forma, o insetário permitirá simular as condições de infecção dos mosquitos na natureza, impulsionando o estudo de patologias infecciosas vetoriais e consolidando a linha de trabalho do ISCIII em “One Health”. Esse conceito, idealizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), une a saúde humana, animal e ambiental em uma única saúde.

PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO

“Primeiro, alimentamos os mosquitos com uma mistura de sangue e vírus cultivados em laboratório, por meio de um dispositivo que simula nossa pele”, começou Martín ao narrar o trabalho realizado nesta instalação, acrescentando que, “posteriormente”, é feito “o acompanhamento da infecção pelo vírus dentro do mosquito” e avalia-se “em diferentes momentos” se o vírus foi capaz “de se multiplicar e se disseminar para outros tecidos do inseto”.

Além disso, ele destacou que, após isso, coleta-se saliva dos mosquitos e, por meio de um PCR, detecta-se “se o vírus migrou e invadiu as glândulas salivares e, portanto, pode ser transmitido a outra pessoa ou animal em uma picada posterior”.

As pesquisas já em andamento nesta nova instalação “avaliam o risco real de transmissão e ajudam as autoridades sanitárias competentes em matéria de emergências de doenças transmitidas por vetores a realizar as ações adequadas”, declararam, por sua vez, a subdiretora-geral de Serviços Aplicados, Formação e Pesquisa do ISCIII, Isabel Jado, e o diretor do CNM, José Miguel Rubio.

Na opinião de ambos, o insetário é “uma ferramenta fundamental para proteger a saúde pública em um contexto em que os vírus emergentes e as mudanças ambientais potenciam a distribuição e a expansão dos vetores transmissores de muitas doenças infecciosas”. Por isso, o ISCIII “é um dos poucos centros em nível nacional que possui a capacidade de investigar a competência vetorial com um alto nível de biossegurança”, destacaram.

Esses estudos “são fundamentais para saber quais espécies de mosquitos presentes em nosso país poderiam transmitir determinados patógenos”, continuaram. Nesse sentido, uma das primeiras pesquisas realizadas estudou a competência vetorial dos mosquitos presentes na Espanha para o vírus importado Oropouche, que provoca sintomas semelhantes aos de outras infecções como dengue, Chikungunya e Zika — febre alta, cefaleia, dores musculares, vômitos, exantema, etc. — e geralmente tem bom prognóstico.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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